{"id":9834,"date":"2012-04-25T09:22:58","date_gmt":"2012-04-25T09:22:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9834"},"modified":"2012-04-25T09:22:58","modified_gmt":"2012-04-25T09:22:58","slug":"rebelio-operria-atrasa-grandes-obras-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/rebelio-operria-atrasa-grandes-obras-no-brasil\/","title":{"rendered":"Rebeli&atilde;o oper&aacute;ria atrasa grandes obras no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro e Porto Velho, Brasil, 25\/04\/2012 &ndash; Uma maquete de 40 metros de comprimento reproduz a hidrel&eacute;trica de Jirau, &quot;um espet&aacute;culo da engenharia&quot;, segundo o catedr&aacute;tico Ari Ott.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9834\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e215-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9834\" class=\"size-medium wp-image-9834\" title=\"A central Santo Ant&ocirc;nio n&atilde;o escapa da rebeldia dos trabalhadores - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e215-300x225.jpg\" alt=\"A central Santo Ant&ocirc;nio n&atilde;o escapa da rebeldia dos trabalhadores - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9834\" class=\"wp-caption-text\">A central Santo Ant&ocirc;nio n&atilde;o escapa da rebeldia dos trabalhadores - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  Contudo, sua constru&ccedil;&atilde;o na Amaz&ocirc;nia brasileira sofreu duas longas interrup&ccedil;&otilde;es desde o ano passado, devido a greves e revoltas espont&acirc;neas dos oper&aacute;rios. O prot&oacute;tipo, que est&aacute; na cidade francesa de Grenoble, simula em detalhes esta obra para prever e analisar os poss&iacute;veis riscos, como o intenso fluxo de sedimentos no Rio Madeira. Jirau &eacute; um dos dois complexos hidrel&eacute;tricos que s&atilde;o constru&iacute;dos neste curso fluvial no Estado de Rond&ocirc;nia.<\/p>\n<p>No entanto, &quot;o modelo n&atilde;o contempla as pessoas&quot;, por isso n&atilde;o serviu para antecipar a rebeli&atilde;o dos trabalhadores diante das m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho na obra, destacou Ott, professor de antropologia na Universidade Federal de Rond&ocirc;nia, em Porto Velho, munic&iacute;pio onde ficam as duas centrais. Uma revolta surgida espontaneamente em mar&ccedil;o de 2011, ao que parece iniciada porque foi negado a um oper&aacute;rio um transporte para visitar um familiar doente na cidade, deixou como saldo o inc&ecirc;ndio de quase todos os alojamentos para os 16 mil oper&aacute;rios e outras instala&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m da destrui&ccedil;&atilde;o de 60 ve&iacute;culos, a maioria &ocirc;nibus.<\/p>\n<p>Essa paralisa&ccedil;&atilde;o se converteu em protesto por aumento salarial e outras reclama&ccedil;&otilde;es, como melhor transporte e licen&ccedil;as mais frequentes para os trabalhadores procedentes de regi&otilde;es mais distantes para que pudessem visitar suas fam&iacute;lias. Apenas tr&ecirc;s meses depois as obras foram gradualmente reiniciadas. No dia 3 deste m&ecirc;s, um grupo incendiou novamente um ter&ccedil;o dos alojamentos de Jirau, deixando sem dormit&oacute;rios cerca de 3.200 oper&aacute;rios. Desta vez foi poss&iacute;vel identificar alguns poucos suspeitos da destrui&ccedil;&atilde;o, chamados de &quot;v&acirc;ndalos&quot; pelos empres&aacute;rios e pelo governo. A justi&ccedil;a determinou a pris&atilde;o de 24 pessoas.<\/p>\n<p>Este novo ataque ocorreu ap&oacute;s uma assembleia em que os trabalhadores de Jirau decidiram p&ocirc;r fim a uma greve de 25 dias, enquanto a revolta de 2011 deu in&iacute;cio a um movimento que paralisou a obra do complexo hidrel&eacute;trico e tamb&eacute;m v&aacute;rios outros grandes projetos de constru&ccedil;&atilde;o espalhados pelo Brasil. A viol&ecirc;ncia agora foi menor, ao que parece desatada por oper&aacute;rios descontentes com a decis&atilde;o da maioria da assembleia. &quot;N&atilde;o s&atilde;o radicais, porque n&atilde;o t&ecirc;m causa; gostam do caos&quot;, criticou Altair Donizete de Oliveira, vice-presidente do Sindicato de Trabalhadores da Ind&uacute;stria da Constru&ccedil;&atilde;o Civil do Estado de Rond&ocirc;nia (STICCERO).<\/p>\n<p>Por causa dos incidentes foi instalado um refor&ccedil;o policial no canteiro da obra, que provavelmente permanecer&aacute; por longo tempo, lamentou o sindicalista. As empresas que constroem as hidrel&eacute;tricas tamb&eacute;m deveriam ser mais rigorosas na sele&ccedil;&atilde;o de seus empregados, afirmou Oliveira. Por&eacute;m, &quot;isto &eacute; dif&iacute;cil porque falta m&atilde;o de obra&quot; e, assim, &eacute; contratado quem estiver dispon&iacute;vel, reconheceu. A agita&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores de Jirau, que este m&ecirc;s conquistaram um aumento salarial de 7% e outros benef&iacute;cios, tamb&eacute;m se estendeu a Santo Ant&ocirc;nio, a outra megacentral em constru&ccedil;&atilde;o no Rio Madeira, embora neste caso sem registro de viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Santo Ant&ocirc;nio desfruta da proximidade da cidade de Porto Velho, a apenas sete quil&ocirc;metros, onde vivem muitos de seus trabalhadores. Por isso, s&oacute; precisa alojar 2.500 oper&aacute;rios em suas obras, segundo Oliveira, ao contr&aacute;rio de Jirau, que aloja seis vezes mais pessoas e, al&eacute;m disso, est&aacute; isolado entre a selva e o rio a 120 quil&ocirc;metros da cidade. As rebeli&otilde;es e greves aumentaram o n&uacute;mero de trabalhadores que preferem deixar o emprego e voltar para suas terras. Por Santo Ant&ocirc;nio, onde trabalham atualmente cerca de 15 mil, j&aacute; passaram &quot;mais de 50 mil&quot; desde o come&ccedil;o das obras em 2008, estimou o sindicalista.<\/p>\n<p>Oliveira previa h&aacute; um ano que os dist&uacute;rbios se repetiriam em Jirau por pertencer a um cons&oacute;rcio controlado por um grupo estrangeiro, o franco-belga GDF Suez. &quot;As empresas brasileiras t&ecirc;m cora&ccedil;&atilde;o&quot;, as estrangeiras s&oacute; pensam tecnicamente, afirmou, destacando as diferen&ccedil;as culturais como fatores de conflitos. Contudo, tudo indica que as grandes concentra&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias em gigantescos projetos espalhados pelo Brasil est&atilde;o favorecendo a uni&atilde;o e as atitudes combativas em busca de melhores sal&aacute;rios e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o &eacute; tida como um setor onde se paga baixos sal&aacute;rios e se trabalha em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias. Por&eacute;m, o r&aacute;pido aumento da demanda por novos empregados fortaleceu a reclama&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o destes oper&aacute;rios, que muitas vezes se adiantaram &agrave; estrutura de decis&atilde;o de seus pr&oacute;prios sindicatos, como ocorreu em 2011 nas obras do Rio Madeira. &Eacute; que os sal&aacute;rios n&atilde;o acompanham essa intensa demanda por m&atilde;o de obra. &quot;H&aacute; alguns anos, um pedreiro ganhava tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos, enquanto atualmente n&atilde;o chega a dois&quot;, disse Oliveira.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das grandes hidrel&eacute;tricas, no Brasil s&atilde;o constru&iacute;das quatro refinarias de petr&oacute;leo, dois polos petroqu&iacute;micos, v&aacute;rios portos acompanhados de complexos industriais, ferrovias, estradas e canais de transposi&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas do Rio S&atilde;o Francisco para melhorar o fornecimento de &aacute;gua doce no semi&aacute;rido nordestino.<\/p>\n<p>A onda de greves que acompanha esta febre construtora j&aacute; afeta tamb&eacute;m Belo Monte, outro complexo hidrel&eacute;trico que s&oacute; agora come&ccedil;a a ser levantando no Rio Xingu, na Amaz&ocirc;nia oriental. Boa parte de seus sete mil trabalhadores aderiram a uma greve entre final de mar&ccedil;o e come&ccedil;o deste m&ecirc;s por melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, e decidiram reinici&aacute;-la no dia 23.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Complexo Petroqu&iacute;mico do Rio de Janeiro (Comperj), que j&aacute; emprega quase 15 mil pessoas, se v&ecirc; afetado desde dezembro por greves intermitentes nas diferentes empresas encarregadas da constru&ccedil;&atilde;o. A inaugura&ccedil;&atilde;o deste projeto da Petrobras, em constru&ccedil;&atilde;o desde mar&ccedil;o de 2008, a 40 quil&ocirc;metros da cidade do Rio de Janeiro, j&aacute; teve de ser adiada por um ano e agora a inaugura&ccedil;&atilde;o est&aacute; prevista para 2014. Seu custo em constante aumento j&aacute; &eacute; calculado ao equivalente a US$ 20 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>O Comperj ser&aacute; composto de uma refinaria de petr&oacute;leo pesado, o mais extra&iacute;do no Brasil, e de unidades para produ&ccedil;&atilde;o de petroqu&iacute;micos de primeira, segunda e terceira gera&ccedil;&atilde;o. Projeta-se que vai gerar 200 mil empregos diretos e indiretos. Entretanto, as greves e outros conflitos, que incluem os ambientais, t&ecirc;m atrasado esta obra grandiosa. Est&aacute; atrasada a implanta&ccedil;&atilde;o de refinarias que s&atilde;o necess&aacute;rias com urg&ecirc;ncia para reduzir as importa&ccedil;&otilde;es de gasolina e outros derivados. O Brasil j&aacute; &eacute; autossuficiente em petr&oacute;leo, mas tem falta de capacidade de refino para atender um consumo em forte expans&atilde;o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro e Porto Velho, Brasil, 25\/04\/2012 &ndash; Uma maquete de 40 metros de comprimento reproduz a hidrel&eacute;trica de Jirau, &quot;um espet&aacute;culo da engenharia&quot;, segundo o catedr&aacute;tico Ari Ott. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/rebelio-operria-atrasa-grandes-obras-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,10,11],"tags":[27,21],"class_list":["post-9834","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9834\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}