{"id":9840,"date":"2012-04-26T10:21:52","date_gmt":"2012-04-26T10:21:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9840"},"modified":"2012-04-26T10:21:52","modified_gmt":"2012-04-26T10:21:52","slug":"coluna-o-caminho-menos-percorrido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/mundo\/coluna-o-caminho-menos-percorrido\/","title":{"rendered":"COLUNA: O caminho menos percorrido"},"content":{"rendered":"<p>S&atilde;o Francisco, Estados Unidos, 26\/04\/2012 &ndash; &quot;Dentro de 20 anos estar&aacute;s mais decepcionado pelas coisas que n&atilde;o fizestes do que por aquelas que fizestes. Assim, solte as amarras. Navegue longe do porto seguro. <!--more--> Prenda os ventos al&iacute;sios em tuas velas. Explora. Sonhe. Descubra.&quot;, escreve o famoso Mark Twain (1835-1910). Cada vez mais pessoas levam este conselho ao p&eacute; da letra e partem para explorar e descobrir.<\/p>\n<p>Deste modo, o turismo mundial ganha uma dimens&atilde;o sem precedentes, prevendo-se para este ano o recorde de um bilh&atilde;o de visitas. No processo ser&atilde;o gerados investimentos multimilion&aacute;rios e criados um em cada 12 empregos em todo o mundo, as vidas de milh&otilde;es de pessoas ser&atilde;o potenciadas, e enormes oportunidades ser&atilde;o geradas para o crescimento e o desenvolvimento dos pa&iacute;ses, tanto ricos como pobres.<\/p>\n<p>Por sua capacidade de gerar riqueza, o turismo tem um papel crucial no &ecirc;xito dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio em mat&eacute;ria de prosperidade, paz e sustentabilidade. Novos desafios, como mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, pobreza, fome e doen&ccedil;as, tornam mais complexo e angustiante o cumprimento destas metas. Assim, quando de 20 a 22 de junho acontecer a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), os l&iacute;deres do turismo ter&atilde;o que forjar alian&ccedil;as ativas com outros setores da economia mundial para alcan&ccedil;ar um futuro inclusivo, equitativo e sustent&aacute;vel para todos.<\/p>\n<p>O turismo &eacute; como fogo. Bem manejado pode nos ser &uacute;til; se permitirmos que nos domine, pode nos queimar. O turismo apresenta muitos desafios para o bem-estar da comunidade mundial e para a sa&uacute;de de nosso planeta: da degrada&ccedil;&atilde;o cultural das comunidades locais &agrave; completa destrui&ccedil;&atilde;o de seus sistemas de valor. Al&eacute;m do mais, os turistas atentam contra a sa&uacute;de da terra ao visitarem excessivamente ecossistemas fr&aacute;geis e devido &agrave;s emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono e outros contaminantes derivados de seus meios de transporte, de autom&oacute;veis a &ocirc;nibus, trens e avi&otilde;es.<\/p>\n<p>A ind&uacute;stria mundial de viagens enfrenta agora o desafio de tomar uma decis&atilde;o consciente a respeito de onde deseja ir e como. Algo semelhante ao proposto por Robert Frost (1874-1963) em seu poema O caminho n&atilde;o escolhido: &quot;Dois caminhos se bifurcam em uma floresta amarela, \/ e penalizado por n&atilde;o poder seguir os dois (&#8230;) \/ Dois caminhos se bifurcam em uma floresta e eu, \/ Eu tomei o menos percorrido, \/ E isso fez toda a diferen&ccedil;a&quot;.<\/p>\n<p>O turismo mundial parece ter escolhido o caminho &quot;menos percorrido&quot;. Contudo, de todo modo, vai trope&ccedil;ando, n&atilde;o muito seguro de como chegar&aacute; aonde deseja ir. O turismo respons&aacute;vel pede que destinos, agentes de viagens e viajantes se unam igualmente na opera&ccedil;&atilde;o dos trajetos, com sensibilidade para os entornos sociais, culturais, naturais e econ&ocirc;micos das comunidades anfitri&atilde;s e da M&atilde;e Terra.<\/p>\n<p>Para isso, a ind&uacute;stria vem incentivando v&aacute;rias formas de turismo sustent&aacute;vel desde a d&eacute;cada de 1970, quando come&ccedil;ou o movimento ambiental. Foi a partir dali que surgiu o que atualmente &eacute; o conceito popular de ecoturismo. Este alimenta o desejo de viajar para cen&aacute;rios naturais, longe das atra&ccedil;&otilde;es criadas pelos seres humanos, permitindo ao turista experimentar a natureza em sua gl&oacute;ria original, e ser educado sobre a cultura e os estilos de vida de sociedades menos conhecidas e mal compreendidas.<\/p>\n<p>Essas visitas criam o efeito ben&eacute;fico de arrecadar fundos para a conserva&ccedil;&atilde;o de paisagens naturais e monumentos culturais desatendidos, al&eacute;m de ajudar economicamente comunidades empobrecidas. A outra face da moeda &eacute; que a crescente popularidade do ecoturismo levou inescrupulosos operadores tur&iacute;sticos e hoteleiros a abusarem e explorarem entornos e sociedades vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p>Isto se deve, em parte, &agrave; falta de uma &uacute;nica defini&ccedil;&atilde;o internacionalmente aceita sobre o que &eacute; ecoturismo, que frequentemente se mistura com turismo sustent&aacute;vel, turismo verde, turismo natural, etc. As organiza&ccedil;&otilde;es tur&iacute;sticas e conservacionistas t&ecirc;m suas defini&ccedil;&otilde;es de ecoturismo. Operadores individuais e governos tamb&eacute;m sujam as &aacute;guas ao promoverem suas pr&oacute;prias defini&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Entretanto, no sentido mais amplo, ecoturismo &eacute; viajar a pontos ecol&oacute;gica e culturalmente delicados, causando os menores impactos negativos poss&iacute;veis nesses lugares. Naturalmente, &eacute; imposs&iacute;vel que seres humanos fa&ccedil;am uma viagem a algum lugar sem gerar impactos negativos, porque inclusive para chegar ali prejudica o meio ambiente, devido &agrave; emiss&atilde;o de gases poluentes.<\/p>\n<p>Os avi&otilde;es est&atilde;o entre os piores emissores de contaminantes da ind&uacute;stria das viagens, embora a Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Transporte A&eacute;reo afirme que este meio contribui com apenas 2% das emiss&otilde;es mundiais de di&oacute;xido de carbono causadas pela atividade humana. Isto &eacute; menos do que as flatul&ecirc;ncias das vacas na Europa! O turismo somar&aacute; 43 milh&otilde;es a mais de visitantes a cada ano, at&eacute; chegar a 1,8 bilh&atilde;o em 2030, fazendo com que os recursos do planeta corram um risco ainda maior.<\/p>\n<p>Portanto, &eacute; crucial que os viajantes sejam educados para serem sens&iacute;veis ao meio ambiente dos lugares que visitam e para entenderem que t&ecirc;m uma grande responsabilidade diante da M&atilde;e Terra. No mundo de hoje, t&atilde;o interligado, o turismo n&atilde;o pode se manter isolado da comunidade. Precisamos agir em conjunto, colocando o interesse coletivo acima do pr&oacute;prio. Como disse Nelson Mandela, &quot;depois de escalar uma grande montanha, se descobre apenas que h&aacute; muitas outras a serem escaladas&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Lakshman Ratnapala &eacute; presidente em&eacute;rito da Pacific Asia Travel Association.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S&atilde;o Francisco, Estados Unidos, 26\/04\/2012 &ndash; &quot;Dentro de 20 anos estar&aacute;s mais decepcionado pelas coisas que n&atilde;o fizestes do que por aquelas que fizestes. Assim, solte as amarras. 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