{"id":9891,"date":"2012-05-08T11:42:32","date_gmt":"2012-05-08T11:42:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9891"},"modified":"2012-05-08T11:42:32","modified_gmt":"2012-05-08T11:42:32","slug":"reportagem-olhar-argentino-sobre-o-decrescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/reportagem-olhar-argentino-sobre-o-decrescimento\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Olhar argentino sobre o decrescimento"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 08\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).-  A teoria do decrescimento, que questiona a validade do desenvolvimento sustent&aacute;vel, &eacute; vista com outros olhos na Argentina.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9891\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100694-20120508.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9891\" class=\"size-medium wp-image-9891\" title=\"Povoado minerador fantasma em Coahuila, M&eacute;xico - Mauricio Ramos\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100694-20120508.jpg\" alt=\"Povoado minerador fantasma em Coahuila, M&eacute;xico - Mauricio Ramos\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9891\" class=\"wp-caption-text\">Povoado minerador fantasma em Coahuila, M&eacute;xico - Mauricio Ramos\/IPS<\/p><\/div>  A ideia revulsiva do decrescimento econ&ocirc;mico tem escassos seguidores em uma regi&atilde;o como a Am&eacute;rica Latina. Mas h&aacute; aqueles que na Argentina aderem ao debate internacional sobre um modo de vida que n&atilde;o tenha como meta o aumento do produto interno bruto (PIB).<\/p>\n<p>Neste pa&iacute;s, como em outros da regi&atilde;o, o ponto de vista se diferencia do sustentado por acad&ecirc;micos e organiza&ccedil;&otilde;es sociais do mundo industrializado, segundo fontes consultadas pelo Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>A ang&uacute;stia por uma crise mundial sist&ecirc;mica e com v&aacute;rias dimens&otilde;es &#8211; ambiental, econ&ocirc;mica, energ&eacute;tica &#8211; ser&aacute; colocada sobre a mesa na Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), que acontecer&aacute; entre 20 e 22 de junho no Rio de Janeiro. Para os defensores do decrescimento, n&atilde;o parece que o desenvolvimento sustent&aacute;vel &quot;possa evitar o colapso ecol&oacute;gico nem melhorar a justi&ccedil;a social&quot;, que eram as metas propostas h&aacute; 20 anos na C&uacute;pula da Terra de 1992, tamb&eacute;m realizada no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Busca-se, ent&atilde;o, avivar as discuss&otilde;es na confer&ecirc;ncia internacional Decrescimento nas Am&eacute;ricas, que acontecer&aacute; entre 13 e 19 deste m&ecirc;s, na cidade canadense de Montreal, e que ser&aacute; o terceiro f&oacute;rum deste tipo, depois dos encontros em Paris e Barcelona, em 2008 e 2010, respectivamente.<\/p>\n<p>Um dos ide&oacute;logos desta corrente, o fil&oacute;sofo e economista franc&ecirc;s Serge Latouche, prop&otilde;e que &quot;o decrescimento tenha, sobretudo, como insistir fortemente em abandonar o objetivo do crescimento pelo crescimento&quot;. A rigor, &quot;seria mais conveniente falar de &#39;acrescimento&#39;, tal com falamos de ate&iacute;smo&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Seus partid&aacute;rios prop&otilde;em uma redu&ccedil;&atilde;o controlada e racional do consumo e da produ&ccedil;&atilde;o, permitindo respeitar o clima, os ecossistemas e os pr&oacute;prios seres humanos. Por&eacute;m, Serge esclarece que n&atilde;o se trata de uma alternativa concreta, mas de uma &quot;matriz que daria lugar &agrave; eclos&atilde;o de m&uacute;ltiplas alternativas. Evidentemente, qualquer proposta concreta ou contraproposta &eacute; ao mesmo tempo necess&aacute;ria e problem&aacute;tica&quot;.<\/p>\n<p>Na Argentina &quot;o decrescimento n&atilde;o aparece na imprensa nem integra os programas acad&ecirc;micos de economia pol&iacute;tica. No entanto, existe, sobretudo agora, com vistas &agrave; Rio+20&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o doutor em ci&ecirc;ncias sociais Julio Gambina. Na Am&eacute;rica Latina, &quot;onde o crescimento econ&ocirc;mico foi endeusado nos anos 1990, o decrescimento &eacute; mal visto&quot;, admitiu Julio, professor de economia pol&iacute;tica na Universidade Nacional de Ros&aacute;rio e presidente da Funda&ccedil;&atilde;o de Pesquisas Sociais e Pol&iacute;ticas.Em sua opini&atilde;o, &quot;o que se deve discutir melhor &eacute; como crescer&quot;.<\/p>\n<p>Nesta regi&atilde;o, v&aacute;rios pa&iacute;ses conseguem manter seu PIB com base em &quot;um modelo produtivo extrativista&quot;, que cresce em volume, mas &agrave;s custas do usufruto intensivo de recursos naturais que v&atilde;o se esgotando, observou Julio. Por exemplo, a minera&ccedil;&atilde;o em grande escala, que utiliza cianureto e causa um grande impacto ambiental, ou a expans&atilde;o da monocultura de soja para exporta&ccedil;&atilde;o, &agrave; custa de uma produ&ccedil;&atilde;o rural diversa, apontou.<\/p>\n<p>O soci&oacute;logo citou o caso do Brasil, onde movimentos filiados &agrave; rede internacional Via Campesina questionam esse modelo e prop&otilde;em recuperar a cultura produtiva dos povos origin&aacute;rios, mais amig&aacute;vel com os recursos naturais. Entretanto, estes grupos &quot;n&atilde;o se tornam vis&iacute;veis&quot;, ponderou. Nestes pa&iacute;ses, acrescentou, n&atilde;o existe um balan&ccedil;o generalizado que resista ao crescimento. Pelo contr&aacute;rio, &quot;o decrescimento &eacute; associado majoritariamente a economias que est&atilde;o em crise&quot;, como as europeias, destacou.<\/p>\n<p>A estat&iacute;stica Mar&iacute;a Elena Saludas, coordenadora nacional da Associa&ccedil;&atilde;o por uma Taxa sobre Transa&ccedil;&otilde;es Financeiras Especulativas de Ajuda ao Cidad&atilde;o (Attac), recordou que &quot;o debate sobre a impossibilidade de continuar com um crescimento econ&ocirc;mico infinito no contexto de um planeta finito vem desde a d&eacute;cada de 1960&quot;.<\/p>\n<p>A concep&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento sustent&aacute;vel, que come&ccedil;ou a ser promovido fortemente na C&uacute;pula da Terra de 1992, n&atilde;o questiona a estrutura de poder mundial, nem o sistema capitalista cujo leitmotiv &eacute; o lucro, afirmou.<\/p>\n<p>Tampouco o far&aacute;, acredita Mar&iacute;a Elena, a &quot;economia verde&quot;, muito promovida a partir da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), que convocou a Rio+20. &quot;O que devemos debater &eacute; que este modelo econ&ocirc;mico n&atilde;o pode se sustentar&quot;, afirmou, questionando a expans&atilde;o de monoculturas e a grande depend&ecirc;ncia das economias latino-americanas da exporta&ccedil;&atilde;o de produtos prim&aacute;rios. Tamb&eacute;m apontou para os limites &agrave; expans&atilde;o da ind&uacute;stria automobil&iacute;stica, por exemplo, na Argentina e no Brasil. &quot;Carros para todos n&atilde;o parece sustent&aacute;vel, temos que partir para um transporte eficiente e coletivo&quot;, ressaltou Mar&iacute;a Elena. Em sua opini&atilde;o, o atual crescimento do PIB latino-americano gera &quot;uma extrema desigualdade&quot; entre ricos e pobres. Os setores que est&atilde;o na base da pir&acirc;mide &quot;apenas sobrevivem&quot;. E, alertou, &quot;n&atilde;o podemos dizer-lhes que n&atilde;o podem crescer&quot;.<\/p>\n<p>Mar&iacute;a Elena prefere destacar experi&ecirc;ncias como a da Bol&iacute;via, onde um movimento de povos origin&aacute;rios apela para o bem viver, em harmonia com a natureza e n&atilde;o &agrave;s custas dos recursos naturais, nem das pessoas. &quot;A teoria (do decrescimento) me entusiasma, mas n&atilde;o se trata de uma proposta de mudan&ccedil;a individual de comportamento, mas de cada comunidade encontrar a maneira de experimentar esta forma de vida&quot;, explicou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Julio p&ocirc;s reparos a um debate que, tal com est&aacute; proposto, n&atilde;o consegue somar adeptos. &quot;Se a discuss&atilde;o pelo decrescimento vai ganhar maior volume, &eacute; algo que ainda precisamos ver. H&aacute; grupos que pressionam por um desenvolvimento diferente, que questionam o modelo produtivo imperante, mas n&atilde;o t&ecirc;m um ambiente cultural favor&aacute;vel&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Julio insiste em dizer que a ideia do crescimento &quot;subsiste como ideologia de consenso, e, por isto, o debate do decrescimento est&aacute; longe de ser um assunto hegem&ocirc;nico&quot; na regi&atilde;o. A seu ver, n&atilde;o se trata de &quot;decrescer&quot;, mas &quot;crescer de outra maneira&quot;. &quot;&Eacute; preciso privilegiar a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola familiar, produzir e distribuir localmente&quot; e tamb&eacute;m questionar a forma dominante de medir o desenvolvimento por meio do PIB, detalhou.<\/p>\n<p>&quot;O PIB s&oacute; conta o que &eacute; criado, deixa de lado o que &eacute; destru&iacute;do&quot;, advertiu Julio. &quot;Talvez, o PIB possa baixar, como em Cuba ou na Venezuela, mas melhorar&aacute; a qualidade de vida ou a distribui&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o necessariamente a qualidade social se compadece com o crescimento econ&ocirc;mico&quot;, concluiu.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 08\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).-  A teoria do decrescimento, que questiona a validade do desenvolvimento sustent&aacute;vel, &eacute; vista com outros olhos na Argentina. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/reportagem-olhar-argentino-sobre-o-decrescimento\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[18,21],"class_list":["post-9891","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9891\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}