{"id":9931,"date":"2012-05-16T09:32:50","date_gmt":"2012-05-16T09:32:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9931"},"modified":"2012-05-16T09:32:50","modified_gmt":"2012-05-16T09:32:50","slug":"crescimento-econmico-no-d-de-comer-frica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/africa\/crescimento-econmico-no-d-de-comer-frica\/","title":{"rendered":"Crescimento econ&ocirc;mico n&atilde;o d&aacute; de comer &agrave; &Aacute;frica"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 16\/05\/2012 &ndash; Everlyne Wanjiku por mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas ganhou a vida vendendo verduras em Kibera, bairro pobre da capital do Qu&ecirc;nia.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9931\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e48.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9931\" class=\"size-medium wp-image-9931\" title=\"Everlyne Wanjiku, m&atilde;e solteira com cinco filhos, ganhou a vida vendendo verduras por mais de 30 anos. - Brian Ngugi\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e48.jpg\" alt=\"Everlyne Wanjiku, m&atilde;e solteira com cinco filhos, ganhou a vida vendendo verduras por mais de 30 anos. - Brian Ngugi\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9931\" class=\"wp-caption-text\">Everlyne Wanjiku, m&atilde;e solteira com cinco filhos, ganhou a vida vendendo verduras por mais de 30 anos. - Brian Ngugi\/IPS<\/p><\/div>  Embora sua renda fosse pouca, esta m&atilde;e solteira conseguiu assegurar aos seus cinco filhos educa&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria. No entanto, agora, como muitos outros habitantes de Nair&oacute;bi, sente o impacto do aumento mundial dos pre&ccedil;os dos alimentos e de outros produtos b&aacute;sicos. Wanjiku sabe que j&aacute; n&atilde;o pode manter sua fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>&quot;A maioria de meus clientes di&aacute;rios j&aacute; n&atilde;o vem comprar por causa dos pre&ccedil;os proibitivos dos alimentos. Como pode ver, n&atilde;o fiz reposi&ccedil;&atilde;o de produtos porque acabaram as pequenas economias que tinha&quot;, explicou, apontando para as poucas verduras sobre a mesa colocada &agrave; porta de sua cho&ccedil;a. &quot;Em um bom m&ecirc;s, ganhava mais de seis mil chelines (US$ 67). Agora as coisas v&atilde;o mal, e n&atilde;o posso alimentar minha fam&iacute;lia&quot;, contou. Uma de suas clientes, Janet Adhiambo, afirmou que a vida tamb&eacute;m est&aacute; mais dif&iacute;cil para ela. &quot;&Eacute; uma pena que j&aacute; n&atilde;o possa comprar ingredientes b&aacute;sicos, como cebolas. Simplesmente decidi esquec&ecirc;-los porque s&atilde;o muito caros. Isto &eacute; muito duro&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>As pen&uacute;rias destas duas mulheres se repetem na maioria das fam&iacute;lias do Qu&ecirc;nia, afetadas pelos altos pre&ccedil;os dos alimentos. E esta inseguran&ccedil;a n&atilde;o est&aacute; limitada aos quenianos, afetando toda a &Aacute;frica, segundo um informe do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O estudo, divulgado ontem em Nair&oacute;bi, aponta o paradoxo de a &Aacute;frica sofrer inseguran&ccedil;a alimentar sendo um continente com enormes recursos agr&iacute;colas.<\/p>\n<p>O &quot;Informe de Desenvolvimento Humano da &Aacute;frica 2012: Para um futuro de seguran&ccedil;a alimentar&quot; indica que, apesar do grande crescimento experimentado pelas economias do continente na &uacute;ltima d&eacute;cada, as na&ccedil;&otilde;es subsaarianas ainda sofrem inseguran&ccedil;a alimentar. &quot;Um em cada quatro africanos est&aacute; desnutrido, e a inseguran&ccedil;a alimentar &#8211; a incapacidade de adquirir regularmente calorias e nutrientes suficientes para uma vida saud&aacute;vel e produtiva &#8211; &eacute; onipresente. O fantasma da fome, que praticamente desapareceu do resto do mundo, continua rondando a &Aacute;frica subsaariana&quot;, diz o estudo.<\/p>\n<p>Isto ocorre apesar de a regi&atilde;o contar com &quot;extensas terras agr&iacute;colas, abund&acirc;ncia de &aacute;gua e um clima geralmente favor&aacute;vel para cultivo de alimentos. E nos &uacute;ltimos dez anos, muitos pa&iacute;ses africanos conseguiram taxas de crescimento econ&ocirc;mico exemplares para o mundo, e foram os que mais avan&ccedil;aram no &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano&quot;, destaca o trabalho.<\/p>\n<p>O informe faz dura cr&iacute;tica aos governos do continente, dizendo que n&atilde;o adotaram pol&iacute;ticas adequadas. &quot;A &Aacute;frica subsaariana tem abundantes recursos agr&iacute;colas. Contudo, vergonhosamente, em todos os rinc&otilde;es da regi&atilde;o milh&otilde;es de pessoas seguem famintas e desnutridas. Isto &eacute; resultado do evidente desequil&iacute;brio entre produ&ccedil;&atilde;o local, distribui&ccedil;&atilde;o e forma de alimenta&ccedil;&atilde;o com defici&ecirc;ncias cr&ocirc;nicas, especialmente entre os mais pobres&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p>O Pnud diz que, apesar da redu&ccedil;&atilde;o da pobreza entre 2000 e 2010, quase metade dos subsaarianos ainda vive nela. No ano passado, o Chifre da &Aacute;frica foi a&ccedil;oitado por uma fome e uma acentuada inseguran&ccedil;a alimentar que afetaram 9,5 milh&otilde;es de pessoas. Segundo Tegegnework Gettu, subsecret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e chefe do escrit&oacute;rio do Pnud na &Aacute;frica, a inseguran&ccedil;a alimentar cr&ocirc;nica nos pa&iacute;ses subsaarianos tem suas ra&iacute;zes em d&eacute;cadas de m&aacute; governan&ccedil;a.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio permanente do Minist&eacute;rio de Agricultura do Qu&ecirc;nia, Romano Kiome, admitiu que os governos da regi&atilde;o n&atilde;o estavam fazendo o suficiente para combater o problema. Kiome citou o caso de seu pa&iacute;s, cujo Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as destinou US$ 539 milh&otilde;es para apoiar a agricultura (menos de 5% do or&ccedil;amento 2010-2011), enquanto destinou US$ 685 milh&otilde;es a gastos de defesa.<\/p>\n<p>Gettu afirmou que alguns pa&iacute;ses africanos deveriam reorientar urgentemente suas prioridades de gasto para superar a inseguran&ccedil;a alimentar. &quot;Se alguns pa&iacute;ses africanos podem adquirir e manter jatos de combate, tanques, artilharia e outros meios avan&ccedil;ados de destrui&ccedil;&atilde;o, por que n&atilde;o podem dominar o conhecimento agr&iacute;cola? Por que os africanos n&atilde;o podem adquirir tecnologia, tratores, sistemas de irriga&ccedil;&atilde;o, variedades de sementes e treinamento necess&aacute;rio para alcan&ccedil;ar a seguran&ccedil;a alimentar?&quot;, questionou.<\/p>\n<p>Gettu observou que, com pol&iacute;ticas e institui&ccedil;&otilde;es adequadas, a &Aacute;frica poderia gerar um c&iacute;rculo virtuoso de maior desenvolvimento humano e melhor seguran&ccedil;a alimentar. &quot;A &Aacute;frica pode extirpar por si s&oacute; a inseguran&ccedil;a alimentar atuando em quatro motores de mudan&ccedil;a fundamentais&quot;, acrescentou. Isto &eacute;, aumentando a produtividade dos pequenos agricultores, adotando pol&iacute;ticas de nutri&ccedil;&atilde;o mais efetivas, especialmente para crian&ccedil;as, fortalecendo as comunidades para enfrentar os impactos econ&ocirc;micos, e gerando uma participa&ccedil;&atilde;o popular mais ampla, com empoderamento especial das mulheres no &acirc;mbito rural.<\/p>\n<p>Gettu concluiu que a &quot;&Aacute;frica tem o conhecimento, a tecnologia e os meios para acabar com a fome e a inseguran&ccedil;a alimentar, mas ainda falta vontade pol&iacute;tica e dedica&ccedil;&atilde;o&quot;. Por sua vez, Kiome afirmou que, embora n&atilde;o haja solu&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas, os governos devem fazer maiores investimentos em agricultura. &quot;Temos a capacidade e as pessoas adequadas. No entanto, n&atilde;o temos suficiente vontade pol&iacute;tica para implantar as pol&iacute;ticas corretas&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Inclusive na na&ccedil;&atilde;o insular africana de Maur&iacute;cio, mais de 50% da terra cultiv&aacute;vel &eacute; irrigada, contra uma m&eacute;dia de apenas 10% no resto da &Aacute;frica. &quot;Quando os pa&iacute;ses conseguem maturidade alimentar &eacute; porque aplicam as pol&iacute;ticas adequadas&quot;, destacou Kiome. Para o queniano Calestous Juma, especialista em ci&ecirc;ncia e tecnologia aplicadas ao desenvolvimento sustent&aacute;vel e professor da Escola de Governo John F. Kennedy, da Universidade de Harvard, &quot;n&atilde;o existe uma receita &uacute;nica ou uma panaceia para derrotar a inseguran&ccedil;a alimentar na &Aacute;frica subsaariana&quot;.<\/p>\n<p>O informe do Pnud prop&otilde;e a ado&ccedil;&atilde;o de &quot;subs&iacute;dios inteligentes&quot; que estimulem os pequenos agricultores a apostarem em variedades de cultivo de alto rendimento e que n&atilde;o impliquem custos de longo prazo para o Estado. Isso poderia revigorar a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e os mercados. &quot;Para impulsionar a produtividade s&atilde;o necess&aacute;rios mais fertilizantes e sementes, maior pesquisa e um sistema de extens&atilde;o mais coordenado e receptivo, com especialistas no comportamento e nos h&aacute;bitos das comunidades agr&iacute;colas locais&quot;, indica o informe. E acrescenta que se deve atrair a participa&ccedil;&atilde;o dos jovens, para infundirem energia e ideias inovadoras &agrave;s pol&iacute;ticas de desenvolvimento da &Aacute;frica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 16\/05\/2012 &ndash; Everlyne Wanjiku por mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas ganhou a vida vendendo verduras em Kibera, bairro pobre da capital do Qu&ecirc;nia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/africa\/crescimento-econmico-no-d-de-comer-frica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1247,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5],"tags":[],"class_list":["post-9931","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1247"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9931"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9931\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}