{"id":9794,"date":"2012-04-19T03:30:07","date_gmt":"2012-04-19T03:30:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9794"},"modified":"2012-04-19T03:30:07","modified_gmt":"2012-04-19T03:30:07","slug":"a-instabilidade-poltica-em-frica-dificulta-o-progresso-da-sade-materna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/a-instabilidade-poltica-em-frica-dificulta-o-progresso-da-sade-materna\/","title":{"rendered":"A Instabilidade Pol&iacute;tica em &Aacute;frica Dificulta o Progresso da Sa&uacute;de Materna"},"content":{"rendered":"<p>ABIDJAN, 19\/04\/2012 &ndash; A instabilidade pol&iacute;tica, guerras civis e crises humanit&aacute;rias em &Aacute;frica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas t&ecirc;m feito recuar as conquistas no campo da sa&uacute;de materna no continente, avisam os especialistas de sa&uacute;de. <!--more--> &quot;Os pa&iacute;ses africanos com estat&iacute;sticas de sa&uacute;de materna positivas geralmente s&atilde;o aqueles com estabilidade pol&iacute;tica a longo prazo. Isto prova que a estabilidade &eacute; fundamental para o desenvolvimento. Se n&atilde;o existir, outras prioridades tomam a dianteira,&quot; disse &agrave; IPS Lucien Kouakou, Director Regional da Funda&ccedil;&atilde;o Internacional para o Planeamento Familiar em &Aacute;frica,.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Nig&eacute;ria e a Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, na&ccedil;&otilde;es ricas em recursos naturais, embora afectadas por conflitos, continuam a debater-se com taxas de mortalidade materna elevadas, com quase 1.000 mortes por 100.000 nados vivos, segundo as estat&iacute;sticas da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) relativas a 2011. Em pa&iacute;ses afectados pela guerra como a Som&aacute;lia, a mortalidade materna &eacute; ainda mais elevada, com mais de 1.200 mortes por cada 100.000 nados vivos. <\/p>\n<p>&quot;As regi&otilde;es da &Aacute;frica Central e Ocidental, onde se sente muita instabilidade pol&iacute;tica, t&ecirc;m os indicadores de sa&uacute;de materna mais baixos do continente, apesar da maior parte desses pa&iacute;ses ser rica em recursos naturais,&quot; explicou Kouakou. <\/p>\n<p>O resultado &eacute; que mais de 550 mulheres morrem durante o parto todos os dias na &Aacute;frica Subsariana, segundo a OMS, comparado com cinco mortes por dia nos pa&iacute;ses de rendimento elevado. O risco de uma mulher num pa&iacute;s em desenvolvimento morrer devido a causas relacionadas com a gravidez durante a vida &eacute; 36 vezes mais elevado quando comparado com o de uma mulher que vive numa na&ccedil;&atilde;o industrializada. <\/p>\n<p>Se uma m&atilde;e morre, toda a comunidade sente o impacto negativo do vazio que deixa. &quot;A elevada mortalidade materna tem graves consequ&ecirc;ncias n&atilde;o s&oacute; para as fam&iacute;lias mas tamb&eacute;m para as comunidades,&quot; afirmou a Dr&ordf; Edith Boni-Ouattara, representante nacional adjunta do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de Popula&ccedil;&atilde;o (UNFPA) na Costa do Marfim. <\/p>\n<p>Uma vez que as m&atilde;es s&atilde;o as principais prestadoras de cuidados, o seu estado de sa&uacute;de, e particularmente a sua morte, est&aacute; directamente relacionada com o bem-estar da fam&iacute;lia imediata e alargada. &quot;A morte de uma m&atilde;e tem um impacto negativo em todos os aspectos da vida de uma crian&ccedil;a, incluindo nutri&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o,&quot; apontou a representante do UNFPA. <\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses chegam mesmo a passar por revezes econ&oacute;micos nacionais quando as m&atilde;es morrem, acrescentou Boni-Ouattara. &quot;Em todo o mundo, perdemos 15 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares anualmente devido &agrave;s mortes maternas. <\/p>\n<p>Mas, apesar destes indicadores, a sa&uacute;de materna est&aacute; longe de se transformar numa prioridade nacional nos pa&iacute;ses africanos. Logo que os governos enfrentam amea&ccedil;as pol&iacute;ticas ou emerg&ecirc;ncias humanit&aacute;rias, os investimentos na sa&uacute;de materno-infantil, assim como no planeamento familiar, s&atilde;o os primeiros a serem cortados, segundo Kouakou. <\/p>\n<p>De acordo com o UNFPA, actualmente mais de um ter&ccedil;o das mulheres na &Aacute;frica Subsariana n&atilde;o tem acesso a quaisquer servi&ccedil;os de sa&uacute;de pr&eacute;-natal, enquanto que 70 por cento n&atilde;o recebe quaisquer cuidados de sa&uacute;de p&oacute;s-natais. Na &Aacute;frica Central e Ocidental, menos de 15 por cento das mulheres tem acesso a contraceptivos e a planeamento familiar. <\/p>\n<p>Infelizmente, &eacute; isto geralmente o que acontece porque os or&ccedil;amentos dispon&iacute;veis foram canalizados desproporcionalmente para o sector da defesa, referiu Kouakou. &quot;Grande parte dos hospitais p&uacute;blicos enfrenta dificuldades na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de, estando constantemente sem medicamentos, mas se visitarmos um campo militar nesse mesmo pa&iacute;s, vemos as armas mais modernas.<\/p>\n<p>A segunda prioridade na lista dos governos &eacute; normalmente a luta contra a pobreza e fome, que tamb&eacute;m constitui o primeiro dos Objectivos de Desenvolvimento do Mil&eacute;nio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ODM) que os pa&iacute;ses prometeram atingir at&eacute; 2015.<\/p>\n<p>Na &Aacute;frica Subsariana, a propor&ccedil;&atilde;o das pessoas que vivem com menos de 1.25 d&oacute;lares por dia s&oacute; diminuiu ligeiramente nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, passando de 58 por cento em 1990 para 51 por cento em 2005, de acordo com as &uacute;ltimas estat&iacute;sticas do Banco Mundial. <\/p>\n<p>Desde que os pa&iacute;ses africanos continuem a ser pobres, o investimento na sa&uacute;de materna, sexual ou reprodutiva continuar&aacute; a ser m&iacute;nimo, dizem os especialistas. Muitos pa&iacute;ses ir&atilde;o, portanto, continuar a enfrentar dificuldades para tentarem alcan&ccedil;ar os tr&ecirc;s objectivos relacionados com a sa&uacute;de &#8211; o 4&deg; ODM (redu&ccedil;&atilde;o em dois ter&ccedil;os da mortalidade infantil em rela&ccedil;&atilde;o a crian&ccedil;as com idade inferior a cinco anos), o 5&deg; ODM (redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade materna em tr&ecirc;s-quartos e acesso universal no que diz respeito &agrave; sa&uacute;de reprodutiva) e o 6&deg; ODM (combater o VIH\/SIDA, mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as) &#8211; nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos. <\/p>\n<p>&quot;A maioria parte dos pa&iacute;ses centra-se na erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza e da fome, enquanto que a sa&uacute;de materna &eacute; esquecida. &Eacute; uma quest&atilde;o de prioridades,&quot; afirmou El Allassane Baguia, especialista em ODM junto do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na Costa do Marfim.<\/p>\n<p>Poucos governos est&atilde;o suficientemente conscientes da estreita liga&ccedil;&atilde;o entre a sa&uacute;de materna e a pobreza, disse Baguia. &Eacute; necess&aacute;rio uma forte lideran&ccedil;a a n&iacute;vel nacional para mudar essas prioridades e gastar mais em sa&uacute;de materno-infantil, assim como na implementa&ccedil;&atilde;o mais eficaz das pol&iacute;ticas existentes e acordos internacionais, acrescentou. <\/p>\n<p>O direito ao planeamento familiar e, consequentemente, aos direitos sexuais e reprodutivos, por exemplo, tem sido inclu&iacute;do no quadro dos direitos humanos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas desde 1974. Mas at&eacute; hoje estes servi&ccedil;os ainda n&atilde;o foram inclu&iacute;dos na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de p&uacute;blica em muitos pa&iacute;ses africanos. <\/p>\n<p>&quot;Contudo, os servi&ccedil;os de planeamento familiar podem reduzir a mortalidade materno-infantil em um quinto. O acesso a cuidados m&eacute;dicos apropriados pode reduzir a mortalidade durante o parto em 75 por cento,&quot; referiu Boni-Ouattara.<\/p>\n<p>Nas regi&otilde;es do sul e leste do continente, a situa&ccedil;&atilde;o parece um pouco diferente. Aqui, a maior parte dos pa&iacute;ses tem gozado de uma relativa estabilidade pol&iacute;tica e tem sido menos afectada por cat&aacute;strofes humanit&aacute;rias por compara&ccedil;&atilde;o aos seus vizinhos na &Aacute;frica Central e Ocidental. Em resultado, as taxas de mortalidade materno-infantil mostravam uma diminui&ccedil;&atilde;o &#8211; at&eacute; que o VIH e a SIDA come&ccedil;aram a representar uma amea&ccedil;a contra a sa&uacute;de materna nesses pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Consequentemente, os pa&iacute;ses mais est&aacute;veis em termos pol&iacute;ticos, com taxas de infec&ccedil;&atilde;o por VIH relativamente baixas, t&ecirc;m as taxas de mortalidade materna mais baixas do continente, com menos de 300 mortes por cada 100.000 nados-vivos, de acordo com a OMS. <\/p>\n<p>Mas em pa&iacute;ses como a &Aacute;frica do Sul, o VIH\/SIDA tem prejudicado os esfor&ccedil;os envidados. Apesar da forte estabilidade pol&iacute;tica e econ&oacute;mica, a taxa da mortalidade materna est&aacute; a aumentar, com 549 mortes maternas por cada 100.000 nados-vivos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ABIDJAN, 19\/04\/2012 &ndash; A instabilidade pol&iacute;tica, guerras civis e crises humanit&aacute;rias em &Aacute;frica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas t&ecirc;m feito recuar as conquistas no campo da sa&uacute;de materna no continente, avisam os especialistas de sa&uacute;de. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/a-instabilidade-poltica-em-frica-dificulta-o-progresso-da-sade-materna\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":117,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-9794","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/117"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9794\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}