{"id":9907,"date":"2012-05-10T10:00:21","date_gmt":"2012-05-10T10:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9907"},"modified":"2012-05-10T10:00:21","modified_gmt":"2012-05-10T10:00:21","slug":"a-expanso-econmica-do-sul-sustentvel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/a-expanso-econmica-do-sul-sustentvel\/","title":{"rendered":"A expans&atilde;o econ&ocirc;mica do Sul &eacute; sustent&aacute;vel?"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 10\/05\/2012 &ndash; O crescimento das economias em desenvolvimento se acelerou no novo mil&ecirc;nio.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9907\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ok-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9907\" class=\"size-medium wp-image-9907\" title=\"Yilmaz Akyuz. - IPS Columnist Service\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ok-300x225.jpg\" alt=\"Yilmaz Akyuz. - IPS Columnist Service\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9907\" class=\"wp-caption-text\">Yilmaz Akyuz. - IPS Columnist Service<\/p><\/div>  Enquanto nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990 cresceram em m&eacute;dia pouco mais do que as economias avan&ccedil;adas, desde os primeiros anos deste s&eacute;culo at&eacute; a crise global, a diferen&ccedil;a subiu para cinco pontos.<\/p>\n<p>Esta diferen&ccedil;a aumentou ainda mais entre 2008 e 2011 ap&oacute;s o colapso das economias avan&ccedil;adas. A acelera&ccedil;&atilde;o se observa em todas as regi&otilde;es em desenvolvimento, que crescem mais rapidamente do que no passado. A not&aacute;vel exce&ccedil;&atilde;o &eacute; a China, que cresceu no novo mil&ecirc;nio, em geral, no mesmo (embora r&aacute;pido) ritmo dos anos 1990.<\/p>\n<p>Por isso, &eacute; costume se dizer que a economia do Sul est&aacute; se &quot;desacoplando&quot; da do Norte. Contudo, a principal d&uacute;vida &eacute; se ocorre uma virada duradoura na tend&ecirc;ncia do crescimento do Sul com rela&ccedil;&atilde;o ao Norte. Um olhar mais atento mostra que o crescimento do Sul se deve em boa parte a excepcionais e insustent&aacute;veis condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, bem como &agrave; melhoria em seus pr&oacute;prios fundamentos.<\/p>\n<p>Antes de a crise financeira atingir, em 2008, o cr&eacute;dito e o consumo, e fizesse explodir as bolhas imobili&aacute;rias, sobretudo nos Estados Unidos, havia se formado um clima global altamente favor&aacute;vel para as economias em desenvolvimento no com&eacute;rcio e no investimento, nos fluxos de capital e nos pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas.<\/p>\n<p>Pelo menos um ter&ccedil;o do crescimento pr&eacute;-crise da China se deveu &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es, principalmente para as economias avan&ccedil;adas. A propor&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda maior para as pequenas economias exportadoras asi&aacute;ticas.<\/p>\n<p>H&aacute; uma estreita correla&ccedil;&atilde;o entre expans&atilde;o imobili&aacute;ria e d&eacute;ficits em conta corrente, tanto nos Estados Unidos quanto em outros pa&iacute;ses que sofreram transtornos financeiros em seguida.<\/p>\n<p>Desde o come&ccedil;o deste s&eacute;culo, as taxas de juros historicamente baixas e a r&aacute;pida expans&atilde;o da liquidez nos Estados Unidos, na Europa e no Jap&atilde;o desencadearam uma busca por rendimentos e o consequente auge nos fluxos de capital para as economias em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Isso foi complementado por uma onda de remessas de trabalhadores, que chegam a mais de 25% do produto interno bruto em alguns pa&iacute;ses menores, e a mais de 3% na &Iacute;ndia. Os pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas tamb&eacute;m subiram fortemente, em grande parte gra&ccedil;as ao r&aacute;pido crescimento da China, empurrado pelas exporta&ccedil;&otilde;es para as economias avan&ccedil;adas.<\/p>\n<p>Com a queda do mercado imobili&aacute;rio, o ambiente econ&ocirc;mico internacional se deteriorou em todas as &aacute;reas que antes haviam apoiado a expans&atilde;o nos pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Os fluxos de capital e os pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas retrocederam e as economias avan&ccedil;adas se contra&iacute;ram. No entanto, as economias em desenvolvimento mostraram resili&ecirc;ncia e reagiram rapidamente, especialmente onde uma forte resposta antic&iacute;clica foi poss&iacute;vel gra&ccedil;as &agrave;s reservas e &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es fiscais favor&aacute;veis acumuladas durante o per&iacute;odo anterior.<\/p>\n<p>O impulso para o crescimento em algumas destacadas economias do Sul se voltou para a demanda interna, mesmo em pa&iacute;ses que antes tinham uma economia orientada para a exporta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O crescimento baseado no investimento deu um est&iacute;mulo ainda maior aos pre&ccedil;os j&aacute; altos das mat&eacute;rias-primas, anteriores &agrave; crise.<\/p>\n<p>Os fluxos de capital tamb&eacute;m se recuperaram gra&ccedil;as &agrave;s dr&aacute;sticas baixas nas taxas de juros e &agrave; expans&atilde;o monet&aacute;ria das economias avan&ccedil;adas em resposta &agrave; crise. A aflu&ecirc;ncia de capitais foi mais do que suficiente para enfrentar d&eacute;ficits crescentes em v&aacute;rios dos principais pa&iacute;ses em desenvolvimento, incluindo &Iacute;ndia, Brasil, Turquia e &Aacute;frica do Sul.<\/p>\n<p>Por v&aacute;rias raz&otilde;es, &eacute; improv&aacute;vel que se sustente a meio termo o excepcional crescimento gozado pelo Sul nos &uacute;ltimos dez anos. O retorno &agrave;s muito favor&aacute;veis condi&ccedil;&otilde;es prevalentes antes da crise global &eacute; impedido pelos r&iacute;gidos ajustes que agora enfrentam as economias avan&ccedil;adas.<\/p>\n<p>Certamente as tentativas para voltar ao &quot;aqui n&atilde;o houve nada&quot;, impulsionando a &quot;locomotiva&quot; norte-americana mediante crescentes d&eacute;ficits, desestabilizariam seriamente o com&eacute;rcio internacional e os sistemas monet&aacute;rios.<\/p>\n<p>Por outro lado, o crescimento p&oacute;s-crise baseado na demanda dom&eacute;stica n&atilde;o poder&aacute; se manter por muito tempo. J&aacute; h&aacute; sinais de desacelera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A estrat&eacute;gia da China de enfrentar a queda das exporta&ccedil;&otilde;es para as economias avan&ccedil;adas com eleva&ccedil;&atilde;o dos investimentos n&atilde;o pode funcionar indefinidamente.<\/p>\n<p>Falta uma pol&iacute;tica voltada para o crescimento que se apoie no consumo interno, o que implica aumentar o consumo privado, que atualmente &eacute; de apenas 35% do PIB. Isto &eacute;, optar por uma importante redistribui&ccedil;&atilde;o da renda.<\/p>\n<p>Mesmo uma desacelera&ccedil;&atilde;o moderada do crescimento na China, de 7%, poderia causar o fim do auge das mat&eacute;rias-primas e amea&ccedil;ar as perspectivas de crescimento de uma s&eacute;rie de pa&iacute;ses latino-americanos e africanos.<\/p>\n<p>A maioria das economias em desenvolvimento necessita rever seus modelos de desenvolvimento para sustentar o ritmo de crescimento da &uacute;ltima d&eacute;cada. As economias exportadoras asi&aacute;ticas devem reduzir sua depend&ecirc;ncia das exporta&ccedil;&otilde;es para as economias avan&ccedil;adas mediante a expans&atilde;o de seus mercados internos e regionais.<\/p>\n<p>Os exportadores de mat&eacute;rias-primas precisam reduzir sua depend&ecirc;ncia dos fluxos de capital e de sua renda com mat&eacute;rias-primas. Estas, que foram as duas chaves para seu crescimento, est&atilde;o al&eacute;m do controle nacional. Por isto, &eacute; necess&aacute;ria uma sa&iacute;da genu&iacute;na do fundamentalismo do mercado e do liberalismo, tanto nas pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas como nas estruturais. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Yilmaz Akyuz &eacute; economista-chefe do South Centre, com sede em Genebra (www.southcentre.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 10\/05\/2012 &ndash; O crescimento das economias em desenvolvimento se acelerou no novo mil&ecirc;nio. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/a-expanso-econmica-do-sul-sustentvel\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":505,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-9907","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/505"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9907\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}