{"id":9841,"date":"2012-04-26T11:13:48","date_gmt":"2012-04-26T11:13:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9841"},"modified":"2012-04-26T11:13:48","modified_gmt":"2012-04-26T11:13:48","slug":"brasil-um-povo-cercado-por-um-anel-de-ferro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/brasil-um-povo-cercado-por-um-anel-de-ferro\/","title":{"rendered":"BRASIL: Um povo cercado por um anel de ferro"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 26\/04\/2012 &ndash; As 380 fam&iacute;lias da localidade de Piqui&aacute; de Baixo, no Maranh&atilde;o, s&atilde;o obrigadas a conviver com a elevada contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, do ar e do solo, causada pelo vizinho polo sider&uacute;rgico.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9841\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e117-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9841\" class=\"size-medium wp-image-9841\" title=\"A polui&ccedil;&atilde;o das sider&uacute;rgicas prejudica o ar de Piqui&aacute; de Baixo - Gentileza da Associa&ccedil;&atilde;o de Moradores de Piqui&aacute; de Baixo\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e117-300x225.jpg\" alt=\"A polui&ccedil;&atilde;o das sider&uacute;rgicas prejudica o ar de Piqui&aacute; de Baixo - Gentileza da Associa&ccedil;&atilde;o de Moradores de Piqui&aacute; de Baixo\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9841\" class=\"wp-caption-text\">A polui&ccedil;&atilde;o das sider&uacute;rgicas prejudica o ar de Piqui&aacute; de Baixo - Gentileza da Associa&ccedil;&atilde;o de Moradores de Piqui&aacute; de Baixo<\/p><\/div>  O lugar toma seu nome da &aacute;rvore piqui&aacute;, que d&aacute; uma madeira altamente apreciada, mas que se extinguiu na regi&atilde;o, onde est&atilde;o instaladas, h&aacute; 25 anos, cinco usinas sider&uacute;rgicas, lideradas pela Vale, empresa de minera&ccedil;&atilde;o. Atualmente s&atilde;o produzidas nesse lugar 500 mil toneladas de ferro-gusa, mat&eacute;ria-prima do a&ccedil;o, que se obt&eacute;m fundindo em altos fornos carv&atilde;o, calc&aacute;rio e min&eacute;rio de ferro.<\/p>\n<p>O polo de A&ccedil;ail&acirc;ndia, munic&iacute;pio com jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre a &aacute;rea, depende do fortalecimento da atividade das minas de ferro da Vale, cuja produ&ccedil;&atilde;o &eacute; levada aos portos do Atl&acirc;ntico nas proximidades de S&atilde;o Lu&iacute;s, capital do Estado, que fica a 500 quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia. Os moradores da pequena localidade, onde os quintais de suas modestas casas ficam ao lado dos terrenos das grandes f&aacute;bricas, j&aacute; apresentam em sua sa&uacute;de os impactos da contamina&ccedil;&atilde;o e da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental.<\/p>\n<p>Devido &agrave; p&eacute;ssima qualidade do ar que respiram e da &aacute;gua que consomem, mais de 40% dos moradores de Piqui&aacute; de Baixo se queixam de doen&ccedil;as e males respirat&oacute;rios e dos pulm&otilde;es, bem como de les&otilde;es dermatol&oacute;gicas, segundo um estudo do Centro de Refer&ecirc;ncia em Enfermidades Infecciosas e Parasit&aacute;rias, da Universidade Federal do Maranh&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta popula&ccedil;&atilde;o, que reclama sua transfer&ecirc;ncia para um lugar seguro, limpo e distante do polo sider&uacute;rgico, &eacute; formada em sua maioria por agricultores que hoje s&oacute; podem trabalhar a terra a mais de 200 quil&ocirc;metros de suas casas. Este &eacute; um drama que se repete em muitas das cidades com atividade de minera&ccedil;&atilde;o do Brasil, v&aacute;rias delas tamb&eacute;m mobilizadas.<\/p>\n<p>Edvard Dantas Cardeal, de 68 anos, preside a associa&ccedil;&atilde;o dos moradores de Piqui&aacute; de Baixo, afetados pela fuma&ccedil;a e pelos res&iacute;duos gerados pelos 70 fornos de fundi&ccedil;&atilde;o existentes na regi&atilde;o. &quot;Estamos em perigo, pois vivemos ao lado de cinco sider&uacute;rgicas e, al&eacute;m disso, a Vale tem um posto de min&eacute;rio a 300 metros de nossas casas, e todos os dias centenas de toneladas de ferro cruzam nosso povoado durante as 24 horas do dia&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A den&uacute;ncia das prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de vida em Piqui&aacute; de Baixo est&aacute; destacada no Relat&oacute;rio de Insustentabilidade da Vale 2012, apresentado no dia 18 no Rio de Janeiro pela Articula&ccedil;&atilde;o Internacional dos Afetados pela Vale, que re&uacute;ne 30 movimentos sociais de Brasil, Canad&aacute;, Chile, Argentina e Mo&ccedil;ambique, alguns dos pa&iacute;ses onde a empresa atua.<\/p>\n<p>A diretora-executiva da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Justi&ccedil;a Global, Andressa Caldas, afirmou &agrave; IPS que o caso de A&ccedil;ail&acirc;ndia &eacute; emblem&aacute;tico, porque &eacute; uma comunidade assentada h&aacute; mais de 50 anos e que &quot;pede para ser trasladada devido ao grau de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e contamina&ccedil;&atilde;o t&oacute;xica que sofre&quot;.<\/p>\n<p>Concordando com Andressa, Danilo Chammas, advogado dos moradores de Piqui&aacute; de Baixo, observou que o lugar j&aacute; existia quando foi instalado o polo sider&uacute;rgico na regi&atilde;o, h&aacute; 25 anos. Agora, &quot;a conviv&ecirc;ncia se tornou invi&aacute;vel, j&aacute; que a popula&ccedil;&atilde;o respira todos os dias p&oacute; de ferro misturado com carv&atilde;o&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>&quot;O traslado das fam&iacute;lias deveria ter sido feito quando come&ccedil;ou a constru&ccedil;&atilde;o do polo, e ainda hoje esta alternativa &eacute; a &uacute;nica e urgente&quot;, assegurou Chammas &agrave; IPS, acrescentando que exige-se &quot;da Vale um compromisso maior com os moradores e que, efetivamente, forne&ccedil;a recursos para a constru&ccedil;&atilde;o de um novo assentamento longe da contamina&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Segundo o Relat&oacute;rio de Insustentabilidade, a Vale &quot;nega-se a reparar os danos causados a essas pessoas e, por conseguinte, a assumir o custo de reassentar as fam&iacute;lias&quot;. Cardeal tamb&eacute;m aderiu a essa reclama&ccedil;&atilde;o, porque sua comunidade &quot;n&atilde;o pode mais ficar ali, j&aacute; que existe um grande risco de a sa&uacute;de p&uacute;blica degradar ainda mais&quot;. E enfatizou que &quot;n&atilde;o podemos mais, as sider&uacute;rgicas contaminam o rio que cruza a cidade e s&oacute; podemos pedir a Deus para sair deste lugar&quot;.<\/p>\n<p>A IPS confirmou que existe um terreno distante do polo sider&uacute;rgico que foi expropriado em julho de 2011 pelo munic&iacute;pio de A&ccedil;ail&acirc;ndia para reassentar os moradores afetados. Apesar de inicialmente terem existido recursos legais apresentados por seu propriet&aacute;rio, o assunto foi resolvido no dia 20 de mar&ccedil;o pelo Tribunal de Justi&ccedil;a do Maranh&atilde;o.<\/p>\n<p>Cardeal e Chammas viajaram ao Rio de Janeiro tentando um encontro com representantes do cons&oacute;rcio Vale. &quot;Viemos com o esp&iacute;rito de dialogar e para que a empresa aproveite a oportunidade para limpar sua imagem, manchada pelo v&iacute;nculo que tem com as ind&uacute;strias de ferro-gusa, muitas das quais promovem o trabalho escravo e infantil&quot;, denunciou o advogado.<\/p>\n<p>A assessoria de imprensa da Vale n&atilde;o quis comentar o assunto ao ser questionada pela IPS, mas depois divulgou um comunicado em resposta ao Relat&oacute;rio de Insustentabilidade.<\/p>\n<p>&quot;A Vale recebe com respeito todas as sugest&otilde;es e den&uacute;ncias referentes &agrave;s suas opera&ccedil;&otilde;es. Temos consci&ecirc;ncia de que a atividade mineradora provoca impacto e, por isso, trabalhamos em conjunto com as comunidades e os governos para encontrar solu&ccedil;&otilde;es que garantam seguran&ccedil;a &agrave;s pessoas, bem como uma conviv&ecirc;ncia harm&ocirc;nica e saud&aacute;vel&quot;, diz o texto da companhia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 26\/04\/2012 &ndash; As 380 fam&iacute;lias da localidade de Piqui&aacute; de Baixo, no Maranh&atilde;o, s&atilde;o obrigadas a conviver com a elevada contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, do ar e do solo, causada pelo vizinho polo sider&uacute;rgico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/brasil-um-povo-cercado-por-um-anel-de-ferro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5,7],"tags":[27],"class_list":["post-9841","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","category-saude","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9841"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9841\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}