{"id":984,"date":"2005-09-09T00:00:00","date_gmt":"2005-09-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=984"},"modified":"2005-09-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-09T00:00:00","slug":"estados-unidos-o-desastre-comeou-antes-do-katrina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/estados-unidos-o-desastre-comeou-antes-do-katrina\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: O desastre come&ccedil;ou antes do Katrina"},"content":{"rendered":"<p>Oakland,  Estados Unidos, 09\/09\/2005 &ndash; Depois da desconcertada resposta do governo de George W. Bush &agrave;s v&iacute;timas do furac&atilde;o Katrina nos Estados Unidos, uma coisa fica clara: o chefe da Ag&ecirc;ncia Federal para a Administra&ccedil;&atilde;o de Emerg&ecirc;ncia (Fema), Michael Brown, n&atilde;o teve compet&ecirc;ncia. O jornal Times-Picayune, de Nova Orleans, a cidade mais afetada pelo desastre, pediu sua destitui&ccedil;&atilde;o. A jornalista Maureen Dowd, do The New York Times o chamou de &quot;idiota despreocupado encarregado da Fema&quot;. Segundo seus muitos cr&iacute;ticos, o homem, cuja principal preocupa&ccedil;&atilde;o nos anos 90 foi a cria&ccedil;&atilde;o de cavalos &aacute;rabes, precisa de qualifica&ccedil;&atilde;o e de prepara&ccedil;&atilde;o para responder a crise e proporcionar servi&ccedil;os de emerg&ecirc;ncia &agrave;s centenas de milhares de v&iacute;timas que deles necessitam.<br \/> <!--more--> <br \/> Est&aacute; claro que a principal raz&atilde;o de Brown ter entrado na Fema foi que seu antecessor no cargo era um velho companheiro de quarto na universidade, Joseph Allbaugh, principal colaborador de Bush quando este governava o Texas e chefe de sua campanha presidencial em 2000. Muito antes de o furac&atilde;o Katrina golpear Nova Orleans e o Mississipi, Allbaugh havia se dedicado a reduzir os recursos e o alcance da Fema. Segundo vers&otilde;es jornal&iacute;sticas, Allbaugh come&ccedil;ou a reduzir o alcance dos programas de preven&ccedil;&atilde;o de desastres da ag&ecirc;ncia t&atilde;o logo assumiu sua dire&ccedil;&atilde;o. Em abril de 2001, tr&ecirc;s meses depois da posse de Bush, a Casa Branca anunciou seus planos de privatizar boa parte das tarefas da Fema.<\/p>\n<p> &quot;Muitos est&atilde;o preocupados de que a ajuda federal diante de desastres possa evoluir de programas muito grandes para um manejo efetivo de riscos nos Estados e munic&iacute;pios&quot;, disse o hoje ex-funcion&aacute;rio no Congresso em 2001. &quot;As expectativas sobre a participa&ccedil;&atilde;o do governo federal podem ter inflado al&eacute;m do apropriado&quot;, afirmou. Antes de deixar a Fema, em dezembro de 2002, para fundar a Allbaugh Company, empresa de assessoria em estrat&eacute;gia corporativa que participa de lucrativos contratos na reconstru&ccedil;&atilde;o do Iraque, Allbaugh ajudou a enterrar a Fema dentro do Departamento de Seguran&ccedil;a Interna.<\/p>\n<p> Que melhor maneira de reduzir a import&acirc;ncia da Fema que a de colocar &agrave; sua frente uma pessoa sem experi&ecirc;ncia alguma em assist&ecirc;ncia a v&iacute;timas de desastres? Talvez, destruir a capacidade de resposta da ag&ecirc;ncia diante de desastres naturais n&atilde;o foi o que Allbaugh tinha em mente, mas sim reduzir as expectativas do p&uacute;blico no manejo de uma crise da magnitude do furac&atilde;o Katrina. Michael Brown foi o homem certo para continuar esse trabalho. Brown se converteu em subdiretor da Fema convocado por Allbaugh pouco depois de ser demitido de seu cargo de &quot;kzar&quot; da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Cavalos &Aacute;rabes (IAHA), organiza&ccedil;&atilde;o de criadores e expositores radicada no Estado do Colorado.<\/p>\n<p> Em primeira inst&acirc;ncia, Brown exerceu o cargo junto com o de conselheiro-geral da ag&ecirc;ncia, e em janeiro de 2003 se converteu no primeiro subsecret&aacute;rio de Prepara&ccedil;&atilde;o e Resposta a Emerg&ecirc;ncias do Departamento de Seguran&ccedil;a Interna, depois da ren&uacute;ncia de Allbaugh. Na IAHA, Brown foi alvo de intensas cr&iacute;ticas por sua conduta. O site conservador de not&iacute;cias na Internet WorldNetDaily informou no &uacute;ltimo dia 5 que, na realidade, Brown havia sido demitido da organiza&ccedil;&atilde;o. Um ex-presidente da IAHA, Bill Pennington, disse &agrave; imprensa que o hoje questionado funcion&aacute;rio &quot;n&atilde;o seguia instru&ccedil;&otilde;es. Era cabe&ccedil;a dura, fazia o que queria, e ponto final&quot;.<\/p>\n<p> Na an&aacute;lise da m&aacute; resposta da Fema diante da destrui&ccedil;&atilde;o provocada pelo Katrina, o assunto da privatiza&ccedil;&atilde;o provavelmente seja o que tenha menos aten&ccedil;&atilde;o, porque &eacute; um dos problemas principais. Por d&eacute;cadas, os centros de estudos conservadores promoveram a redu&ccedil;&atilde;o do tamanho do Estado e a privatiza&ccedil;&atilde;o da maior quantidade poss&iacute;vel de servi&ccedil;os governamentais. Pouco depois de assumir a presid&ecirc;ncia em janeiro de 2001, Bush anunciou a cria&ccedil;&atilde;o do Escrit&oacute;rio de Iniciativas Comunit&aacute;rias ou com Bases de F&eacute; na Casa Branca, que destina dinheiro a organiza&ccedil;&otilde;es religiosas para que proporcionem servi&ccedil;os antes fornecidos pelo governo.<\/p>\n<p> Grover Norquist, assessor externo de Bush em assuntos econ&ocirc;micos e chefe da campanha &quot;Norte-americanos pela Reforma Tribut&aacute;ria&quot;, afirmou que o ideal era reduzir o governo &quot;ao tamanho que seja poss&iacute;vel afog&aacute;-lo em um balde&quot;. Norquist disse no programa Clube 700, do pol&ecirc;mico tele-pastor Pat Robertson, que queria &quot;reduzir o tamanho do governo &agrave; metade&quot; do atual &quot;nos pr&oacute;ximos 25 anos&quot;. &quot;Queremos reduzir o n&uacute;mero de pessoas dependentes do governo para que haja mais autonomia e mais cidad&atilde;os livres&quot;, acrescentou. Mas a contrata&ccedil;&atilde;o de Brown n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica raz&atilde;o pela qual a Fema n&atilde;o esteve preparada para enfrentar o desastre provocado pelo furac&atilde;o Katrina. As privatiza&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m contaram.<\/p>\n<p> Em junho do ano passado, a Fema assinou contrato de US$ 500 mil com a empresa Innovative Emergency Management (IEM), na Louisiana, que prometeu &quot;liderar o desenvolvimento de um plano para enfrentar desastres causados por furac&otilde;es no sudeste desse Estado e na cidade de Nova Orleans&quot;. &quot;A equipe do IEM para a administra&ccedil;&atilde;o de cat&aacute;strofes assume o desafio de integrar as necessidades e as capacidades em um plano efetivo para enfrentar os desastres causados por impactos de furac&otilde;es&quot;, dizia a empresa em um comunicado. O texto foi retirado de seu site na Internet depois que o Katrina devastou boa parte de tr&ecirc;s Estados do sul do pa&iacute;s, desde o dia 29 passado, e causou a morte de milhares de pessoas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Bill Berkowitz &eacute; um destacado observador do movimento conservador norte-americano. Publica periodicamente a coluna &quot;Conservative Watch&quot; na revista eletr&ocirc;nica WorkingForChange.org.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oakland,  Estados Unidos, 09\/09\/2005 &ndash; Depois da desconcertada resposta do governo de George W. Bush &agrave;s v&iacute;timas do furac&atilde;o Katrina nos Estados Unidos, uma coisa fica clara: o chefe da Ag&ecirc;ncia Federal para a Administra&ccedil;&atilde;o de Emerg&ecirc;ncia (Fema), Michael Brown, n&atilde;o teve compet&ecirc;ncia. O jornal Times-Picayune, de Nova Orleans, a cidade mais afetada pelo desastre, pediu sua destitui&ccedil;&atilde;o. A jornalista Maureen Dowd, do The New York Times o chamou de &quot;idiota despreocupado encarregado da Fema&quot;. Segundo seus muitos cr&iacute;ticos, o homem, cuja principal preocupa&ccedil;&atilde;o nos anos 90 foi a cria&ccedil;&atilde;o de cavalos &aacute;rabes, precisa de qualifica&ccedil;&atilde;o e de prepara&ccedil;&atilde;o para responder a crise e proporcionar servi&ccedil;os de emerg&ecirc;ncia &agrave;s centenas de milhares de v&iacute;timas que deles necessitam.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/estados-unidos-o-desastre-comeou-antes-do-katrina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":795,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-984","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/795"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}