{"id":9911,"date":"2012-05-10T10:21:49","date_gmt":"2012-05-10T10:21:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9911"},"modified":"2012-05-10T10:21:49","modified_gmt":"2012-05-10T10:21:49","slug":"povos-indgenas-denunciam-doutrina-de-dominao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/povos-indgenas-denunciam-doutrina-de-dominao\/","title":{"rendered":"Povos ind&iacute;genas denunciam doutrina de domina&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 10\/05\/2012 &ndash; L&iacute;deres ind&iacute;genas pedem urg&ecirc;ncia aos governos na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para que substituam as leis nacionais que violam o direito das comunidades aut&oacute;ctones de proteger suas terras, seus recursos, sua cultura.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9911\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e36-300x224.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9911\" class=\"size-medium wp-image-9911\" title=\"Ind\u00c3\u00adgenas de Chiquimula trabalham na elabora&ccedil;&atilde;o de uma corda extra\u00c3\u00adda do agave. - Danilo Valladares\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e36-300x224.jpg\" alt=\"Ind\u00c3\u00adgenas de Chiquimula trabalham na elabora&ccedil;&atilde;o de uma corda extra\u00c3\u00adda do agave. - Danilo Valladares\/IPS\" width=\"200\" height=\"149\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9911\" class=\"wp-caption-text\">Ind\u00c3\u00adgenas de Chiquimula trabalham na elabora&ccedil;&atilde;o de uma corda extra\u00c3\u00adda do agave. - Danilo Valladares\/IPS<\/p><\/div>  Na 11&ordf; sess&atilde;o do F&oacute;rum Permanente sobre Quest&otilde;es Ind&iacute;genas, os representantes dos povos abor&iacute;gines criticaram as pot&ecirc;ncias por utilizarem leis, antigas mas ainda vigentes, para justificar a explora&ccedil;&atilde;o e o abuso. Este encontro come&ccedil;ou no dia 7 em Nova York e terminar&aacute; no dia 18.<\/p>\n<p>&quot;Temos direito &agrave; repara&ccedil;&atilde;o das conquistas passadas&quot;, afirmou Tonya Frichner, advogada ind&iacute;gena dos Estados Unidos e integrante do F&oacute;rum Permanente. &quot;Est&aacute; consagrado na Declara&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind&iacute;genas&quot;, destacou. Esta declara&ccedil;&atilde;o, adotada em 2007 pela Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), estabelece em seu Artigo 3 que &quot;os povos ind&iacute;genas t&ecirc;m direito &agrave; livre determina&ccedil;&atilde;o&quot;. Al&eacute;m disso, o Artigo 28 protege o &quot;direito a repara&ccedil;&atilde;o&quot; dos ind&iacute;genas, enquanto o 37 recorda que os acordos devem ser &quot;reconhecidos, observados e aplicados&quot;.<\/p>\n<p>Criado pelo Conselho Econ&ocirc;mico e Social das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (Ecosoc) em 2000, o F&oacute;rum Permanente &eacute; integrado por 16 especialistas independentes que oferecem assessoria e recomenda&ccedil;&otilde;es sobre quest&otilde;es ind&iacute;genas no sistema da ONU. Os representantes ind&iacute;genas, cuja popula&ccedil;&atilde;o mundial &eacute; calculada em 370 milh&otilde;es de pessoas, denunciaram que a viola&ccedil;&atilde;o de seus direitos deriva da &quot;doutrina do descobrimento&quot;, tema central de debate na atual sess&atilde;o do F&oacute;rum.<\/p>\n<p>Frichner observou que os sistemas legais baseados nessa doutrina come&ccedil;aram no S&eacute;culo 15, quando as pot&ecirc;ncias colonialistas da ent&atilde;o Europa ocidental decidiram que &quot;os crist&atilde;os tinham direito sobre as terras povoadas por n&atilde;o crist&atilde;os&quot;. Segundo a advogada, &quot;essa doutrina &eacute; o fundamento jur&iacute;dico da domina&ccedil;&atilde;o dos povos ind&iacute;genas. &Eacute; a base moral da domina&ccedil;&atilde;o. A domina&ccedil;&atilde;o &eacute; exaustiva, n&atilde;o s&oacute; para os dominados, mas para os dominantes, pois assenta as bases para o racismo e o sexismo&quot;.<\/p>\n<p>V&aacute;rios dos participantes expressaram &agrave; IPS sua preocupa&ccedil;&atilde;o pela explora&ccedil;&atilde;o atual dos recursos naturais que est&atilde;o nos territ&oacute;rios aut&oacute;ctones ou em seu entorno, bem como pelo aberto apoio das autoridades &agrave;s corpora&ccedil;&otilde;es madeireiras e mineradoras que os extraem. A doutrina do descobrimento est&aacute; &quot;viva e serpenteando&quot;, alertou Marlon Santi, procedente da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica do Equador. &quot;Trata-se de extremismo, genoc&iacute;dio, apropria&ccedil;&atilde;o de terras e, inclusive, de escravid&atilde;o. Tudo isso, em nome do Deus crist&atilde;o e do desenvolvimento&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>&quot;A petroleira Chevron contaminou nosso rio. A Phillips invadiu nossos territ&oacute;rios. A Amaz&ocirc;nia &eacute; nossa salva&ccedil;&atilde;o e a m&atilde;e de nosso povo. Nossa regi&atilde;o n&atilde;o mudou muito. O governo atual &eacute; t&atilde;o ruim quanto o anterior&quot;, lamentou Santi, que &eacute; acusado de sabotagem e terrorismo por encabe&ccedil;ar a resist&ecirc;ncia contra as incurs&otilde;es das grandes companhias de petr&oacute;leo e carv&atilde;o. Ele denunciou que o governo do Equador entregou 400 milh&otilde;es de hectares de terras ind&iacute;genas &agrave;s empresas estrangeiras este ano, sem o consentimento informado das comunidades abor&iacute;gines.<\/p>\n<p>As delega&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas tamb&eacute;m est&atilde;o preocupadas porque, caso n&atilde;o se questione a doutrina do descobrimento com efetividade, ser&atilde;o paralisados os avan&ccedil;os obtidos pelas comunidades aut&oacute;ctones nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. &quot;Ao usar uma linguagem e uma terminologia e perspectivas n&atilde;o ind&iacute;genas para descrever a doutrina do descobrimento, sem querer incentivamos a reprodu&ccedil;&atilde;o dessas perspectivas entre nossa pr&oacute;pria gente&quot;, ponderou Arthur Manuel, do Canad&aacute;. &quot;&Eacute; um conceito multifacial. &Eacute; uma fic&ccedil;&atilde;o legal. Promove a exclus&atilde;o, o racismo, a discrimina&ccedil;&atilde;o e o distanciamento dos processos de decis&atilde;o e a invisibilidade dentro das mesmas institui&ccedil;&otilde;es&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Em reuni&otilde;es anteriores da ONU, observou-se que as barreiras da linguagem costumam frustrar os participantes ind&iacute;genas. Nesses encontros, as discuss&otilde;es costumam ser em ingl&ecirc;s e franc&ecirc;s, com um importante uso de termos legais e t&eacute;cnicos que lhes s&atilde;o distantes. &quot;Existem sistemas judiciais e legais ind&iacute;genas, e tamb&eacute;m de conhecimento. Continuamos falando nossas l&iacute;nguas. Continuaremos reivindicando nossos direitos contemplados na Declara&ccedil;&atilde;o da ONU e em nossas pr&oacute;prias leis&quot;, enfatizou Santi. Como alguns debates nos f&oacute;runs da ONU est&atilde;o quase totalmente dominados por representantes de governos, n&atilde;o de abor&iacute;gines, o Grupo Global de Povos Ind&iacute;genas recomendou a cria&ccedil;&atilde;o de um lugar para eles na Assembleia Geral.<\/p>\n<p>A ex-presidente do F&oacute;rum Permanente, Mirna Cunningham, defendeu que os governos realizem reformas que protejam e respeitem os direitos econ&ocirc;micos, sociais, pol&iacute;ticos e culturais dos povos origin&aacute;rios. &quot;Procuramos desafiar o modelo convencional de desenvolvimento, mas tamb&eacute;m que as pessoas compreendam que se ouvirem nosso ponto de vista tamb&eacute;m poder&atilde;o mudar a situa&ccedil;&atilde;o global e local&quot;, ressaltou. Pouqu&iacute;ssimos membros da ONU incorporaram os princ&iacute;pios consagrados na Declara&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos dos Povos Ind&iacute;genas em suas respectivas legisla&ccedil;&otilde;es. Entre os poucos que o fizeram est&atilde;o Bol&iacute;via e Nicar&aacute;gua, de onde procede Cunningham. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 10\/05\/2012 &ndash; L&iacute;deres ind&iacute;genas pedem urg&ecirc;ncia aos governos na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para que substituam as leis nacionais que violam o direito das comunidades aut&oacute;ctones de proteger suas terras, seus recursos, sua cultura. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/povos-indgenas-denunciam-doutrina-de-dominao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-9911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}