{"id":9862,"date":"2012-05-02T10:46:37","date_gmt":"2012-05-02T10:46:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9862"},"modified":"2012-05-02T10:46:37","modified_gmt":"2012-05-02T10:46:37","slug":"o-campo-brasileiro-renasce-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/o-campo-brasileiro-renasce-na-cidade\/","title":{"rendered":"O campo brasileiro renasce na cidade"},"content":{"rendered":"<p>Nova Igua&ccedil;u, Brasil, 02\/05\/2012 &ndash; Comprar verduras no mercado deixou de ser uma realidade para um grupo de mulheres que aprenderam a extrair os frutos da terra das entranhas da cidade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9862\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e3-225x300.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9862\" class=\"size-medium wp-image-9862\" title=\"A cooperativista Rosin&eacute;ia Soares mostra as berinjelas que crescem em sua horta do Parque Genesiano da Luz. - Fabiana Frayssinet\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e3-225x300.jpg\" alt=\"A cooperativista Rosin&eacute;ia Soares mostra as berinjelas que crescem em sua horta do Parque Genesiano da Luz. - Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9862\" class=\"wp-caption-text\">A cooperativista Rosin&eacute;ia Soares mostra as berinjelas que crescem em sua horta do Parque Genesiano da Luz. - Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>  A agroecologia urbana est&aacute; come&ccedil;ando a se estender pelo Brasil, na medida em que mais popula&ccedil;&atilde;o deixa de ser rural. A terra n&atilde;o &eacute; f&eacute;rtil, como a da regi&atilde;o serrana do Estado do Rio de Janeiro que abastece os mercados da cidade, e o clima, talvez, seja muito quente para as verduras e os legumes crescerem sem traumas nem pragas.<\/p>\n<p>Entretanto, as mulheres do Parque Genesiano da Luz &#8211; um dos bairros mais pobres do munic&iacute;pio de Nova Igua&ccedil;u, 40 quil&ocirc;metros ao norte da cidade do Rio de Janeiro &#8211; agora podem dizer com orgulho que comem o que plantam. O restante da produ&ccedil;&atilde;o, cerca de 70%, &eacute; vendido pela cooperativa que criaram, a Univerde, integrada por 22 fam&iacute;lias que destinam 5% de sua renda para seu funcionamento. A produ&ccedil;&atilde;o &eacute; individual, mas na comercializa&ccedil;&atilde;o e em outras atividades tudo &eacute; coletivo.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; maravilhoso ver sua produ&ccedil;&atilde;o na horta, levar tudo fresquinho para casa e dar algo saud&aacute;vel para seus filhos. Tanto que, quando chega a &eacute;poca em que a produ&ccedil;&atilde;o escasseia, n&atilde;o compramos fora porque hoje temos consci&ecirc;ncia de que os produtos convencionais t&ecirc;m muito veneno. J&aacute; n&atilde;o posso comer isso&quot;, contou &agrave; IPS Joyce da Silva, uma das integrantes da cooperativa.<\/p>\n<p>As hortas, de aproximadamente mil metros quadrados cada uma, est&atilde;o em terrenos que eram espa&ccedil;o urbano n&atilde;o aproveitado. Debaixo deles passam dutos da Petrobras, que financiou o projeto em seu in&iacute;cio, em 2007. Quando acabou o financiamento, muitas das mais de 50 fam&iacute;lias participantes abandonaram a iniciativa por falta de recursos.<\/p>\n<p>Mas um grupo de mulheres decidiu seguir contra o vento e a mar&eacute;: n&atilde;o tinham recursos, ferramentas nem transporte, por exemplo, para levar as sementes e distribuir os produtos nas feiras onde os vendem. No entanto, decidiram que n&atilde;o renunciariam &agrave; independ&ecirc;ncia conquistada. &quot;Antes da cooperativa, s&oacute; cuidava da casa. Depois, passei a ter minha independ&ecirc;ncia econ&ocirc;mica. Outra independ&ecirc;ncia &eacute; a sa&uacute;de que conquistei para minha fam&iacute;lia. E tamb&eacute;m a melhoria de vida. minha casa melhorou&quot;, explicou Joyce.<\/p>\n<p>O Programa de Agricultura Urbana, que agora d&aacute; assist&ecirc;ncia a estas mulheres, foi criado em 1999 e ampliado para a atividade periurbana em 2011 pela AS-PTA (Assessoria e Servi&ccedil;os a Projetos em Agricultura Alternativa) &#8211; Agricultura Familiar e Agroecologia, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental que promove este tipo de produ&ccedil;&atilde;o familiar e agroecol&oacute;gica. Este Programa busca aumentar a gera&ccedil;&atilde;o de renda de agricultores familiares periurbanos na regi&atilde;o metropolitana do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O Programa possui um total de 650 beneficiados em comunidades pobres situadas tamb&eacute;m nos munic&iacute;pios de Queimados, Mag&eacute; e Rio de Janeiro. Esses agricultores n&atilde;o usam produtos qu&iacute;micos. Tanto os adubos como os pesticidas s&atilde;o caseiros e n&atilde;o t&oacute;xicos. A maioria dos alimentos consumidos na cidade chega de longe e tem os custos adicionais do transporte, que os encarecem, explicou &agrave; IPS o coordenador do Programa, M&aacute;rcio Mattos de Mendon&ccedil;a. &quot;As pessoas que vivem nas comunidades necessitam do alimento pr&oacute;ximo. Muitas vezes as hortali&ccedil;as ficam fora do card&aacute;pio e s&atilde;o priorizados outros alimentos que n&atilde;o s&atilde;o saud&aacute;veis&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Seguindo uma tend&ecirc;ncia demogr&aacute;fica mundial, a popula&ccedil;&atilde;o do Brasil, superior a 192 milh&otilde;es de habitantes, &eacute; cada vez mais urbana. Em 2000, 81% dos brasileiros viviam em cidades, e dez anos depois esta propor&ccedil;&atilde;o subiu para 84,35%, segundo o censo de 2010. A urbaniza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sufocou apenas a voca&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola herdada ancestralmente, segundo Mendon&ccedil;a. Em muitos locais urbanos pobres, como as favelas, se manteve o costume de plantar verduras e ervas medicinais e de criar pequenos animais, como porcos, cabras e aves.<\/p>\n<p>Aldeni Fausto, que sempre cultivou hortali&ccedil;as no terreno de sua casa, &eacute; herdeira desse passado que hoje reproduz com &ecirc;xito na cidade. &quot;Conviver com a natureza &eacute; o que mais gosto. Esse prazer de plantar, colher e se alimentar, trazendo de novo a origem de nossa fam&iacute;lia e ensinando isso aos nossos filhos, isto &eacute; muito importante para n&atilde;o esquecer nossa hist&oacute;ria&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>Para Aldeni, agora presidente da cooperativa, esse distanciamento do migrante de sua terra trouxe como consequ&ecirc;ncia &quot;o aumento de doen&ccedil;as, o desequil&iacute;brio da natureza, o desajuste financeiro, porque essa gente n&atilde;o tem o que comer nem interesse em produzir, e por isso sentir&aacute; a falta de alimentos&quot;. Contudo, &quot;se plantar um pouco em cada peda&ccedil;o, n&atilde;o passar&aacute; por essa dificuldade&quot;, destacou Fausto. Joyce da Silva olha por outro lado. &quot;Nunca imaginei ter comida em plena cidade. Este era um lugar que n&atilde;o tinha nem mercado. E &agrave;s vezes n&atilde;o t&iacute;nhamos dinheiro para ir comprar em outros lugares&quot;, contou.<\/p>\n<p>A visita &agrave; cooperativa foi uma das atividades de campo realizadas pelo World Nutrition Rio 2012 (Congresso Internacional de Nutri&ccedil;&atilde;o), realizado no Rio de Janeiro, entre 27 e 30 de abril, pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva e a World Public Health Nutrition Association. O Congresso discutiu, entre outros temas, as pr&aacute;ticas para uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel, os recursos do planeta e a valoriza&ccedil;&atilde;o dos sistemas alimentares tradicionais, tr&ecirc;s eixos que sustentam a atividade da cooperativa Univerde.<\/p>\n<p>Joyce contou que sua fam&iacute;lia tinha diversos problemas de sa&uacute;de vinculados a uma alimenta&ccedil;&atilde;o que, agora, com seus conhecimentos, entende como nociva. Sua filha sofria de anemia. &quot;Mesmo sendo morena como eu, parecia amarelinha e era muito fraca. E com a alimenta&ccedil;&atilde;o agora tem boa sa&uacute;de, tem a pele boa, os l&aacute;bios e as bochechas vermelhos, e isso foi o melhor para mim&quot;, comemorou.<\/p>\n<p>Fausto tamb&eacute;m notou melhora na qualidade de sua vida. &quot;Embora n&atilde;o pare&ccedil;a, antes era obesa. Tive uma mudan&ccedil;a f&iacute;sica em minha sa&uacute;de, na alimenta&ccedil;&atilde;o dos meus filhos. Minha mente est&aacute; mais aberta e consegui o equil&iacute;brio&quot;, conta, livre das consequ&ecirc;ncias da obesidade, como problemas de coluna e hipertens&atilde;o.<\/p>\n<p>O caminho escolhido n&atilde;o &eacute; o f&aacute;cil. Sem apoio forte de recursos financeiros, como o do passado, a sustentabilidade da cooperativa sempre est&aacute; em xeque. Dos mais de 50 terrenos dispon&iacute;veis para a agricultura em Nova Igua&ccedil;u, apenas 22 s&atilde;o usados, observou uma das visitantes do Congresso, a estudante do &uacute;ltimo ano de nutri&ccedil;&atilde;o, Ang&eacute;lica Siqueira, do N&uacute;cleo de Economia Alternativa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>&quot;Ainda h&aacute; um grande preconceito de que o campo &eacute; pobre&quot;, argumentou Ang&eacute;lica, cuja equipe tenta aplicar a experi&ecirc;ncia de agriculturas urbanas e periurbanas em assentamentos de seu Estado, por meio da Incubadora Tecnol&oacute;gica de Cooperativas Populares. A esperan&ccedil;a das cooperativas &eacute; que agora, com um certificado oficial, poder&atilde;o vender seus produtos para o Programa de Merenda Escolar do governo federal, que incentiva a compra de alimentos origin&aacute;rios da agricultura familiar por parte da rede p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Antes n&atilde;o sab&iacute;amos administrar uma empresa e agora administramos nossa pr&oacute;pria cooperativa&quot;, destacou Fausto, convencida de continuar praticando a agricultura na cidade. &quot;&Eacute; uma terapia. Uma plantinha te devolve gratid&atilde;o e amor&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova Igua&ccedil;u, Brasil, 02\/05\/2012 &ndash; Comprar verduras no mercado deixou de ser uma realidade para um grupo de mulheres que aprenderam a extrair os frutos da terra das entranhas da cidade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/o-campo-brasileiro-renasce-na-cidade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,7],"tags":[27,21],"class_list":["post-9862","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-saude","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9862\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}