{"id":9880,"date":"2012-05-04T11:18:34","date_gmt":"2012-05-04T11:18:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9880"},"modified":"2012-05-04T11:18:34","modified_gmt":"2012-05-04T11:18:34","slug":"argentina-nasce-escola-sem-discriminao-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/argentina-nasce-escola-sem-discriminao-sexual\/","title":{"rendered":"ARGENTINA: Nasce escola sem discrimina&ccedil;&atilde;o sexual"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 04\/05\/2012 &ndash; Com 35 matr&iacute;culas, come&ccedil;ou a funcionar em mar&ccedil;o, na capital argentina, o primeiro centro de ensino secund&aacute;rio que convoca particularmente travestis e outras minorias sexuais discriminadas pela escola tradicional.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9880\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e12-300x168.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9880\" class=\"size-medium wp-image-9880\" title=\"Estudantes da nova escola secund&aacute;ria dirigida a minorias sexuais. - Cortesia Bachillerato Popular Mocha Celis\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e12-300x168.jpg\" alt=\"Estudantes da nova escola secund&aacute;ria dirigida a minorias sexuais. - Cortesia Bachillerato Popular Mocha Celis\" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9880\" class=\"wp-caption-text\">Estudantes da nova escola secund&aacute;ria dirigida a minorias sexuais. - Cortesia Bachillerato Popular Mocha Celis<\/p><\/div>  Bachillerato Popular Mocha Celis &eacute; o nome desta escola gratuita mantida por organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos e dirigida para maiores de 16 anos dos coletivos de travestis, transexuais e transg&ecirc;neros, &quot;sem ser excludente&quot;.<\/p>\n<p>O nome &eacute; homenagem a uma travesti analfabeta que se dedicava &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o e que, ap&oacute;s ficar desaparecida uma semana, foi encontrada sem vida, com sinais de viol&ecirc;ncia e um tiro na cabe&ccedil;a. As suspeitas recaem sobre um membro da Pol&iacute;cia Federal que havia amea&ccedil;ado a tamb&eacute;m ativista da n&atilde;o governamental Associa&ccedil;&atilde;o de Travestis Argentinas. Em conversa com a IPS, Francisco Qui&ntilde;ones, coordenador do centro de ensino secund&aacute;rio, explicou que a ideia &quot;&eacute; criar uma escola inclusiva, livre de discrimina&ccedil;&atilde;o, que leve em conta e valorize as diferentes identidades trans, e onde consigam terminar o curso secund&aacute;rio&quot;.<\/p>\n<p>Qui&ntilde;ones acrescentou que &quot;as escolas p&uacute;blicas, heteronormativas e bin&aacute;rias, expulsam essas pessoas&quot;, que acabam abandonando os estudos em porcentagens muito superiores ao restante pelo medo da discrimina&ccedil;&atilde;o, que chega inclusive &agrave; viol&ecirc;ncia f&iacute;sica. Na nova escola h&aacute; travestis que sofreram esse calv&aacute;rio, que na adolesc&ecirc;ncia eram obrigadas a usar banheiros masculinos, onde sofriam maus tratos f&iacute;sicos, contou. &quot;Algumas n&atilde;o iam ao banheiro por medo&quot;, destacou. Por isso, para muitos travestis a escola Mocha Celis &eacute; uma iniciativa muito bem-vinda.<\/p>\n<p>&quot;Para mim &eacute; como uma porta para o mundo&quot;, disse Laura Barrionuevo, de 29 anos, que precisou abandonar o secund&aacute;rio t&eacute;cnico quando tinha 15 anos. &quot;Eu sou de Ituzaing&oacute;, prov&iacute;ncia de Corrientes. Quando comecei a ser travesti, houve um tsunami na escola e na cidade e tive que partir. Maior, frequentei outras escolas, mas sentia que me viam como um monstro&quot;, contou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Laura vive agora a 35 quil&ocirc;metros da escola em um quarto alugado em Ezeiza, na prov&iacute;ncia de Buenos Aires perto da capital argentina. Viaja quase seis horas para ir e voltar da escola onde assiste aulas de segunda-feira a quinta-feira, mas &quot;est&aacute; feliz&quot;, garantiu. Gosta de costurar, e junto com outras estudantes j&aacute; pensa em economizar para comprar m&aacute;quinas, linhas e fabricar suas pr&oacute;prias pe&ccedil;as. &quot;N&atilde;o nasci para ficar parada na rua, se eu fosse disso teria me enchido de ouro&quot;, disse, referindo-se &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Uma vez que o centro seja reconhecido pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o do governo da cidade de Buenos Aires, um tr&acirc;mite que est&aacute; demorando al&eacute;m da conta segundo Qui&ntilde;ones, os estudantes poder&atilde;o sair em tr&ecirc;s anos com o diploma de &quot;perito auxiliar em desenvolvimento de comunidades&quot;. Esta forma&ccedil;&atilde;o os prepara para serem l&iacute;deres em comunidades ou formar cooperativas. Al&eacute;m disso, com o reconhecimento oficial, o diploma os habilitar&aacute; a continuar estudando. &quot;Gosto de radiologia e tamb&eacute;m de jornalismo&quot;, indicou Laura.<\/p>\n<p>A escola funciona em um local cedido pela Associa&ccedil;&atilde;o Mutual Sentimento e foi inscrita na Funda&ccedil;&atilde;o Diversidade Divino Tesouro. As aulas s&atilde;o dadas por 25 professores, que tamb&eacute;m contribu&iacute;ram para preparar o lugar. Como emblema da institui&ccedil;&atilde;o foi escolhida a imagem de Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888), ex-presidente e grande incentivador da escola p&uacute;blica no come&ccedil;o da vida independente da Argentina. Mas seu rosto sofreu uma interven&ccedil;&atilde;o: est&aacute; com uma peruca ruiva e os l&aacute;bios rosados.<\/p>\n<p>A aula de primeiro ano tem as carteiras dispostas em c&iacute;rculo, voltadas para o professor. &quot;Aqui, os conhecimentos dos estudantes s&atilde;o t&atilde;o v&aacute;lidos quanto os dos professores&quot;, explicou Qui&ntilde;ones. Os planos de estudo s&atilde;o iguais ao da escola secund&aacute;ria convencional para adultos, mas com &quot;um olhar mais amplo&quot;, detalhou o coordenador. H&aacute; algumas mat&eacute;rias adicionais, como cooperativismo ou mem&oacute;ria trans, que repassam o ativismo deste grupo.<\/p>\n<p>A iniciativa surgiu do diagn&oacute;stico feito pelo livro La Gesta do Nombre Propio, publicado em 2005, com dados arrepiantes sobre marginaliza&ccedil;&atilde;o. O texto cont&eacute;m uma pesquisa mostrando que 64% dos travestis ouvidos n&atilde;o terminaram o ensino prim&aacute;rio. E do total dos que haviam conclu&iacute;do esse ciclo, apenas 20% se formaram no secund&aacute;rio. Esta falta de instru&ccedil;&atilde;o deixa este coletivo &agrave; margem dos empregos de qualidade e empurra a maioria (79%) para a prostitui&ccedil;&atilde;o como fonte principal de renda.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra ainda que apenas 11% dos travestis entrevistados estudavam e mais de 70% desejam poder estudar, mas n&atilde;o estavam dispostos a dissimular ou negar sua verdadeira identidade sexual. O ac&uacute;mulo de discrimina&ccedil;&otilde;es que enfrentam estas minorias leva muitos de seus integrantes a perderem a vida muito jovens. O informe indicava que do total de travestis mortos, em sua grande maioria devido &agrave; aids ou por homic&iacute;dio, 69% tinha menos de 41 anos.<\/p>\n<p>De todo modo, a ideia n&atilde;o &eacute; limitar o espa&ccedil;o delas. &quot;Do total de 35 matriculados na Mocha Celis, dez n&atilde;o t&ecirc;m identidades trans, mas s&atilde;o pessoas que vivem na rua ou muito pobres e que se sentem exclu&iacute;das da escola tradicional&quot;, disse Qui&ntilde;ones. &quot;Embora os alertemos que ter&atilde;o que passar em mat&eacute;rias como mem&oacute;ria trans, nos dizem que para eles n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil encontrar um lugar receptivo e livre de discrimina&ccedil;&atilde;o onde possam terminar o secund&aacute;rio, e por isso querem estudar na Mocha Celis&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 04\/05\/2012 &ndash; Com 35 matr&iacute;culas, come&ccedil;ou a funcionar em mar&ccedil;o, na capital argentina, o primeiro centro de ensino secund&aacute;rio que convoca particularmente travestis e outras minorias sexuais discriminadas pela escola tradicional. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/argentina-nasce-escola-sem-discriminao-sexual\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6],"tags":[21,24],"class_list":["post-9880","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}