{"id":993,"date":"2005-09-13T00:00:00","date_gmt":"2005-09-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=993"},"modified":"2005-09-13T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-13T00:00:00","slug":"direitos-humanos-crise-em-darfur-est-eclipsada-mas-no-esquecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/direitos-humanos-crise-em-darfur-est-eclipsada-mas-no-esquecida\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Crise em Darfur est&aacute; eclipsada, mas n&atilde;o esquecida"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 13\/09\/2005 &ndash; Um ano depois de o governo do presidente George W. Bush declarar que a viol&ecirc;ncia na prov&iacute;ncia sudanesa de Darfur era um &quot;genoc&iacute;dio&quot;, ativistas norte-americanos acusaram Washington de abandonar as v&iacute;timas &agrave; pr&oacute;pria sorte. Mais de cem ativistas comemoraram na quinta-feira este anivers&aacute;rio com uma manifesta&ccedil;&atilde;o diante da Casa Branca e exortaram a comunidade internacional a dar prote&ccedil;&atilde;o urgente a cerca de 2,5 milh&otilde;es de refugiados dentro do Sud&atilde;o pelos cont&iacute;nuos ataques de mil&iacute;cias &aacute;rabes apoiadas pelo governo central na prov&iacute;ncia mais ocidental do pa&iacute;s.<br \/> <!--more--> &quot;Enquanto os norte-americanos criticam o presidente por sua falta de lideran&ccedil;a nacional em meio ao horror provocado pelo furac&atilde;o Katrina, tamb&eacute;m devemos condenar sua falta de lideran&ccedil;a internacional por n&atilde;o deter o genoc&iacute;dio em Darfur, onde as v&iacute;timas fatais continuam aumentando&quot;, afirmou Salih Booker, diretor da organiza&ccedil;&atilde;o Africa Action (a&ccedil;&atilde;o pela &Aacute;frica). Esta entidade lan&ccedil;ou na quinta-feira uma peti&ccedil;&atilde;o assinada por quase cem mil pessoas pedindo a Bush para &quot;tomar todas as medidas necess&aacute;rias&quot; no contexto da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para enviar imediatamente uma for&ccedil;a multinacional a Darfur com a miss&atilde;o de proteger os civis.<\/p>\n<p> A peti&ccedil;&atilde;o conta com apoio de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es religiosas, crist&atilde;s e judias, e da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor, entre outras. Os problemas em Darfur, reino independente anexado pelo Sud&atilde;o em 1917, come&ccedil;aram na d&eacute;cada de 70 como uma disputa por terras de pastagem entre n&ocirc;mades &aacute;rabes e agricultores ind&iacute;genas negros. As duas comunidades &eacute;tnicas compartilham a f&eacute; isl&acirc;mica. Mas a tens&atilde;o se transformou em uma guerra civil em fevereiro de 2003, quando guerrilheiros negros responderam com viol&ecirc;ncia &agrave;s hostilidades por parte das mil&iacute;cias Janjawedd (Cavaleiros).<br \/> Os Janjaweed, apoiados por Cartum, s&atilde;o acusados de realiza ruma campanha de limpeza &eacute;tnica contra tr&ecirc;s tribos negras que ap&oacute;iam as organiza&ccedil;&otilde;es guerrilheiras Ex&eacute;rcito para a Liberta&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o e Movimento pela Justi&ccedil;a e a Igualdade. Embora alguns observadores afirmem que a viol&ecirc;ncia diminuiu nos &uacute;ltimos meses, o n&uacute;mero de v&iacute;timas fatais desde o come&ccedil;o do conflito, h&aacute; dois anos e meio, continuou aumentando e atualmente &eacute; estimado entre 300 mil e 400 mil. Segundo o Fundo para a Interven&ccedil;&atilde;o em Genoc&iacute;dios, com sede em Washington, 500 pessoas morrem diariamente em Darfur, enquanto as mil&iacute;cias destroem aldeias, violam mulheres e meninas, seq&uuml;estram crian&ccedil;as e destroem fontes de &aacute;gua e alimentos.<br \/> A Uni&atilde;o Africana, com o apoio log&iacute;stico de pa&iacute;ses-membros da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan), enviou cerca de 5.500 soldados a Darfur para controlar a situa&ccedil;&atilde;o, mas ainda carece de um mandato da ONU para proteger os civis. Al&eacute;m disso, a entidade anunciou a suspens&atilde;o de novos envios pelo menos por tr&ecirc;s semanas por falta de combust&iacute;vel para avi&otilde;es, o que a impedir&aacute; de alcan&ccedil;ar seu objetivo de ter 7.500 soldados em Darfur antes do fim do m&ecirc;s. Segundo ativistas, &eacute; necess&aacute;ria uma for&ccedil;a muito maior para abranger todo o territ&oacute;rio de Darfur, com superf&iacute;cie equivalente &agrave; da Fran&ccedil;a ou do Iraque. Al&eacute;m disso, os ativistas temem que a aten&ccedil;&atilde;o da imprensa voltada para os estragos causados pelo Katrina e para a guerra do Iraque deixe de lado a situa&ccedil;&atilde;o no Sud&atilde;o.<br \/> Um estudo divulgado em julho pelo Fundo para a Interven&ccedil;&atilde;o em Genoc&iacute;dios revela que a imprensa norte-americana dedicou 50 vezes mais espa&ccedil;o ao julgamento do cantor Michael Jackson por abuso de menores do que aos massacres em Darfur. Quando o Fundo preparou um an&uacute;ncio publicit&aacute;rio revelando esse dado, as redes de televis&atilde;o se negaram a transmiti-lo. &quot;Enfrentamos um novo desafio, especialmente depois do furac&atilde;o Katrina, de reconcentrar a aten&ccedil;&atilde;o da imprensa em Darfur?, afirmou Ann-Louise Colgan, diretora-adjunta da Africa Action. &quot;&Eacute; inaceit&aacute;vel que permane&ccedil;amos impass&iacute;veis enquanto as pessoas morrem&quot;, afirmou Robert Edgar, secret&aacute;rio-geral do Conselho Nacional de Igrejas. &quot;Este genoc&iacute;dio &eacute; um dos grandes horrores de nosso tempo. Pedimos urg&ecirc;ncia &agrave;s pessoas com consci&ecirc;ncia a tomarem medidas antes que os fatos nos acusem algum dia de neglig&ecirc;ncia e cumplicidade&quot;, acrescentou.<br \/> H&aacute; um ano, Bush divulgou um comunicado de imprensa reconhecendo o genoc&iacute;dio de Darfur, e o ent&atilde;o secret&aacute;rio de Estado, Colin Powell, declarou que o governo do Sud&atilde;o e suas mil&iacute;cias eram respons&aacute;veis. Nove dias depois, o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU aprovou uma fraca resolu&ccedil;&atilde;o patrocinada pelos Estados Unidos que pressionava Cartum a por fim &agrave; viol&ecirc;ncia, mas sem estabelecer nenhuma san&ccedil;&atilde;o em caso de n&atilde;o-cumprimento. Em novembro, o Conselho aprovou outra resolu&ccedil;&atilde;o apresentada por Washington que autorizava a miss&atilde;o da Uni&atilde;o Africana, mas novamente n&atilde;o previa san&ccedil;&otilde;es. Desde ent&atilde;o, a Casa Branca aumentou seu apoio &agrave; essa miss&atilde;o, embora sem tomar nenhuma outra medida.<br \/> Funcion&aacute;rios do governo, em particular, argumentam que uma resolu&ccedil;&atilde;o mais agressiva seria vetada pela China, que tem importantes investimentos na ind&uacute;stria do petr&oacute;leo do Sud&atilde;o e, al&eacute;m disso, descarrilaria o processo de paz entre Cartum e os rebeldes do sul. Mas alguns cr&iacute;ticos citaram outros motivos. A visita secreta, em abril, a Washington do chefe da ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia do Sud&atilde;o, general Salah Abdallah Gosh, citado em um relat&oacute;rio da ONU como um dos principais respons&aacute;veis pela campanha genocida, sugere que a coopera&ccedil;&atilde;o de Cartum na &quot;guerra contra o terrorismo&quot; do presidente Bush est&aacute; lhe rendendo cr&eacute;ditos. Esta suspeita foi refor&ccedil;ada pela posterior press&atilde;o da Casa Branca sobre o Congresso para que n&atilde;o aprovasse leis que pressionassem ainda mais Cartum a por fim &agrave; viol&ecirc;ncia em Darfur. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 13\/09\/2005 &ndash; Um ano depois de o governo do presidente George W. Bush declarar que a viol&ecirc;ncia na prov&iacute;ncia sudanesa de Darfur era um &quot;genoc&iacute;dio&quot;, ativistas norte-americanos acusaram Washington de abandonar as v&iacute;timas &agrave; pr&oacute;pria sorte. Mais de cem ativistas comemoraram na quinta-feira este anivers&aacute;rio com uma manifesta&ccedil;&atilde;o diante da Casa Branca e exortaram a comunidade internacional a dar prote&ccedil;&atilde;o urgente a cerca de 2,5 milh&otilde;es de refugiados dentro do Sud&atilde;o pelos cont&iacute;nuos ataques de mil&iacute;cias &aacute;rabes apoiadas pelo governo central na prov&iacute;ncia mais ocidental do pa&iacute;s.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/direitos-humanos-crise-em-darfur-est-eclipsada-mas-no-esquecida\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-993","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=993"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/993\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}