{"id":9800,"date":"2012-04-19T11:26:27","date_gmt":"2012-04-19T11:26:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9800"},"modified":"2012-04-19T11:26:27","modified_gmt":"2012-04-19T11:26:27","slug":"afeganisto-ataques-do-talib-enfraquecem-ainda-mais-a-otan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/politica\/afeganisto-ataques-do-talib-enfraquecem-ainda-mais-a-otan\/","title":{"rendered":"AFEGANIST&Atilde;O: Ataques do Talib&atilde; enfraquecem ainda mais a Otan"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 19\/04\/2012 &ndash; Os &uacute;ltimos ataques do movimento isl&acirc;mico Talib&atilde; no Afeganist&atilde;o aumentaram a desconfian&ccedil;a no p&uacute;blico norte-americano e inclusive no plano internacional sobre a estrat&eacute;gia militar da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan). <!--more--> As ofensivas do dia 15, em Cabul e outras partes do pa&iacute;s, tamb&eacute;m despertaram novas d&uacute;vidas sobre o prazo e o ritmo da prevista retirada das for&ccedil;as norte-americanas, bem como quanto ao destino do acordo estrat&eacute;gico de longo prazo que os Estados Unidos negociam com o Afeganist&atilde;o.<\/p>\n<p>Na semana anterior aos ataques, uma pesquisa da rede de televis&atilde;o ABC News e do jornal The Washington Post mostrava que o apoio p&uacute;blico nos Estados Unidos &agrave; guerra no Afeganist&atilde;o caiu a um n&iacute;vel sem precedentes. Apenas 30% dos entrevistados disseram acreditar que o conflito nesse pa&iacute;s vale a pena. Esta tamb&eacute;m foi a primeira pesquisa em que a maioria dos que se identificaram como simpatizantes do opositor Partido Republicano coincidiram com essa opini&atilde;o. Destes, 62% disseram acreditar que a maioria dos afeg&atilde;os se op&otilde;e &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos em seu pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio feito no dia 17 pela primeira-ministra da Austr&aacute;lia, Julia Gillard, de que aceleraria a retirada de seus soldados representou um novo golpe para as esperan&ccedil;as de Washington de manter unidos seus aliados at&eacute; o final de 2014. Este &eacute; o prazo acordado pela Otan para a retirada de todas as tropas. Argumentando melhorias na seguran&ccedil;a, apesar dos ataques do dia 15, Gillard prometeu retirar a maioria de seus 1.550 soldados at&eacute; o final do ano que vem.<\/p>\n<p>Este prazo &eacute; igual ao anunciado em janeiro pelo presidente da Fran&ccedil;a, Nicolas Sarkozy, para a retirada de quase quatro mil soldados. O mandat&aacute;rio tomou esta decis&atilde;o depois que quatro soldados franceses foram assassinados por um recruta afeg&atilde;o. At&eacute; ent&atilde;o, Paris, assim como os demais governos da Otan, havia prometido permanecer no Afeganist&atilde;o at&eacute; o final de 2014.<\/p>\n<p>A possibilidade de outros pa&iacute;ses tamb&eacute;m acelerarem sua retirada ser&aacute; assunto nos corredores da pr&oacute;xima reuni&atilde;o de ministros de defesa da Otan, que acontecer&aacute; no final desta semana em Bruxelas, e depois em Chicago, na c&uacute;pula da alian&ccedil;a. Espera-se que nesta segunda inst&acirc;ncia Obama pressione seus colegas para que se comprometam a manter as tropas no Afeganist&atilde;o at&eacute; 2014 e a apoiar com dinheiro depois dessa data.<\/p>\n<p>O pr&oacute;prio Obama prometeu retirar at&eacute; o final de setembro deste ano cerca de 22 mil soldados dos 99 mil que ainda permanecem em solo afeg&atilde;o. Contudo, continua sendo motivo de intenso debate no Congresso o ritmo da retirada das tropas remanescentes at&eacute; o final de 2014. Apoiado pela maioria de congressistas do governante Partido Democrata, o vice-presidente, Joe Biden, e o conselheiro de Seguran&ccedil;a Nacional da Casa Branca, Tom Donilon, estariam a favor de uma retirada relativamente r&aacute;pida, reduzindo o contingente total para 40 mil soldados at&eacute; meados do pr&oacute;ximo ano.<\/p>\n<p>No entanto, os altos chefes militares insistem em frear a retirada at&eacute; que passe a &quot;temporada de combates&quot; do outono boreal de 2013. &quot;Ser&aacute; necess&aacute;ria uma significativa for&ccedil;a de combate at&eacute; o final do ano que vem&quot;, afirmou o general John Allen, comandante dos Estados Unidos e da Otan no Afeganist&atilde;o. Os atentados do dia 15 seguramente alimentar&atilde;o este debate, como o fizeram outros incidentes nos &uacute;ltimos meses. Entre eles, a queima de c&oacute;pias do Alcor&atilde;o na base a&eacute;rea de Bagram por soldados norte-americanos e o massacre de 16 civis, entre eles uma crian&ccedil;a, cometido por um soldado dos Estados Unidos perto da cidade de Kandahar.<\/p>\n<p>Entre os &uacute;ltimos ataques dos isl&acirc;micos, que a maioria dos especialistas concorda que levam a marca da fac&ccedil;&atilde;o talib&atilde; paquistanesa Haqqani, est&atilde;o tr&ecirc;s ataques em Cabul, dois em Jalalabad, um em Gardez e outro em Pul-e-Alam, todos no leste do pa&iacute;s, onde nos &uacute;ltimos meses os Estados Unidos procuram fortalecer sua presen&ccedil;a. No total, participaram apenas 39 combatentes talib&atilde;s, a maioria dos quais morreu. No entanto, cada uma das ofensivas exigiu a ajuda de dezenas de outros que forneceram informa&ccedil;&atilde;o de intelig&ecirc;ncia, armas e muni&ccedil;&otilde;es, log&iacute;stica e diversas formas de apoio. Cabul, considerada a cidade mais segura do pa&iacute;s, ficou paralisada por 18 horas em consequ&ecirc;ncia dos ataques.<\/p>\n<p>Estas ofensivas causaram maiores baixas dentro do ex&eacute;rcito e da pol&iacute;cia do Afeganist&atilde;o: morreram 11 efetivos. O ataque em Cabul s&oacute; acabou depois que v&aacute;rios helic&oacute;pteros norte-americanos dispararam repetidamente contra os locais ocupados pelos talib&atilde;s. Foi o combate mais forte na capital desde a invas&atilde;o dos Estados Unidos para tirar do poder o Talib&atilde;, em 2001. A embaixada dos Estados Unidos e a base da Otan haviam sido atacadas em setembro, mas naquela ocasi&atilde;o os combates foram bem menos intensos.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas de que os ataques do dia 15 pegaram completamente de surpresa o governo do Afeganist&atilde;o, os Estados Unidos e a Otan. Foi &quot;um erro de intelig&ecirc;ncia nosso, especialmente da Otan&quot;, afirmou o escrit&oacute;rio do presidente afeg&atilde;o, Hamid Karzai. E os analistas est&atilde;o divididos sobre as consequ&ecirc;ncias que esses atos poder&atilde;o ter no debate dentro dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Allen e os que se op&otilde;em a uma r&aacute;pida retirada expressaram satisfa&ccedil;&atilde;o pela resposta e pelo desempenho das for&ccedil;as do governo afeg&atilde;o. &quot;Ningu&eacute;m est&aacute; subestimando a seriedade dos ataques de hoje. Cada um teve o objetivo de enviar uma mensagem: que o governo leg&iacute;timo e a soberania afeg&atilde; est&atilde;o em perigo. Por&eacute;m, a pr&oacute;pria resposta (das for&ccedil;as afeg&atilde;s) foram uma prova de que isso &eacute; uma bobagem&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Max Boot, destacado analista militar neoconservador, afirmou em seu blog que os ataques foram, de fato, um sinal de fraqueza da parte do Talib&atilde;. &quot;Os insurgentes tiveram que realizar seus ataques a partir de edif&iacute;cios abandonados, o que sugere que n&atilde;o contam com apoio na capital&quot;, escreveu. Outros, pelo contr&aacute;rio, consideram que os atentados revelaram for&ccedil;a por parte da insurg&ecirc;ncia e disseram que, na realidade, as for&ccedil;as afeg&atilde;s demonstraram que ainda s&atilde;o dependentes das tropas ocidentais. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* O blog de Jim Lobe sobre pol&iacute;tica externa pode ser lido em www.lobelog.com.<\/p>\n<p>Jim Lobe*<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 19\/4\/2012 &#8211; Os &uacute;ltimos ataques do movimento isl&acirc;mico Talib&atilde; no Afeganist&atilde;o aumentaram a desconfian&ccedil;a no p&uacute;blico norte-americano e inclusive no plano internacional sobre a estrat&eacute;gia militar da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan). As ofensivas do dia 15, em Cabul e outras partes do pa&iacute;s, tamb&eacute;m despertaram novas d&uacute;vidas sobre o prazo e o ritmo da prevista retirada das for&ccedil;as norte-americanas, bem como quanto ao destino do acordo estrat&eacute;gico de longo prazo que os Estados Unidos negociam com o Afeganist&atilde;o.<\/p>\n<p>Na semana anterior aos ataques, uma pesquisa da rede de televis&atilde;o ABC News e do jornal The Washington Post mostrava que o apoio p&uacute;blico nos Estados Unidos &agrave; guerra no Afeganist&atilde;o caiu a um n&iacute;vel sem precedentes. Apenas 30% dos entrevistados disseram acreditar que o conflito nesse pa&iacute;s vale a pena. Esta tamb&eacute;m foi a primeira pesquisa em que a maioria dos que se identificaram como simpatizantes do opositor Partido Republicano coincidiram com essa opini&atilde;o. Destes, 62% disseram acreditar que a maioria dos afeg&atilde;os se op&otilde;e &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos em seu pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio feito no dia 17 pela primeira-ministra da Austr&aacute;lia, Julia Gillard, de que aceleraria a retirada de seus soldados representou um novo golpe para as esperan&ccedil;as de Washington de manter unidos seus aliados at&eacute; o final de 2014. Este &eacute; o prazo acordado pela Otan para a retirada de todas as tropas. Argumentando melhorias na seguran&ccedil;a, apesar dos ataques do dia 15, Gillard prometeu retirar a maioria de seus 1.550 soldados at&eacute; o final do ano que vem.<\/p>\n<p>Este prazo &eacute; igual ao anunciado em janeiro pelo presidente da Fran&ccedil;a, Nicolas Sarkozy, para a retirada de quase quatro mil soldados. O mandat&aacute;rio tomou esta decis&atilde;o depois que quatro soldados franceses foram assassinados por um recruta afeg&atilde;o. At&eacute; ent&atilde;o, Paris, assim como os demais governos da Otan, havia prometido permanecer no Afeganist&atilde;o at&eacute; o final de 2014.<\/p>\n<p>A possibilidade de outros pa&iacute;ses tamb&eacute;m acelerarem sua retirada ser&aacute; assunto nos corredores da pr&oacute;xima reuni&atilde;o de ministros de defesa da Otan, que acontecer&aacute; no final desta semana em Bruxelas, e depois em Chicago, na c&uacute;pula da alian&ccedil;a. Espera-se que nesta segunda inst&acirc;ncia Obama pressione seus colegas para que se comprometam a manter as tropas no Afeganist&atilde;o at&eacute; 2014 e a apoiar com dinheiro depois dessa data.<\/p>\n<p>O pr&oacute;prio Obama prometeu retirar at&eacute; o final de setembro deste ano cerca de 22 mil soldados dos 99 mil que ainda permanecem em solo afeg&atilde;o. Contudo, continua sendo motivo de intenso debate no Congresso o ritmo da retirada das tropas remanescentes at&eacute; o final de 2014. Apoiado pela maioria de congressistas do governante Partido Democrata, o vice-presidente, Joe Biden, e o conselheiro de Seguran&ccedil;a Nacional da Casa Branca, Tom Donilon, estariam a favor de uma retirada relativamente r&aacute;pida, reduzindo o contingente total para 40 mil soldados at&eacute; meados do pr&oacute;ximo ano.<\/p>\n<p>No entanto, os altos chefes militares insistem em frear a retirada at&eacute; que passe a &quot;temporada de combates&quot; do outono boreal de 2013. &quot;Ser&aacute; necess&aacute;ria uma significativa for&ccedil;a de combate at&eacute; o final do ano que vem&quot;, afirmou o general John Allen, comandante dos Estados Unidos e da Otan no Afeganist&atilde;o. Os atentados do dia 15 seguramente alimentar&atilde;o este debate, como o fizeram outros incidentes nos &uacute;ltimos meses. Entre eles, a queima de c&oacute;pias do Alcor&atilde;o na base a&eacute;rea de Bagram por soldados norte-americanos e o massacre de 16 civis, entre eles uma crian&ccedil;a, cometido por um soldado dos Estados Unidos perto da cidade de Kandahar.<\/p>\n<p>Entre os &uacute;ltimos ataques dos isl&acirc;micos, que a maioria dos especialistas concorda que levam a marca da fac&ccedil;&atilde;o talib&atilde; paquistanesa Haqqani, est&atilde;o tr&ecirc;s ataques em Cabul, dois em Jalalabad, um em Gardez e outro em Pul-e-Alam, todos no leste do pa&iacute;s, onde nos &uacute;ltimos meses os Estados Unidos procuram fortalecer sua presen&ccedil;a. No total, participaram apenas 39 combatentes talib&atilde;s, a maioria dos quais morreu. No entanto, cada uma das ofensivas exigiu a ajuda de dezenas de outros que forneceram informa&ccedil;&atilde;o de intelig&ecirc;ncia, armas e muni&ccedil;&otilde;es, log&iacute;stica e diversas formas de apoio. Cabul, considerada a cidade mais segura do pa&iacute;s, ficou paralisada por 18 horas em consequ&ecirc;ncia dos ataques.<\/p>\n<p>Estas ofensivas causaram maiores baixas dentro do ex&eacute;rcito e da pol&iacute;cia do Afeganist&atilde;o: morreram 11 efetivos. O ataque em Cabul s&oacute; acabou depois que v&aacute;rios helic&oacute;pteros norte-americanos dispararam repetidamente contra os locais ocupados pelos talib&atilde;s. Foi o combate mais forte na capital desde a invas&atilde;o dos Estados Unidos para tirar do poder o Talib&atilde;, em 2001. A embaixada dos Estados Unidos e a base da Otan haviam sido atacadas em setembro, mas naquela ocasi&atilde;o os combates foram bem menos intensos.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas de que os ataques do dia 15 pegaram completamente de surpresa o governo do Afeganist&atilde;o, os Estados Unidos e a Otan. Foi &quot;um erro de intelig&ecirc;ncia nosso, especialmente da Otan&quot;, afirmou o escrit&oacute;rio do presidente afeg&atilde;o, Hamid Karzai. E os analistas est&atilde;o divididos sobre as consequ&ecirc;ncias que esses atos poder&atilde;o ter no debate dentro dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Allen e os que se op&otilde;em a uma r&aacute;pida retirada expressaram satisfa&ccedil;&atilde;o pela resposta e pelo desempenho das for&ccedil;as do governo afeg&atilde;o. &quot;Ningu&eacute;m est&aacute; subestimando a seriedade dos ataques de hoje. Cada um teve o objetivo de enviar uma mensagem: que o governo leg&iacute;timo e a soberania afeg&atilde; est&atilde;o em perigo. Por&eacute;m, a pr&oacute;pria resposta (das for&ccedil;as afeg&atilde;s) foram uma prova de que isso &eacute; uma bobagem&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Max Boot, destacado analista militar neoconservador, afirmou em seu blog que os ataques foram, de fato, um sinal de fraqueza da parte do Talib&atilde;. &quot;Os insurgentes tiveram que realizar seus ataques a partir de edif&iacute;cios abandonados, o que sugere que n&atilde;o contam com apoio na capital&quot;, escreveu. Outros, pelo contr&aacute;rio, consideram que os atentados revelaram for&ccedil;a por parte da insurg&ecirc;ncia e disseram que, na realidade, as for&ccedil;as afeg&atilde;s demonstraram que ainda s&atilde;o dependentes das tropas ocidentais. 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