{"id":9829,"date":"2012-04-25T09:12:33","date_gmt":"2012-04-25T09:12:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9829"},"modified":"2012-04-25T09:12:33","modified_gmt":"2012-04-25T09:12:33","slug":"infncia-chile-quando-se-acredita-que-a-violncia-uma-forma-de-ensinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/infncia-chile-quando-se-acredita-que-a-violncia-uma-forma-de-ensinar\/","title":{"rendered":"INF&Acirc;NCIA-CHILE: Quando se acredita que a viol&ecirc;ncia &eacute; uma forma de ensinar"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 25\/04\/2012 &ndash; Certo grau de viol&ecirc;ncia contra meninos e meninas &eacute; aceito no Chile como uma forma de ensino ou corre&ccedil;&atilde;o de condutas, especialmente por parte dos pais. <!--more--> &quot;A viol&ecirc;ncia est&aacute; incorporada como uma conduta de educa&ccedil;&atilde;o e de intera&ccedil;&atilde;o dos pais com os filhos&quot;, disse &agrave; IPS a psic&oacute;loga Soledad Larra&iacute;n, especialista do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) em casos de maus-tratos infantis.<\/p>\n<p>Os adultos consideram que uma bofetada, uma palmada nas n&aacute;degas ou xingar n&atilde;o &eacute; maltratar, acrescentou. Tr&ecirc;s em cada quatro crian&ccedil;as no Chile sofria maus-tratos f&iacute;sicos ou psicol&oacute;gicos, segundo um estudo realizado em 2006 pelo Unicef. Embora estes n&uacute;meros possam variar na nova pesquisa prevista para este ano, Larra&iacute;n alerta que estat&iacute;sticas como esta, e outras, n&atilde;o s&atilde;o animadoras.<\/p>\n<p>Em 1994, o primeiro estudo desse tipo indicava que 34,3% das crian&ccedil;as chilenas sofriam maus-tratos f&iacute;sicos graves, &iacute;ndice que caiu para 25,9% em 2006, enquanto a viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica aumentou de 14,5% para 21,4% no mesmo per&iacute;odo. &quot;Estes n&uacute;meros refletem que isto &eacute; totalmente tido como natural e n&atilde;o &eacute; considerado pelos pais como uma forma de viol&ecirc;ncia&quot;, afirmou Larra&iacute;n.<\/p>\n<p>Para a especialista do Unicef, &quot;&eacute; importante gerar uma mudan&ccedil;a cultural na qual n&atilde;o se aprove a viol&ecirc;ncia como uma forma de educa&ccedil;&atilde;o. Os estudos demonstram que os maus-tratos psicol&oacute;gicos provocam dano &agrave; sa&uacute;de mental das crian&ccedil;as, que n&atilde;o &eacute; in&oacute;cuo e nem uma boa forma de educar, e &eacute; isso que a sociedade tem que assumir&quot;.<\/p>\n<p>Dados divulgados pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Activa no dia 9 indicam que em 2011 morreram no Chile 12 crian&ccedil;as em raz&atilde;o de diferentes atos de viol&ecirc;ncia, 33% a mais do que no ano anterior. Maus-tratos dentro da fam&iacute;lia contra os menores, no entanto, cresceram 8,5% em igual compara&ccedil;&atilde;o. &quot;Embora n&atilde;o sejam muitos os casos no Chile que acabem com morte de menores de idade, &eacute; preocupante que haja um aumento significativo&quot;, disse &agrave; IPS a diretora da Activa, Gloria Requena.<\/p>\n<p>Requena atribui este aumento ao fato de ainda hoje &quot;a viol&ecirc;ncia contra menores ser aceita no Chile como uma forma v&aacute;lida de ensino quando as crian&ccedil;as n&atilde;o seguem as condutas esperadas&quot;. Ela destaca que a m&atilde;e &eacute; quem mais usa de viol&ecirc;ncia contra filhos e filhas, porque sobre ela culturalmente recai a responsabilidade de educ&aacute;-los, acrescentando que os resultados do estudo da Activa mostram a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e n&atilde;o as agress&otilde;es psicol&oacute;gicas, porque s&oacute; considera as den&uacute;ncias policiais, e chama a aten&ccedil;&atilde;o para os menores entre cinco e nove anos que n&atilde;o s&atilde;o capazes de denunciar.<\/p>\n<p>Segundo as duas especialistas ouvidas pela IPS, a viol&ecirc;ncia infantil &eacute; transversal aos setores socioecon&ocirc;micos, mas h&aacute; diferen&ccedil;as no tipo de maus-tratos aplicados. Larra&iacute;n aponta que nos setores de menor renda h&aacute; mais viol&ecirc;ncia f&iacute;sica grave, enquanto nos setores de renda maior se evidencia um grau maior de ataques psicol&oacute;gicos, um padr&atilde;o que se repete tamb&eacute;m nos casos das mulheres que apanham.<\/p>\n<p>Larra&iacute;n acrescentou que a conduta dos chilenos e chilenas &eacute; muito semelhante ao restante dos latino-americanos. &quot;Lamentavelmente, h&aacute; poucos estudos para comparar, mas, em geral, na regi&atilde;o da Am&eacute;rica Latina e do Caribe a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica leve est&aacute; incorporada como uma pauta leg&iacute;tima para educar e de intera&ccedil;&atilde;o entre os pais e os filhos&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Um caso real de viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica &eacute; o de Alejandra Pe&ntilde;a, de 34 anos, que desde os seis sofreu esse tipo de viol&ecirc;ncia por parte de seu pai. O mau tratamento que teve seu per&iacute;odo cr&iacute;tico em sua adolesc&ecirc;ncia se estendeu at&eacute; completar 31 anos, quando decidiu cortar rela&ccedil;&otilde;es com seu agressor. Pe&ntilde;a afirmou que a viol&ecirc;ncia contra ela sempre consistiu em &quot;desqualifica&ccedil;&otilde;es e insultos&quot;.<\/p>\n<p>Suas irm&atilde;s, hoje com 15 e 11 anos, tamb&eacute;m foram v&iacute;timas de agress&otilde;es psicol&oacute;gicas e testemunhas durante anos da viol&ecirc;ncia conjugal entre seus pais, que chegava &agrave; agress&atilde;o f&iacute;sica. As irm&atilde;s de Pe&ntilde;a viviam em um clima constante de viol&ecirc;ncia familiar. Seu pai &quot;atirava coisas, n&atilde;o batia nelas, mas as meninas n&atilde;o sabiam se isso viria a acontecer&quot;, contou a mulher. &quot;Elas testemunharam a viol&ecirc;ncia conjugal f&iacute;sica e psicol&oacute;gica desde muito pequenas, e tamb&eacute;m sofreram maus-tratos psicol&oacute;gicos e econ&ocirc;micos&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>Embora Pe&ntilde;a tenha conseguido escapar dessa situa&ccedil;&atilde;o, suas irm&atilde;s tiveram que continuar suportando-a. &quot;&Eacute; algo muito forte, causa muita impot&ecirc;ncia saber que elas est&atilde;o se expondo a um dano e que nada se pode fazer porque n&atilde;o depende de algu&eacute;m. Sinto raiva, muita pena e muito medo de que algo grave aconte&ccedil;a com elas&quot;, declarou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Para Larra&iacute;n, uma das principais travas para enfrentar a viol&ecirc;ncia contra as crian&ccedil;as &eacute; o tabu de que as coisas que acontecem dentro da fam&iacute;lia s&atilde;o privadas. &quot;Tem sido muito dif&iacute;cil entrar portas adentro no tema da viol&ecirc;ncia. Em geral, os Estados e os governos s&atilde;o tremendamente cuidadosos em n&atilde;o se meter na intimidade familiar, sem entender que, se os direitos da crian&ccedil;a est&atilde;o sendo violados, as autoridades t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de proteg&ecirc;-la&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Requena denunciou que os grupos vulner&aacute;veis no Chile t&ecirc;m &quot;escassa prote&ccedil;&atilde;o&quot;, contam apenas com um &uacute;nico &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico voltado &agrave; prote&ccedil;&atilde;o infantil, que &eacute; o Servi&ccedil;o Nacional de Menores (Sename), que possui um or&ccedil;amento muito baixo. Al&eacute;m disso, o Sename tem um contexto legal muito limitado e s&oacute; interv&eacute;m &quot;quando h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es denunciadas, isto &eacute;, que s&atilde;o de conhecimento p&uacute;blico, e quando se trata de crian&ccedil;as infratoras da lei&quot;.<\/p>\n<p>A diretora da Activa recomendou gerar pol&iacute;ticas de Estado e n&atilde;o legislar de forma conjuntural pelo impacto p&uacute;blico de algum caso. &quot;&Eacute; indispens&aacute;vel visibilizar o fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia, melhorando os sistemas de registro e an&aacute;lises em mat&eacute;ria de viol&ecirc;ncia dentro da fam&iacute;lia&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 25\/04\/2012 &ndash; Certo grau de viol&ecirc;ncia contra meninos e meninas &eacute; aceito no Chile como uma forma de ensino ou corre&ccedil;&atilde;o de condutas, especialmente por parte dos pais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/infncia-chile-quando-se-acredita-que-a-violncia-uma-forma-de-ensinar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6],"tags":[20],"class_list":["post-9829","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","tag-educacion"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9829"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9829\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}