{"id":9857,"date":"2012-05-02T10:27:54","date_gmt":"2012-05-02T10:27:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9857"},"modified":"2012-05-02T10:27:54","modified_gmt":"2012-05-02T10:27:54","slug":"destaques-bolvia-incentiva-petroleiras-estrangeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/destaques-bolvia-incentiva-petroleiras-estrangeiras\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Bol&iacute;via incentiva petroleiras estrangeiras"},"content":{"rendered":"<p>LA PAZ, Bol&iacute;via, 02\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Apesar de suas riquezas de hidrocarbonos, nacionalizadas em 2006, a Bol&iacute;via gasta cada vez mais divisas para importar combust&iacute;veis e triplicou os incentivos para as empresas que produzem petr&oacute;leo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9857\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/575_Bolivia_PhotoStock.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9857\" class=\"size-medium wp-image-9857\" title=\"Vista de um po&ccedil;o descoberto pela Repsol em Huacaya, 800 quil&ocirc;metros a sudeste de La Paz. - IPS\/Photostock\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/575_Bolivia_PhotoStock.jpg\" alt=\"Vista de um po&ccedil;o descoberto pela Repsol em Huacaya, 800 quil&ocirc;metros a sudeste de La Paz. - IPS\/Photostock\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9857\" class=\"wp-caption-text\">Vista de um po&ccedil;o descoberto pela Repsol em Huacaya, 800 quil&ocirc;metros a sudeste de La Paz. - IPS\/Photostock<\/p><\/div>  Perto de completar seis anos da nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos hidrocarbonos na Bol&iacute;via, a presen&ccedil;a das empresas estrangeiras vai de vento em popa, enquanto o governo lhes concede incentivos para aumentar a produ&ccedil;&atilde;o do escasso petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>Na mesma semana em que a presidente da Argentina, Cristina Fern&aacute;ndez, anunciava a expropria&ccedil;&atilde;o de 51% das a&ccedil;&otilde;es da empresa petrol&iacute;fera YPF, que estavam em m&atilde;os da corpora&ccedil;&atilde;o europeia Repsol, o governo da Bol&iacute;via baixou um decreto aumentando os incentivos para a produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo de US$ 10 para US$ 40 por barril.<\/p>\n<p>O decreto 1.202 determina que o Tesouro Geral da na&ccedil;&atilde;o emitir&aacute; notas de cr&eacute;dito fiscal de US$ 30 para pagamento de obriga&ccedil;&otilde;es tribut&aacute;rias. Para cada barril de petr&oacute;leo (de 159 litros) que produzirem, as empresas petrol&iacute;feras continuar&atilde;o recebendo US$ 10 em dinheiro e mais uma nota de cr&eacute;dito fiscal para usar como instrumento de pagamento de impostos.<\/p>\n<p>Em um informe divulgado pela estatal de petr&oacute;leo Yacimientos Petrol&iacute;feros Fiscales Bolivianos (YPFB), no dia 19 de abril, seu presidente, Carlos Villegas, justifica o benef&iacute;cio afirmando que &quot;as operadoras n&atilde;o realizaram investimentos significativos para encontrar maiores reservas de petr&oacute;leo&quot;.<\/p>\n<p>O pesquisador Carlos Arze, do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Trabalhista e Agr&aacute;rio, informou que os contratos assinados pelas empresas de petr&oacute;leo com o governo boliviano, depois da nacionaliza&ccedil;&atilde;o de 2006, n&atilde;o inclu&iacute;am cl&aacute;usulas para obrig&aacute;-las a repor reservas.<\/p>\n<p>No dia 1&ordm; de maio de 2006, o presidente Evo Morales determinou a nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos hidrocarbonos e em outubro daquele ano foram assinados novos contratos com empresas privadas, a maioria estrangeiras que atuavam pa&iacute;s, avalizados pelo Congresso. Seis anos depois, essas empresas obt&ecirc;m renda de US$ 824 milh&otilde;es, &quot;e nenhuma deixou a Bol&iacute;via&quot;, disse Arze ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>O analista recordou o coment&aacute;rio de um empres&aacute;rio brasileiro, que ent&atilde;o conclu&iacute;a que seu neg&oacute;cio estaria inclusive mais seguro porque contava com apoio do parlamento. &quot;Se foi uma nacionaliza&ccedil;&atilde;o anti-imperialista, por que n&atilde;o partiram?&quot;, questionou Arze.<\/p>\n<p>Em 2004, o neg&oacute;cio do petr&oacute;leo e do g&aacute;s natural na Bol&iacute;via movimentava US$ 1,172 bilh&atilde;o. As empresas do setor ficavam com 71% (US$ 832 milh&otilde;es), segundo Arze. Os novos contratos mudaram a equa&ccedil;&atilde;o. Agora, os atores privados recebem 27% da renda, enquanto o Estado fica com 73%, por meio de v&aacute;rios impostos, participa&ccedil;&atilde;o e pr&ecirc;mios, explicou Arze. Mas em n&uacute;meros absolutos as quantias das empresas pouco variaram.<\/p>\n<p>Em 2010, o neg&oacute;cio gerou US$ 3,053 bilh&otilde;es, e as petroleiras receberam US$ 824 milh&otilde;es. Se a isto somarmos o incentivo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo, estimado em US$ 6 milh&otilde;es ao ano, chega-se a US$ 830 milh&otilde;es, apenas dois milh&otilde;es abaixo do que obtinham antes da mudan&ccedil;a das regras, detalhou Arze.<\/p>\n<p>Segundo a YPFB, entre 2001 e 2005, o Estado obtinha uma renda anual com petr&oacute;leo de US$ 332 milh&otilde;es. Depois da nacionaliza&ccedil;&atilde;o esse valor subiu a uma m&eacute;dia anual de US$ 2,07 bilh&otilde;es. Nos &uacute;ltimos seis anos, o Estado conseguiu com petr&oacute;leo US$ 12,424 bilh&otilde;es, segundo a YPFB.<\/p>\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s segue aumentando: em 2005 obtinha-se 40,4 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos por dia, e em 2011, 45,06 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos, enquanto a de petr&oacute;leo cai. Em 2005 a Bol&iacute;via produzia 50.035 barris di&aacute;rios, e em 2010, apenas 41.l47 unidades.<\/p>\n<p>At&eacute; junho de 2011, 15 empresas estrangeiras lideradas pela Petrobras conseguiram protocolar contratos na Bol&iacute;via na qualidade de titulares para atividades de explora&ccedil;&atilde;o e prospec&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonos, com prazos de seis a 28 anos, segundo a YPFB.<\/p>\n<p>O professor de economia pol&iacute;tica Julio Alvarado disse ao Terram&eacute;rica que a atual pol&iacute;tica para o petr&oacute;leo estimula o desenvolvimento das empresas estrangeiras para garantir sua perman&ecirc;ncia nos campos produtivos.<\/p>\n<p>Alvarado recordou que o decreto de nacionaliza&ccedil;&atilde;o instru&iacute;a uma auditoria nas empresas transnacionais, mas os informes finais n&atilde;o foram divulgados. Esta prote&ccedil;&atilde;o de dados demonstra uma pol&iacute;tica favor&aacute;vel aos investimentos estrangeiros, apontou.<\/p>\n<p>No entanto, a Bol&iacute;via depende cada vez mais da importa&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel para seu consumo interno. Em 2010, a conta foi de US$ 600 milh&otilde;es, em 2011 chegou a US$ 900 milh&otilde;es e estima-se que este ano ser&aacute; de US$ 1,2 bilh&atilde;o, segundo os dados de Alvarado.<\/p>\n<p>A espanhola Repsol era, em 2010, a segunda empresa estrangeira com maior participa&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o, com 8,7%, bem atr&aacute;s da Petrobras, com 63%. Em mat&eacute;ria de petr&oacute;leo, a Repsol possui opera&ccedil;&otilde;es em um quarto dos blocos e campos e participa em 5% das atividades de explora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na fase de nacionaliza&ccedil;&atilde;o, a compra for&ccedil;ada por parte do Estado de 1,1% da participa&ccedil;&atilde;o espanhola na empresa Andina foi compensada com o pagamento de US$ 6,2 milh&otilde;es em 2007. Em contraste, a nacionaliza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es da norte-americana Amoco na petroleira local Chaco foi alvo de uma demanda da companhia no valor de US$ 233 milh&otilde;es contra o Estado boliviano, segundo Arze.<\/p>\n<p>A Repsol &eacute; a principal encarregada de explorar o g&aacute;s jazida de Margarita, no departamento de Tarija, que tem cerca de dois trilh&otilde;es de p&eacute;s c&uacute;bicos de g&aacute;s e &eacute; a fonte dos oito milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos di&aacute;rios fornecidos ao mercado argentino, volume equivalente ao consumo boliviano por dia.<\/p>\n<p>Em mar&ccedil;o de 2010, a Bol&iacute;via se comprometeu a aumentar esse fornecimento &agrave; Argentina at&eacute; um volume di&aacute;rio de 20 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos, at&eacute; 2017.<\/p>\n<p>A fonte desse g&aacute;s &eacute; o campo Margarita-Huacaya, operado por diferentes empresas. A espanhola participa ali na sociedade de risco compartilhado Repsol YPF &amp; Bolivia SA, que possui 37,5% da explora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Arze acredita que ser&aacute; bom neg&oacute;cio para a Repsol, pois se beneficiar&aacute; do pre&ccedil;o que paga a Argentina, que no primeiro trimestre de 2012 gira em torno de US$ 11 por milh&atilde;o de unidades t&eacute;rmicas brit&acirc;nicas (BTU). O Brasil, que importa tr&ecirc;s vezes o consumo di&aacute;rio boliviano, paga US$ 9 por milh&atilde;o de BTU.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LA PAZ, Bol&iacute;via, 02\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Apesar de suas riquezas de hidrocarbonos, nacionalizadas em 2006, a Bol&iacute;via gasta cada vez mais divisas para importar combust&iacute;veis e triplicou os incentivos para as empresas que produzem petr&oacute;leo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/destaques-bolvia-incentiva-petroleiras-estrangeiras\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,10,11],"tags":[21],"class_list":["post-9857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9857\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}