{"id":9848,"date":"2012-04-27T09:38:37","date_gmt":"2012-04-27T09:38:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9848"},"modified":"2012-04-27T09:38:37","modified_gmt":"2012-04-27T09:38:37","slug":"camponesas-brasileiras-aprendem-ecologia-tempestade-aps-tempestade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/camponesas-brasileiras-aprendem-ecologia-tempestade-aps-tempestade\/","title":{"rendered":"Camponesas brasileiras aprendem ecologia tempestade ap&oacute;s tempestade"},"content":{"rendered":"<p>Bonsucesso, Brasil, 27\/04\/2012 &ndash; No cintur&atilde;o verde que constitui a dispensa da cidade do Rio de Janeiro, pequenas produtoras agr&iacute;colas aprendem pr&aacute;ticas ecol&oacute;gicas na medida em que o campo &eacute; castigado pelos impactos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9848\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e118-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9848\" class=\"size-medium wp-image-9848\" title=\"Rosana Nogueira em uma das estufas de sua propriedade, rodeada por alface. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e118-300x225.jpg\" alt=\"Rosana Nogueira em uma das estufas de sua propriedade, rodeada por alface. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9848\" class=\"wp-caption-text\">Rosana Nogueira em uma das estufas de sua propriedade, rodeada por alface. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>  Na regi&atilde;o serrana do Estado do Rio de Janeiro s&atilde;o muitas as mulheres que sobrevivem da pequena agricultura e que, em janeiro de 2011, viram como os vendavais provocaram inunda&ccedil;&otilde;es e deslizamentos que arrasaram praticamente com toda a produ&ccedil;&atilde;o de hortali&ccedil;as e legumes da &aacute;rea.<\/p>\n<p>Os produtores j&aacute; conseguiram normalizar a atividade e o fazem com uma preocupa&ccedil;&atilde;o maior quanto a uma agricultura menos invasiva e melhor adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; nova realidade que entra em suas vidas: a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, disse &agrave; IPS uma delas, Rosana Nogueira, de 38 anos, que dirige uma pequena produ&ccedil;&atilde;o familiar. Os 24 hectares ficam na &aacute;rea de L&uacute;cios, onde vivem cerca de 400 fam&iacute;lias dentro da bacia do Rio Formiga, no distrito rural de Bonsucesso, perto da cidade de Teres&oacute;polis, uma das regi&otilde;es mais afetadas pelas tempestades do ano passado, que deixaram 916 mortos no Estado.<\/p>\n<p>Rosana e sua m&atilde;e, Jandira, de 68 anos, s&atilde;o um exemplo de agricultura de baixo impacto ambiental com prote&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o das margens fluviais e limitada eros&atilde;o do solo, em um manejo que come&ccedil;a a ajudar a mitigar os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica na regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Rebecca Tavares, diretora regional da ONU Mulheres para o Brasil e o Cone Sul, afirmou &agrave; IPS que no pa&iacute;s, como ocorre em termos globais, as mulheres rurais &quot;apresentam contribui&ccedil;&otilde;es vitais para o bem-estar de suas fam&iacute;lias, comunidades e para a economia local e nacional&quot;. Al&eacute;m disso, diante do fen&ocirc;meno da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, elas &quot;t&ecirc;m um papel priorit&aacute;rio na gest&atilde;o ambiental, na produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e na reprodu&ccedil;&atilde;o social&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Os agricultores da bacia do Formiga notam ano a ano o aquecimento global. Os ver&otilde;es se prolongam, suas temperaturas aumentam, as tempestades crescem em n&uacute;mero e intensidade, enquanto, por outro lado, os invernos s&atilde;o ainda mais secos. Tudo isso tem impacto nos ciclos produtivos e no calend&aacute;rio tradicional de semear e colher.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o est&aacute;vamos acostumados a desastres ambientais como o do ano passado. Vivo nesta propriedade desde que nasci, meu pai est&aacute; aqui h&aacute; 73 anos e nunca viu nada igual, nem meu av&ocirc; lhe contou algo semelhante&quot;, enfatizou Rosana Nogueira, recordando que no ano passado sua fam&iacute;lia esteve isolada por 15 dias e passou um m&ecirc;s sem eletricidade. A produ&ccedil;&atilde;o se recuperou no segundo semestre e nos agricultores nasceu uma nova consci&ecirc;ncia, ainda insuficiente, para atender os aspectos ambientais de sua atividade.<\/p>\n<p>&quot;Muitos ainda invadem a floresta para expandir a produ&ccedil;&atilde;o, quando ela &eacute; uma defesa para o clima, mas outros come&ccedil;am a entender&quot;, contou Rosana enquanto percorria sua terra com a IPS, na qual as novas estufas de cultivo, a encosta plantada e o incipiente reflorestamento da margem do rio s&atilde;o uma resposta ao desastre. Em outro ponto em que est&aacute; mudando a mentalidade camponesa &eacute; quanto aos pesticidas. &quot;Acredit&aacute;vamos que para produzir mais era preciso usar muito agrot&oacute;xico, e o pr&oacute;prio produtor se intoxicava quando utilizava o veneno. Agora o produtor j&aacute; quer se ver livre dessas subst&acirc;ncias&quot;, afirmou Rosana.<\/p>\n<p>Ela n&atilde;o tem os dados, mas percebe que na regi&atilde;o h&aacute; cada vez mais produtoras, respons&aacute;veis por pequenas e m&eacute;dias produ&ccedil;&otilde;es. Algumas vezes est&atilde;o sozinhas, em outras os maridos as acompanham, mas t&ecirc;m trabalho assalariado nas cidades vizinhas. Inclusive quando h&aacute; um agricultor &agrave; frente da produ&ccedil;&atilde;o, quase sempre sua mulher trabalha junto, explicou Rosana.<\/p>\n<p>&quot;Cuidamos mais dos detalhes produtivos, somos mais organizadas. Temos maior preocupa&ccedil;&atilde;o com o meio ambiente e somos mais firmes em preserv&aacute;-lo e incorpor&aacute;-lo aos cultivos&quot;, opinou Rosana, que vive na propriedade com o pai, seu marido e seu filho de 12 anos, e esta gr&aacute;vida de seis meses. Todos trabalham com ela. &quot;A mulher tem maior vis&atilde;o do que o homem para o futuro de sua fam&iacute;lia e somos mais abertas para as novidades e o caminho para a agricultura no campo &eacute; de maior sustentabilidade&quot;, continuou, toda convencida.<\/p>\n<p>O desastre clim&aacute;tico de 2011 representou perda de US$ 12 mil para a explora&ccedil;&atilde;o familiar, cerca de 30% da &aacute;rea de cultivo foi danificada e 90% da colheita acabou perdida. A fam&iacute;lia Nogueira produz variadas hortali&ccedil;as e alguns c&iacute;tricos, e teve que usar suas economias para reconstruir as estufas e recuperar os solos. Al&eacute;m disso, Rosana conseguiu US$ 8 mil n&atilde;o reembols&aacute;veis do Programa Rio Rural, da Secretaria de Agricultura do Estado.<\/p>\n<p>O programa administra um fundo de US$ 79 milh&otilde;es, concedido pelo Banco Mundial em 2009, para promover pr&aacute;ticas de desenvolvimento sustent&aacute;vel na zona rural do Estado, com enfoque especial nas mulheres produtoras. &quot;Elas s&atilde;o estrat&eacute;gicas para a sustentabilidade da fam&iacute;lia e das unidades produtivas, e s&atilde;o as mais preocupadas com a seguran&ccedil;a alimentar&quot;, explicou &agrave; IPS a coordenadora t&eacute;cnica do Rio Rural, Helga Hissa. As mulheres rurais tamb&eacute;m atuam com promotoras da conscientiza&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica em seu entorno, destacou.<\/p>\n<p>&quot;Elas conduzem a fam&iacute;lia para pr&aacute;ticas como as hortas ecol&oacute;gicas e introduzem esp&eacute;cies nativas que depois constituem uma pequena floresta em sua unidade produtiva&quot;, apontou Hissa. O programa inclui as bacias hidrogr&aacute;ficas de 59 munic&iacute;pios, onde vivem cerca de 37 mil fam&iacute;lias camponesas. S&atilde;o aproximadamente 150 mil pessoas, que representam 30% da popula&ccedil;&atilde;o rural do Estado e t&ecirc;m como cidade de refer&ecirc;ncia Teres&oacute;polis, a cem quil&ocirc;metros do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Hissa reconhece que o desastre do ano passado sensibilizou muito a popula&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea sobre a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, dentro de um processo em que &quot;a mulher tem um papel articulador, porque &eacute; empreendedora e est&aacute; mais aberta a incorporar novas pr&aacute;ticas&quot;. Rosana contou que &quot;n&atilde;o sab&iacute;amos como recuperar a terra depois da inunda&ccedil;&atilde;o, o solo estava deteriorado. Dentro do programa, fizemos um curso de recupera&ccedil;&atilde;o verde. Nos ensinaram a plantar aveia para recuperar o solo, bem como plantar em curva de n&iacute;vel na terra. Tamb&eacute;m aprendi a fazer horta ecol&oacute;gica e plantar os alimentos para nossa subsist&ecirc;ncia sem usar agrot&oacute;xico&quot;.<\/p>\n<p>Os quatro adultos conseguiram juntos recuperar a vegeta&ccedil;&atilde;o das margens do rio e reflorestar 10% da propriedade, o dobro do que obriga a lei para pequenas propriedades. &quot;Antes, t&iacute;nhamos &aacute;rvores de 40 anos na margem do rio. As &aacute;rvores sustentam o solo e mant&ecirc;m o curso do rio e ajudam com a temperatura&quot;, explicou Jandira Nogueira. &quot;O que falta para muitos produtores &eacute; informa&ccedil;&atilde;o sobre o que acontece com o clima. Se n&atilde;o soubermos, continuaremos sofrendo trag&eacute;dias como a do ano passado&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bonsucesso, Brasil, 27\/04\/2012 &ndash; No cintur&atilde;o verde que constitui a dispensa da cidade do Rio de Janeiro, pequenas produtoras agr&iacute;colas aprendem pr&aacute;ticas ecol&oacute;gicas na medida em que o campo &eacute; castigado pelos impactos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/camponesas-brasileiras-aprendem-ecologia-tempestade-aps-tempestade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27,21,24],"class_list":["post-9848","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9848\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}