{"id":9904,"date":"2012-05-09T11:56:51","date_gmt":"2012-05-09T11:56:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9904"},"modified":"2012-05-09T11:56:51","modified_gmt":"2012-05-09T11:56:51","slug":"mulheres-invisveis-na-birmnia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/direitos-humanos\/mulheres-invisveis-na-birmnia\/","title":{"rendered":"Mulheres invis&iacute;veis na Birm&acirc;nia"},"content":{"rendered":"<p>Rangun, Birm&acirc;nia, 09\/05\/2012 &ndash; A ativista pr&oacute;-democr&aacute;tica Aung San Suu Kyi &eacute; um &iacute;cone na Birm&acirc;nia, mas sua situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; longe de ser a da maioria das mulheres deste pa&iacute;s de tradi&ccedil;&atilde;o budista e governado por um regime militar h&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas. <!--more--> &quot;Sua imagem sugere que h&aacute; espa&ccedil;o para as mulheres&quot;, observou Ma Thida, cirurgi&atilde; e diretora do seman&aacute;rio Myanmar Independent, publicado em Rangun. &quot;&Eacute; um grande exemplo para as birmanesas&quot;, disse &agrave; IPS. Myanmar &eacute; o nome dado pela junta governante &agrave; Birm&acirc;nia.<\/p>\n<p>Ma Thida foi condenada a 20 anos de pris&atilde;o em 1993, por &quot;colocar em perigo a paz p&uacute;blica, manter contato com organiza&ccedil;&otilde;es ilegais e distribuir panfletos il&iacute;citos&quot;, segundo afirma a senten&ccedil;a. Foi libertada cinco anos depois. &quot;A situa&ccedil;&atilde;o geral parece melhor do que h&aacute; dois ou tr&ecirc;s anos, mas est&aacute; longe de ser ideal&quot;, indicou a m&eacute;dica, uma das milhares de mulheres que contribu&iacute;ram para promover mudan&ccedil;as a favor de um regime democr&aacute;tico na Birm&acirc;nia.<\/p>\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o de Assist&ecirc;ncia a Presos Pol&iacute;ticos, criada por ex-presos exilados, declarou que h&aacute; 18 mulheres entre as 473 pessoas nessa situa&ccedil;&atilde;o. A organiza&ccedil;&atilde;o fica na cidade tailandesa de Mae Sot, na fronteira com a Birm&acirc;nia, pa&iacute;s este que ratificou a Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o Contra a Mulher (Cedaw), mas cuja Constitui&ccedil;&atilde;o de 2008 n&atilde;o a contempla totalmente.<\/p>\n<p>&quot;Atualmente, n&atilde;o podemos falar nem discutir livremente sobre discrimina&ccedil;&atilde;o ou igualdade de g&ecirc;nero&quot;, afirmou uma defensora dos direitos das mulheres que pediu para n&atilde;o ser identificada devido &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o em manifesta&ccedil;&otilde;es contra a constru&ccedil;&atilde;o, agora suspensa, da controversa represa de Myitsone, no Rio Irrawaddy, norte da Birm&acirc;nia. &quot;A decis&atilde;o de interromper as obras, aplaudida por organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas, foi resultado de protestos feitos principalmente por mulheres&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>&quot;Quando a imprensa birmanesa informou sobre a suspens&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o, as mulheres desapareceram porque pediram a elas que se sentassem no ch&atilde;o enquanto as c&acirc;maras filmavam as autoridades. Existe uma ampla presen&ccedil;a de mulheres em nossa sociedade, mas ainda s&atilde;o invis&iacute;veis&quot;, contou a ativista.<\/p>\n<p>A escritora e defensora dos direitos femininos Mon Mon Myat explicou &agrave; IPS que &quot;&agrave;s vezes n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil apresentar estes assuntos, mesmo dentro das organiza&ccedil;&otilde;es femininas, pois a maioria das mulheres pensa que seu papel est&aacute; na fam&iacute;lia e que isto n&atilde;o pode mudar&quot;. Acrescentou que &quot;em uma sociedade budista theravada, dominada por homens, h&aacute; muitas barreiras culturais que limitam o comportamento das mulheres&quot;.<\/p>\n<p>&quot;As jornalistas, por exemplo, n&atilde;o podem fotografar nem filmar o p&uacute;blico pois n&atilde;o lhes &eacute; permitido ter uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada porque, na qualidade de mulheres, n&atilde;o podem estar acima dos homens nem dos monges budistas&quot;, detalhou Myat. A barreira cultural &eacute; um contraste enorme das imagens de Suu Kyi saudando ou falando com as pessoas da sacada de sua casa ou de um escrit&oacute;rio de seu partido.<\/p>\n<p>Ela &eacute; uma exce&ccedil;&atilde;o, segundo Myat, por ser filha de Aung San (1915-1947), venerado her&oacute;i nacional vinculado ao movimento independentista da Birm&acirc;nia. De fato, Suu Kyi tem o cuidado de colocar o nome de seu pai &agrave; frente do seu, embora o costume seja as mulheres usarem apenas seu nome, sem adotar o do pai nem o do marido. &quot;Apesar de ser mulher, &eacute; s&iacute;mbolo de paz e democracia em nosso pa&iacute;s. Por isto, podemos ver uma multid&atilde;o de monges e homens de poder expressando seu apoio a ela&quot;, acrescentou Myat.<\/p>\n<p>&quot;A perspectiva do pa&iacute;s deve mudar se deseja ser democr&aacute;tico, mas, para isto, primeiro deve haver maior liberdade na m&iacute;dia&quot;, opinou Vic, pseud&ocirc;nimo de uma escritora. As ativistas e jornalistas que se atreveram a se opor &agrave; junta militar governante pagaram o alto pre&ccedil;o da tortura sistem&aacute;tica ou foram assassinadas por soldados do ex&eacute;rcito durante a prolongada guerra contra as mil&iacute;cias nos Estados das comunidades &eacute;tnicas shan, kachim e karen.<\/p>\n<p>Em 2002, a Rede de A&ccedil;&atilde;o de Mulheres Shan denunciou o uso sistem&aacute;tico da viola&ccedil;&atilde;o por parte de soldados em um relat&oacute;rio para o qual conseguiram que mulheres contassem suas experi&ecirc;ncias. &quot;Ainda n&atilde;o se pode falar livremente sobre viola&ccedil;&otilde;es de mulheres de minorias &eacute;tnicas em zonas distantes e cometidas por soldados birmaneses&quot;, lamentou Myat.<\/p>\n<p>Muitas vezes, as mulheres n&atilde;o costumam considerar a viola&ccedil;&atilde;o como um assunto de discrimina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero, mas como um problema do &quot;destino de uma sociedade que v&ecirc; com olhos ruins o sexo fraco com roupas inapropriadas ou indo a lugares inadequados&quot;, afirmou Myat. &quot;As fam&iacute;lias preferem se calar, fazendo com que seja mais dif&iacute;cil para as v&iacute;timas a busca por justi&ccedil;a nos tribunais&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A Liga de Mulheres da Birm&acirc;nia &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o que re&uacute;ne mulheres de 13 grupos &eacute;tnicos que &quot;trabalham pelo avan&ccedil;o do status das mulheres com vistas a uma sociedade pac&iacute;fica e justa&quot;, disse Myat. &quot;A mudan&ccedil;a de mentalidade, em especial entre administradores de n&iacute;vel m&eacute;dio e as pessoas comuns &eacute; essencial&quot;, afirmou Grace Swe Zin Htaik, atriz dedicada a quest&otilde;es de sa&uacute;de e g&ecirc;nero. &quot;Falta muito tempo para conseguirmos a igualdade de g&ecirc;nero na Birm&acirc;nia&quot;, declarou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Apesar de estarem mal representadas em &oacute;rg&atilde;os legislativos e cargos de governo, mulheres com Myat confiam no futuro porque superam em n&uacute;mero os homens neste pa&iacute;s de 55 milh&otilde;es de habitantes. Tamb&eacute;m recordam os tempos anteriores ao de col&ocirc;nia brit&acirc;nica (1824-1948) quando a Birm&acirc;nia tinha um sistema matriarcal e as mulheres possu&iacute;am o direito de serem propriet&aacute;rias e ocuparem altos cargos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rangun, Birm&acirc;nia, 09\/05\/2012 &ndash; A ativista pr&oacute;-democr&aacute;tica Aung San Suu Kyi &eacute; um &iacute;cone na Birm&acirc;nia, mas sua situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; longe de ser a da maioria das mulheres deste pa&iacute;s de tradi&ccedil;&atilde;o budista e governado por um regime militar h&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/direitos-humanos\/mulheres-invisveis-na-birmnia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1220,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-9904","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1220"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9904\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}