{"id":985,"date":"2005-09-09T00:00:00","date_gmt":"2005-09-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=985"},"modified":"2005-09-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-09T00:00:00","slug":"metas-do-milnio-quase-dois-bilhes-sem-gua-em-20-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/metas-do-milnio-quase-dois-bilhes-sem-gua-em-20-anos\/","title":{"rendered":"Metas do Mil&ecirc;nio: Quase dois bilh&otilde;es sem &aacute;gua em 20 anos"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 09\/09\/2005 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas alertou que, se n&atilde;o forem tomadas medidas, dentro de 20 anos 1,8 bilh&atilde;o de pessoas viveram em pa&iacute;ses ou regi&otilde;es com escassez absoluta de &aacute;gua. A C&uacute;pula do Mil&ecirc;nio deveria analisar a possibilidade de estabelecer um tratado internacional que proteja o direito humano &agrave; &aacute;gua, disse Kathryn Mulvey, diretora-executiva da Corporate Accountability Internacional, organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental antes conhecida como Infact. &quot;Que medida a c&uacute;pula pode tomar para garantir que dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o mundial tenha suficiente acesso &agrave; &aacute;gua at&eacute; 2015?&quot;, perguntou, referindo-se &agrave; reuni&atilde;o de chefes de Estado e de governo que acontecer&aacute; na pr&oacute;xima semana na ONU, em Nova York.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;&Eacute; imperativo que nos unamos para proteger o direito humano &agrave; &aacute;gua e para resistir &agrave; mercantiliza&ccedil;&atilde;o de um elemento essencial para a vida humana&quot;, disse Mulvey &agrave; IPS. Deste ponto de vista, a &aacute;gua deveria estar livremente dispon&iacute;vel, mas cada vez mais &eacute; escassa porque grandes empresas convertem sua extra&ccedil;&atilde;o, processamento e distribui&ccedil;&atilde;o em uma ind&uacute;stria de lucro, e assim o pre&ccedil;o aumenta al&eacute;m do alcance dos que dela mais necessitam. A c&uacute;pula, da qual participar&atilde;o mais de 170 l&iacute;deres mundiais, revisar&aacute; os avan&ccedil;os obtidos no cumprimento dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio.<\/p>\n<p> Tais metas foram aprovadas pela Assembl&eacute;ia Geral da ONU em setembro de 2000, em uma inst&acirc;ncia semelhante &agrave; deste m&ecirc;s e tamb&eacute;m na presen&ccedil;a de numerosos mandat&aacute;rios. Por&eacute;m, especialistas alertam que, no ritmo atual, at&eacute; 2015 n&atilde;o ser&aacute; cumprida a maioria dos objetivos, incluindo a redu&ccedil;&atilde;o pela metade da popula&ccedil;&atilde;o pobre a faminta do mundo, a consagra&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria universal e a melhoria dos servi&ccedil;os de &aacute;gua pot&aacute;vel e saneamento. &quot;Em pouco mais de duas d&eacute;cadas, mais de dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o mundial carecer&aacute; de acesso suficiente &agrave; &aacute;gua. Enquanto isso, o fornecimento de &aacute;gua se transforma em uma ind&uacute;stria de US$ 400 bilh&otilde;es e que est&aacute; em crescimento&quot;, afirmou Mulvey.<\/p>\n<p> Mas em lugar de aliviar os problemas de escassez, a ind&uacute;stria da &aacute;gua se caracteriza por inflacionar pre&ccedil;os e outras pr&aacute;ticas de corrup&ccedil;&atilde;o corporativa que jogou cidades e pa&iacute;ses inteiros em crises, afirmou a ativista. Mulvey advertiu que a atual corrente de privatiza&ccedil;&otilde;es, a cargo de empresas com Suez, e a expans&atilde;o do mercado de &aacute;gua engarrafada, nas m&atilde;os de corpora&ccedil;&otilde;es com a Coca-Cola, contribuem para agravar os problemas. Essas grandes companhias atuam amparadas por uma enorme influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica e financeira sobre governos e ag&ecirc;ncias de regulamenta&ccedil;&atilde;o de todo o mundo, assegurou. &quot;Para avan&ccedil;ar rumo &agrave; meta de garantir o acesso da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; &aacute;gua, devemos expor primeiro as a&ccedil;&otilde;es perigosas e irrespons&aacute;veis de empresas como Suez e Coca-Cola&quot;, disse Mulvey.<\/p>\n<p> Roberto Lenton, presidente do Conselho de Colabora&ccedil;&atilde;o para o Fornecimento de &Aacute;gua e Saneamento (WSSCC), disse que o problema da privatiza&ccedil;&atilde;o &eacute; multidimensional. &quot;Mas n&atilde;o chega a ser um grande tema, e n&atilde;o &eacute; um fator significativo&quot; em rela&ccedil;&atilde;o aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, acrescentou. Lenton considerou que o setor privado se envolve, na maioria dos casos, em pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia, n&atilde;o nos mais pobres. &quot;E se forem analisados os investimentos do setor privado em &aacute;gua e saneamento, se ver&aacute; que ca&iacute;ram nos &uacute;ltimos anos por causa dos riscos&quot;, disse Lenton &agrave; IPS. Em uma coluna publicada pelo jornal The New York Times, Tom Standage, autor de &quot;A hist&oacute;ria do mundo em seus copos&quot;, afirmou que a maioria do p&uacute;blico n&atilde;o v&ecirc; diferen&ccedil;a entre a &aacute;gua de torneira e a engarrafada. &quot;Ainda assim, todos a compram, e em grandes quantidades&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p> S&oacute; este ano, os norte-americanos gastar&atilde;o US$ 9,8 bilh&otilde;es em &aacute;gua engarrafada, segundo a Corpora&ccedil;&atilde;o de Marketing de Refrigerantes. &quot;Centavo por centavo, custa mais do que a gasolina, mesmo com os pre&ccedil;os atuais. Dependendo da marca de f&aacute;brica, a &aacute;gua engarrafada custa entre 250 e 100 mil vezes mais do que a de torneira&quot;, afirmou Standage, que &eacute; editor da se&ccedil;&atilde;o de tecnologia da revista brit&acirc;nica The Economist. O secret&aacute;rio-geral de Servi&ccedil;os P&uacute;blicos Internacionais da Fran&ccedil;a, Hans Engelberts, disse que quase todos os especialistas em mat&eacute;ria de &aacute;gua concordam que a experi&ecirc;ncia de privatiza&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; tem 15 anos, n&atilde;o conseguiu facilitar o consumo dos pobres. &quot;Inclusive o Banco Mundial admite regularmente que suas pol&iacute;ticas de privatiza&ccedil;&atilde;o foram um fracasso&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> E o problema n&atilde;o foi os sindicatos, os governos ocidentais, as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais nem os ativistas que protestam. O problema est&aacute; na tentativa de lucrar vendendo o servi&ccedil;o aos mais pobres. &quot;Para dizer o &oacute;bvio, uma caracter&iacute;stica dos pobres &eacute; que n&atilde;o possuem dinheiro. As grandes companhias descobriram que s&atilde;o incapazes de extrair dinheiro suficiente, mesmo com empr&eacute;stimos do Banco Mundial e de governos garantidores&quot;, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 09\/09\/2005 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas alertou que, se n&atilde;o forem tomadas medidas, dentro de 20 anos 1,8 bilh&atilde;o de pessoas viveram em pa&iacute;ses ou regi&otilde;es com escassez absoluta de &aacute;gua. A C&uacute;pula do Mil&ecirc;nio deveria analisar a possibilidade de estabelecer um tratado internacional que proteja o direito humano &agrave; &aacute;gua, disse Kathryn Mulvey, diretora-executiva da Corporate Accountability Internacional, organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental antes conhecida como Infact. &quot;Que medida a c&uacute;pula pode tomar para garantir que dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o mundial tenha suficiente acesso &agrave; &aacute;gua at&eacute; 2015?&quot;, perguntou, referindo-se &agrave; reuni&atilde;o de chefes de Estado e de governo que acontecer&aacute; na pr&oacute;xima semana na ONU, em Nova York.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/metas-do-milnio-quase-dois-bilhes-sem-gua-em-20-anos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-985","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/985","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=985"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/985\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}