{"id":9851,"date":"2012-04-30T09:41:41","date_gmt":"2012-04-30T09:41:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9851"},"modified":"2012-04-30T09:41:41","modified_gmt":"2012-04-30T09:41:41","slug":"obesidade-e-desnutrio-pedem-solues-multidisciplinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/obesidade-e-desnutrio-pedem-solues-multidisciplinar\/","title":{"rendered":"Obesidade e desnutri&ccedil;&atilde;o pedem solu&ccedil;&otilde;es multidisciplinar"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 30\/04\/2012 &ndash; A obesidade e a desnutri&ccedil;&atilde;o que afetam dois bilh&otilde;es de pessoas em todo o mundo superam a compet&ecirc;ncia dos profissionais de sa&uacute;de e exigem uma a&ccedil;&atilde;o integrada de disciplinas e setores governamentais, alertaram conferencistas do Congresso Internacional de Nutri&ccedil;&atilde;o 2012, iniciado no dia 27 e que termina hoje, no Rio de Janeiro. <!--more--> A opini&atilde;o, expressa por um painel que se prop&ocirc;s descobrir os &quot;Desafios do S&eacute;culo 21 para a alimenta&ccedil;&atilde;o e a sa&uacute;de coletiva&quot;, se baseia na nova premissa de que o mundo atravessa uma &quot;crise sist&ecirc;mica&quot;, segundo Renato Maluf, que dirige o Conselho Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar do Brasil.<\/p>\n<p>Essa crise &eacute; econ&ocirc;mica, ambiental e energ&eacute;tica. Por isto &quot;exige respostas interligadas&quot;, desde solu&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas para atuar em situa&ccedil;&otilde;es como alta de pre&ccedil;os dos alimentos at&eacute; interven&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o para promover uma alimenta&ccedil;&atilde;o adequada, ou dos minist&eacute;rios competentes para reduzir o uso de agrot&oacute;xicos que contaminam o que comemos. &quot;Entendemos a sa&uacute;de como desenvolvimento&quot;, destacou Luiz Alberto Facchini, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva, uma das organizadoras do Congresso, junto com a World Public Health Nutrition Association.<\/p>\n<p>Esse conceito compreende temas variados: sistemas alimentares justos e com diversidade, pol&iacute;ticas de nutri&ccedil;&atilde;o, meio ambiente e seguran&ccedil;a alimentar para todos, amea&ccedil;as &agrave; sa&uacute;de, estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o de &ecirc;xito e fortalecimento da nutri&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de p&uacute;blica, todos eles discutidos durante o Congresso.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; inaceit&aacute;vel que 40% da popula&ccedil;&atilde;o mundial vivam abaixo da linha de pobreza&quot;, enfatizou Facchini. O combate &agrave; desigualdade social continua sendo um dos principais desafios para garantir a seguran&ccedil;a alimentar, destacou. &quot;Para reduzir as mortes por obesidade precisamos de regulamenta&ccedil;&otilde;es em publicidade e solu&ccedil;&otilde;es urbanas, com promo&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de lazer para a popula&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou. E estes novos desafios superam os conhecimentos dos nutricionistas.<\/p>\n<p>H&aacute; pol&iacute;ticas pontuais em alguns pa&iacute;ses e muito mais amplas em outros, como nos africanos, disse o gan&ecirc;s Reggie Annan, da International Union of Nutritional Sciences. &quot;O principal desafio &eacute; que n&atilde;o h&aacute; pol&iacute;ticas nutricionais&quot;, apontou Annan, entre outros problemas, como extrema depend&ecirc;ncia dos financiamentos externos para programas alimentares, que, &quot;como todos sabemos, n&atilde;o s&atilde;o duradouros&quot;.<\/p>\n<p>Marion Nestle, da norte-americana Universidade de Nova York, afirmou que os dois principais problemas alimentares s&atilde;o desnutri&ccedil;&atilde;o e obesidade. Cada um afeta um bilh&atilde;o de pessoas em todo o mundo. A especialista em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas estima que para enfrentar a desnutri&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio combater a desigualdade social com medidas que aumentem a renda familiar.<\/p>\n<p>Quanto aos obesos, disse ser preciso &quot;enfrentar as for&ccedil;as pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas poderosas da sociedade&quot;, como as empresas de alimentos que estimulam modelos insalubres de consumo para obter lucro. &quot;N&atilde;o basta dizer vamos comer menos e educar. &Eacute; preciso confrontar as companhias de alimentos&quot;, disse Nestle. Neste aspecto, o Congresso prop&otilde;e discutir leis que pro&iacute;bam publicidade que estimula maus h&aacute;bitos alimentares na inf&acirc;ncia.<\/p>\n<p>Uma das experi&ecirc;ncias apresentadas se refere a uma iniciativa de m&eacute;dicos brit&acirc;nicos que lan&ccedil;aram uma campanha contra as empresas de &quot;comida lixo&quot;. A campanha da Academy of Medical Royal Colleges da Gr&atilde;-Bretanha, que representa cerca de 200 mil profissionais do pa&iacute;s, pediu que se pro&iacute;ba empresas como McDonald&#39;s e Coca-Cola de patrocinar acontecimentos esportivos como os Jogos Ol&iacute;mpicos e a publicidade de alimentos que n&atilde;o s&atilde;o saud&aacute;veis utilizando personagens e desenhos animados.<\/p>\n<p>Maluf afirmou que em termos de dietas saud&aacute;veis se deve voltar aos h&aacute;bitos alimentares pr&oacute;prios da diversidade racial e cultural. Isto significa reconhecer e valorizar os povos origin&aacute;rios, para combater a &quot;homogeneiza&ccedil;&atilde;o&quot; de h&aacute;bitos impostos pelos atuais modelos de consumo mundial, explicou.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), 63% de todas as mortes que ocorrem no mundo s&atilde;o causadas por doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis, e mais de 80% dessas mortes correspondem a pa&iacute;ses em desenvolvimento e economias em transi&ccedil;&atilde;o. Assim, doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas como diabetes, enfermidades cardiovasculares, c&acirc;ncer e obesidade e seus fatores de risco contribuem para a gera&ccedil;&atilde;o e o agravamento da pobreza.<\/p>\n<p>Ao analisar &quot;a cadeia de produ&ccedil;&atilde;o das enfermidades cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis&quot; aparecem quatro fatores de risco que &quot;est&atilde;o intimamente ligados: press&atilde;o alta, glicose sangu&iacute;nea elevada, sobrepeso ou obesidade e colesterol alto&quot;, afirma um documento apresentado pelo Instituto Nacional do C&acirc;ncer do Brasil (Inca). Dados da OMS mostram que 28% de todas as mortes s&atilde;o atribu&iacute;das a esses fatores.<\/p>\n<p>&quot;Empresas que t&ecirc;m por finalidade a venda de produtos, seja qual for sua natureza, t&ecirc;m a miss&atilde;o de maximizar seus lucros, reduzindo custos de produ&ccedil;&atilde;o e ampliando a demanda&quot;, disse F&aacute;bio Gomes, da se&ccedil;&atilde;o do Inca que estuda a preven&ccedil;&atilde;o do c&acirc;ncer a partir de uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. &quot;Quando falamos de alimenta&ccedil;&atilde;o queremos alimentos e &aacute;gua saud&aacute;veis, sem veneno&quot;, destacou Rafael Fern&aacute;ndez, da Funda&ccedil;&atilde;o Fiocruz.<\/p>\n<p>Maluf considerou que, para enfrentar estes assuntos e os determinantes sociais, econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos e ambientais da nutri&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso criar uma organiza&ccedil;&atilde;o mundial de governan&ccedil;a em seguran&ccedil;a alimentar. &quot;A pior heran&ccedil;a do neoliberalismo &eacute; a falta de desenvolvimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e seus instrumentos&quot;, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 30\/04\/2012 &ndash; A obesidade e a desnutri&ccedil;&atilde;o que afetam dois bilh&otilde;es de pessoas em todo o mundo superam a compet&ecirc;ncia dos profissionais de sa&uacute;de e exigem uma a&ccedil;&atilde;o integrada de disciplinas e setores governamentais, alertaram conferencistas do Congresso Internacional de Nutri&ccedil;&atilde;o 2012, iniciado no dia 27 e que termina hoje, no Rio de Janeiro. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/obesidade-e-desnutrio-pedem-solues-multidisciplinar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,4,7],"tags":[21],"class_list":["post-9851","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-saude","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9851","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9851"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9851\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9851"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9851"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9851"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}