{"id":9920,"date":"2012-05-15T07:34:07","date_gmt":"2012-05-15T07:34:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9920"},"modified":"2012-05-15T07:34:07","modified_gmt":"2012-05-15T07:34:07","slug":"reportagem-a-argentina-diante-do-dilema-dos-hidrocarbonos-raros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/reportagem-a-argentina-diante-do-dilema-dos-hidrocarbonos-raros\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: A Argentina diante do dilema dos hidrocarbonos raros"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 15\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- A Argentina deve considerar a quanto chegam suas riquezas de g&aacute;s e petr&oacute;leo n&atilde;o convencionais e quais ser&atilde;o os custos econ&ocirc;micos e ambientais de sua explora&ccedil;&atilde;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9920\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/577_hidrocarburos_PhotoStock.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9920\" class=\"size-medium wp-image-9920\" title=\"Explora&ccedil;&atilde;o petrol\u00c3\u00adfera em Cutral C&oacute;, localidade situada na bacia neuquina - IPS\/Photostock\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/577_hidrocarburos_PhotoStock.jpg\" alt=\"Explora&ccedil;&atilde;o petrol\u00c3\u00adfera em Cutral C&oacute;, localidade situada na bacia neuquina - IPS\/Photostock\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9920\" class=\"wp-caption-text\">Explora&ccedil;&atilde;o petrol\u00c3\u00adfera em Cutral C&oacute;, localidade situada na bacia neuquina - IPS\/Photostock<\/p><\/div>  Uma imensa jazida de g&aacute;s e petr&oacute;leo presa na rocha-m&atilde;e, e cuja explora&ccedil;&atilde;o traz consigo grande impacto ambiental, ser&aacute; o maior desafio da YPF, a empresa petrol&iacute;fera argentina que voltou a ser controlada pelo Estado.<\/p>\n<p>Especialistas de diferentes &aacute;reas da engenharia e da economia do petr&oacute;leo se entusiasmam com a perspectiva destas descobertas, embora alertem que o pre&ccedil;o a pagar pode ser muito alto.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; ind&iacute;cios indiretos da presen&ccedil;a de reservas na Argentina, mas isto s&oacute; saberemos com certeza quando se avan&ccedil;ar na explora&ccedil;&atilde;o&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o economista Roberto Kozulj, da Universidade Nacional de Rio Negro.<\/p>\n<p>Kozulj, especializado em economia do petr&oacute;leo, afirmou que os obst&aacute;culos s&atilde;o o valor do investimento necess&aacute;rio e o risco ambiental, pelo consumo de grandes quantidades de &aacute;gua, energia e subst&acirc;ncias qu&iacute;micas para extrair estes recursos.<\/p>\n<p>Segundo o informe Anuual Energy Outlook 2011, divulgado em abril do ano passado pela Administra&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&atilde;o e Energia (EIA) dos Estados Unidos, a Argentina &eacute; o terceiro pa&iacute;s com maior potencial geol&oacute;gico para este tipo de hidrocarbono, depois de China e Estados Unidos.<\/p>\n<p>O estudo analisou a viabilidade de 48 bacias em 32 pa&iacute;ses e estimou que na Argentina poderiam ser extra&iacute;dos 774 trilh&otilde;es de p&eacute;s c&uacute;bicos de g&aacute;s (TFC), 60 vezes mais do que as convencionais atuais do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>As jazidas est&atilde;o em quatro bacias, mas a neuquina &eacute; a mais promissora. Ali se encontram as forma&ccedil;&otilde;es Vaca Muerta e Los Molles, que se estendem pelo subsolo de quatro prov&iacute;ncias: Neuqu&eacute;n e Mendonza, no oeste, La Pampa, no centro, e Rio Negro, no centro-sul.<\/p>\n<p>O governo de Neuqu&eacute;n j&aacute; tem alguns dados sobre o potencial da regi&atilde;o obtidos em estudos preliminares, afirmou o economista Ariel Carignano, da Universidade Nacional do Camahue, em seu estudo O que &eacute; g&aacute;s n&atilde;o convencional? Aspectos b&aacute;sicos e desenvolvimento na Argentina, de novembro de 2011.<\/p>\n<p>Este documento aponta que, mesmo com um &quot;alto grau de incerteza&quot;, estudos da subsecretaria de Minera&ccedil;&atilde;o e Hidrocarbonos de Neuqu&eacute;n estimam em 170 TCF o g&aacute;s recuper&aacute;vel de Vaca Muerta e entre 130 e 192 TCF o de Los Molles. A eventual explora&ccedil;&atilde;o permitiria aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel, criar empregos e desenvolver novas tecnologias, mas com um grande impacto ambiental. Este &eacute; o dilema da nova YPF, ap&oacute;s a expropria&ccedil;&atilde;o de 51% de suas a&ccedil;&otilde;es, que estavam nas m&atilde;os da petroleira espanhola Repsol at&eacute; o dia 3 deste m&ecirc;s, quando foi aprovado o projeto de lei que a presidente Cristina Fern&aacute;ndez enviara em 16 de abril ao parlamento.<\/p>\n<p>Assim, a YPF, criada pelo Estado argentino em 1922, volta &agrave; &oacute;rbita estatal em uma sociedade an&ocirc;nima na qual tamb&eacute;m interv&ecirc;m empresas privadas nacionais, estrangeiras e acionistas da bolsa de valores.<\/p>\n<p>A medida est&aacute; fundamentada na forte queda da produ&ccedil;&atilde;o e das reservas de petr&oacute;leo e g&aacute;s, provocada pela falta de investimentos, que obrigou a Argentina a importar grandes volumes de combust&iacute;veis desde 2010, perdendo seu car&aacute;ter de pa&iacute;s autossuficiente.<\/p>\n<p>Agora, &quot;o principal desafio est&aacute; em aproveitar a oportunidade, mitigando o impacto ambiental&quot;, dizem os engenheiros qu&iacute;micos argentinos Mariana Matranga e Mart&iacute;n Gutman em um artigo publicado na revista eletr&ocirc;nica Voces en el F&eacute;nix.<\/p>\n<p>Sua an&aacute;lise G&aacute;s e petr&oacute;leo n&atilde;o convencional: perspectivas e desafios para seu desenvolvimento na Argentina menciona as oportunidades que a explora&ccedil;&atilde;o traria, mas alerta que o efeito na natureza &quot;se coloca como um grande sinal de interroga&ccedil;&atilde;o&quot;. O g&aacute;s depositado nos pequenos interst&iacute;cios de camadas de rochas de xisto (shale gas, em ingl&ecirc;s) &eacute; da mesma qualidade que o convencional, por&eacute;m &eacute; mais dif&iacute;cil de ser extra&iacute;do.<\/p>\n<p>A t&eacute;cnica para isso recebe o nome de fratura hidr&aacute;ulica e consiste em uma perfura&ccedil;&atilde;o vertical at&eacute; uma profundidade que pode chegar a milhares de metros e, depois, de buracos horizontais de aproximadamente mil metros de extens&atilde;o ao longo da forma&ccedil;&atilde;o rochosa.<\/p>\n<p>Nessas perfura&ccedil;&otilde;es s&atilde;o injetados grandes volumes de &aacute;gua e subst&acirc;ncias qu&iacute;micas sob enorme press&atilde;o, junto com areias de fratura projetadas para manterem abertas as gretas que se formam e facilitar a sa&iacute;da do g&aacute;s.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com o fluido que se aloja em areias compactas e extremamente imperme&aacute;veis, em ingl&ecirc;s tight (apertado), e com o petr&oacute;leo localizado em rochas de ard&oacute;sia ou areias de baixa porosidade e impermeabilidade, conhecido como shale oil ou tight oil.<\/p>\n<p>Matranga e Gutman explicam que at&eacute; h&aacute; dez anos era imposs&iacute;vel extra&iacute;-los, mas hoje existe a tecnologia, desenvolvida principalmente nos Estados Unidos e no Canad&aacute;. Por&eacute;m, alertam, pa&iacute;ses ou prov&iacute;ncias optaram por suspender a explora&ccedil;&atilde;o desses dep&oacute;sitos enquanto n&atilde;o se esclarecer o alcance do dano que pode ser causado ao meio ambiente. Al&eacute;m disso, o envolvimento de milhares de caminh&otilde;es de transporte de &aacute;gua, m&aacute;quinas, recursos humanos e infraestrutura para esta produ&ccedil;&atilde;o provocar&aacute; &quot;um acentuado aumento das emiss&otilde;es de gases-estufa&quot;, acrescentam os engenheiros.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, alertam, pa&iacute;ses ou prov&iacute;ncias optaram por suspender a explora&ccedil;&atilde;o desses dep&oacute;sitos enquanto n&atilde;o se esclarecer o alcance do dano que pode ser causado ao meio ambiente.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, o envolvimento de milhares de caminh&otilde;es de transporte de &aacute;gua, m&aacute;quinas, recursos humanos e infraestrutura para esta produ&ccedil;&atilde;o provocar&aacute; &quot;um acentuado aumento das emiss&otilde;es de gases-estufa&quot;, acrescentam os engenheiros.<\/p>\n<p>Um informe publicado em outubro de 2011 pela Academia Nacional de Engenharia da Argentina, intitulado G&aacute;s de reservat&oacute;rios n&atilde;o convencionais: estado de situa&ccedil;&atilde;o e principais desafios, coincide com as advert&ecirc;ncias dos dois engenheiros qu&iacute;micos da Universidade de Buenos Aires.<\/p>\n<p>Para dar uma ideia da magnitude da empresa, a Academia afirma que &quot;o esfor&ccedil;o de desenvolvimento de fornecedores, tecnologia e recursos humanos (necess&aacute;rios) &eacute; semelhante ao que a Argentina teve em seu momento em mat&eacute;ria nuclear&quot;.<\/p>\n<p>A tecnologia de s&iacute;smica 3D, a perfura&ccedil;&atilde;o horizontal e o uso intensivo da fratura hidr&aacute;ulica j&aacute; est&atilde;o desenvolvidos e poderiam ser aplicados para come&ccedil;ar a produzir em cinco anos combust&iacute;veis que hoje est&atilde;o sendo importados a pre&ccedil;os elevados.<\/p>\n<p>A partir deste desenvolvimento poderiam abrir-se oportunidades de exporta&ccedil;&atilde;o de engenharia e servi&ccedil;os para a China, que teria grandes exist&ecirc;ncias desses hidrocarbonos, ou produzir na Argentina areias de fratura para exportar para outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o, diz a Academia.<\/p>\n<p>No entanto, tamb&eacute;m destaca sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a &quot;conserva&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua e o uso de produtos qu&iacute;micos&quot;. Sobre a quantidade de &aacute;gua necess&aacute;ria, aponta que o primeiro po&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s de xisto em pequena escala aberto em Neuqu&eacute;n exigiu 16 caminh&otilde;es bombeadores de forma simult&acirc;nea que esgotaram sua capacidade.<\/p>\n<p>A isso, prossegue a Academia, acrescenta-se que o decl&iacute;nio da produ&ccedil;&atilde;o neste tipo de jazida costuma ser mais acelerado do que em dep&oacute;sitos convencionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 15\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- A Argentina deve considerar a quanto chegam suas riquezas de g&aacute;s e petr&oacute;leo n&atilde;o convencionais e quais ser&atilde;o os custos econ&ocirc;micos e ambientais de sua explora&ccedil;&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/reportagem-a-argentina-diante-do-dilema-dos-hidrocarbonos-raros\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[21],"class_list":["post-9920","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9920","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9920"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9920\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}