{"id":9836,"date":"2012-04-26T10:13:49","date_gmt":"2012-04-26T10:13:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9836"},"modified":"2012-04-26T10:13:49","modified_gmt":"2012-04-26T10:13:49","slug":"portugal-mercados-pregam-os-cravos-da-revoluo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/economia\/portugal-mercados-pregam-os-cravos-da-revoluo\/","title":{"rendered":"PORTUGAL: Mercados pregam os cravos da Revolu&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 26\/04\/2012 &ndash; Pela primeira vez em 38 anos, os militares, que abriram as portas para a democracia em Portugal, n&atilde;o participaram dos atos oficiais comemorativos da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, que derrubou a que na &eacute;poca era a mais antiga ditadura europeia.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9836\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e417-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9836\" class=\"size-medium wp-image-9836\" title=\"Marcha pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, em defesa dos ideais da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos. - Daniel M&aacute;rio\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e417-300x199.jpg\" alt=\"Marcha pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, em defesa dos ideais da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos. - Daniel M&aacute;rio\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9836\" class=\"wp-caption-text\">Marcha pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, em defesa dos ideais da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos. - Daniel M&aacute;rio\/IPS<\/p><\/div>  No ato, designado Dia da Liberdade, os militares que dirigiram o golpe de 25 de abril de 1974 se recusaram a ocupar a tribuna de honra, que anualmente lhes &eacute; destinada no parlamento, em protesto pela &quot;ditadura dos mercados financeiros&quot; que afronta o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Esses oficiais decidiram comemorar a data convocando uma manifesta&ccedil;&atilde;o na qual se destacaram v&aacute;rios cartazes e discursos contra a crise econ&ocirc;mica e financeira. A manifesta&ccedil;&atilde;o ocupou a central Avenida da Liberdade e terminou com uma concentra&ccedil;&atilde;o que lotou a grande Pra&ccedil;a do Rossio, principal &aacute;rea p&uacute;blica de Lisboa. O protesto de ontem foi apoiado pelo ex-presidente M&aacute;rio Soares (1985-1995), considerado o patriarca da democracia portuguesa, que tamb&eacute;m se recusou a ocupar o lugar de honra no semic&iacute;rculo unicameral de S&atilde;o Bento, destinado aos ex-chefes de Estado.<\/p>\n<p>O coronel da reserva Vasco Louren&ccedil;o, que com a patente de major era comandante da Regi&atilde;o Militar de Lisboa no per&iacute;odo revolucion&aacute;rio, explicou que os militares n&atilde;o participaram dos atos oficiais porque &quot;a linha seguida pelo poder pol&iacute;tico atual deixou de refletir o regime democr&aacute;tico herdado em 25 de abril de 1974, plasmado na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica&quot;. Louren&ccedil;o preside a Associa&ccedil;&atilde;o 25 de Abril, formada pelos militares da reserva e da ativa, protagonistas do golpe de Estado que derrubou a ditadura corporativista do &quot;Estado Novo&quot;, que governou Portugal com m&atilde;o de ferro entre 1926 e 1974.<\/p>\n<p>H&aacute; alguns meses, os militares protagonistas da Revolu&ccedil;&atilde;o, procedentes de todas as correntes de opini&atilde;o, fustigam o governo por colocar em xeque praticamente todos os &ecirc;xitos daquela a&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria. Os chamados &quot;capit&atilde;es de abril&quot; n&atilde;o foram ao parlamento, mas n&atilde;o deixaram de comemorar o levante que p&ocirc;s fim a um regime de extrema direita isolacionista e a um imp&eacute;rio colonial de quase 560 anos.<\/p>\n<p>O ditador Ant&ocirc;nio de Oliveira Salazar (1889-1970), o professor de finan&ccedil;as da Universidade de Coimbra fundador do &quot;Estado Novo&quot;, governou at&eacute; 1968 com m&atilde;o de ferro, ao mais puro estilo conservador-provinciano, como se fosse o quintal de sua casa da aldeia natal de Santa Comba do D&atilde;o. Foi substitu&iacute;do por incapacidade por seu &quot;delfim&quot;, Marcello Jos&eacute; das Neves Caetano.<\/p>\n<p>Tudo come&ccedil;ou a mudar radicalmente nas primeiras horas da madrugada de 25 de abril de 1974, quando o jovem capit&atilde;o Fernando Jos&eacute; Salgueiro Maia (1944-1992), destituiu seus superiores do Regimento de Cavalaria Mecanizada de Santar&eacute;m e &agrave; frente de uma longa coluna de carros de combate percorreu os 110 quil&ocirc;metros que separam essa cidade da capital. Quando seus blindados ocuparam a Pra&ccedil;a Terreiro do Pa&ccedil;o, durante meio s&eacute;culo s&iacute;mbolo do poder de Portugal, come&ccedil;ava o golpe de Estado mais singular da hist&oacute;ria: militares que se rebelavam para impor a democracia pela ponta da baioneta.<\/p>\n<p>Em poucas horas Caetano entregou o poder e foi levado ao aeroporto de Lisboa e embarcado com destino ao Brasil, onde faleceu em 1980. Desde ent&atilde;o, Portugal n&atilde;o vivia uma situa&ccedil;&atilde;o de forte agita&ccedil;&atilde;o social como agora, provocada pelas duras medidas do governo conservador do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho para reduzir o d&eacute;ficit fiscal, condi&ccedil;&atilde;o imposta pela troika de credores formada por Fundo Monet&aacute;rio Internacional, Uni&atilde;o Europeia e Banco Central Europeu.<\/p>\n<p>Entre estas pol&iacute;ticas se destacam o aumento generalizado de impostos, o fim da sa&uacute;de gratuita, altas nas tarifas de g&aacute;s, eletricidade e dos combust&iacute;veis, da passagem no transporte p&uacute;blico e das matr&iacute;culas e da cota mensal para os estudantes de escolas do Estado. Tamb&eacute;m est&aacute; em curso uma reforma do C&oacute;digo do Trabalho que facilitar&aacute; as demiss&otilde;es, eliminar&aacute; b&ocirc;nus, limitar&aacute; os subs&iacute;dios por desemprego, retirar&aacute; feriados, reduzir&aacute; os dias de f&eacute;rias obrigat&oacute;rias e permitir&aacute; o aumento do hor&aacute;rio de trabalho.<\/p>\n<p>Em seu discurso para milhares de manifestantes de diversas gera&ccedil;&otilde;es, Louren&ccedil;o recordou &agrave;s autoridades atuais que &quot;o governo n&atilde;o &eacute; do eleito mas do eleitor, e que, portanto, n&atilde;o podem vender o pa&iacute;s ao poder econ&ocirc;mico e financeiro&quot;. &quot;Os eleitos j&aacute; n&atilde;o representam a sociedade portuguesa&quot;, quando tentam &quot;legitimar a ditadura dos mercados, porque as pessoas n&atilde;o deram ao parlamento o poder de entregar esses poderes&quot;, afirmou o oficial da reserva aos manifestantes, onde se destacaram os de mais idade que viveram a &eacute;poca revolucion&aacute;ria.<\/p>\n<p>Devido &agrave;s medidas draconianas impostas pela troika, Portugal &quot;agora &eacute; um protetorado&quot; que vive sob as ordens dos &quot;projetos de Merkozy&quot;, ironizou Louren&ccedil;o em alus&atilde;o ao poder real na Uni&atilde;o Europeia, exercido pela chefe do governo alem&atilde;o, Angela Merkel, e pelo presidente da Fran&ccedil;a, Nicolas Sarkozy. &quot;N&atilde;o fazemos alarde de sermos os salvadores da na&ccedil;&atilde;o, mas dizemos que os militares sabem como se manter firmes na defesa de nosso povo&quot;, concluiu.<\/p>\n<p>Por sua vez, Soares destacou que, gra&ccedil;as &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril, &quot;tudo mudou e n&atilde;o h&aacute; compara&ccedil;&atilde;o com o passado de pobreza, guerra e ditadura no qual Portugal esteve &#39;orgulhosamente s&oacute;&#39; (frase c&eacute;lebre de Salazar) durante 48 anos de crueldades&quot;. A democracia pluralista implantada pela Revolu&ccedil;&atilde;o &quot;teve grande influ&ecirc;ncia no estabelecimento de muitas democracias, especialmente na Espanha, Gr&eacute;cia e Am&eacute;rica Latina, sem excluir nosso querido Brasil, naquele momento tamb&eacute;m dominado por uma ditadura&quot; (1964-1985), acrescentou.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, prosseguiu o ex-presidente, &quot;agora vivemos uma crise que veio de fora, dos Estados Unidos e do resto da Europa, que tem muito a ver com a incapacidade de muitos l&iacute;deres deste continente, que creem cegamente na austeridade e n&atilde;o se preocupam com o crescimento exponencial do desemprego e nem com a paralisia das economias em recess&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Soares explicou &agrave; IPS que sua atitude de protesto neste anivers&aacute;rio &eacute; &quot;em solidariedade aos her&oacute;is de abril&quot;, em um momento que o governo de Passos Coelho est&aacute; &quot;destruindo conquistas sociais como seguridade social, educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de&quot;, mediante privatiza&ccedil;&otilde;es e limita&ccedil;&atilde;o dos direitos dos portugueses. Para o ex-presidente, a austeridade imposta pela troika leva ao &quot;empobrecimento de milh&otilde;es de portugueses, o que n&atilde;o nos conduz a parte alguma, ou, melhor dizendo, nos leva a que cada ano estejamos de mal a pior&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 26\/04\/2012 &ndash; Pela primeira vez em 38 anos, os militares, que abriram as portas para a democracia em Portugal, n&atilde;o participaram dos atos oficiais comemorativos da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, que derrubou a que na &eacute;poca era a mais antiga ditadura europeia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/economia\/portugal-mercados-pregam-os-cravos-da-revoluo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[18],"class_list":["post-9836","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9836\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}