{"id":9936,"date":"2012-05-17T09:15:20","date_gmt":"2012-05-17T09:15:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9936"},"modified":"2012-05-17T09:15:20","modified_gmt":"2012-05-17T09:15:20","slug":"grupos-armados-no-norte-do-mali-esto-a-violar-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/africa\/grupos-armados-no-norte-do-mali-esto-a-violar-mulheres\/","title":{"rendered":"Grupos armados no norte do Mali est&atilde;o a violar mulheres"},"content":{"rendered":"<p>NIAMEY, 17\/05\/2012 &ndash; Um crescente n&uacute;mero de mulheres no Mali est&aacute; a ser violado por rebeldes tuaregues e por grupos armados que t&ecirc;m atravessado o norte do Mali desde o in&iacute;cio do ano, depois de terem expulsado todos as tropas governamentais da regi&atilde;o. <!--more--> De acordo com Corrine Dufka, investigadora senior da &Aacute;frica Ocidental que trabalha para a organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch e que est&aacute; actualmente ocupada numa miss&atilde;o no Mali, tem havido not&iacute;cias de viola&ccedil;&otilde;es e viol&ecirc;ncia sexual em cidades e aldeias em toda a regi&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Estamos muito preocupados com aquilo que parece ser um dr&aacute;stico aumento de ataques e abusos sexuais de mulheres e raparigas por grupos armados no norte,&quot; disse Dufka &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;Desde que os grupos rebeldes consolidaram o seu controlo no territ&oacute;rio do norte, que apelidam de Azawad, a Human Rights Watch registou diversos casos de viola&ccedil;&atilde;o e muitos outros em que raparigas e mulheres t&ecirc;m sido raptadas de suas casas, cidades e aldeias e muito provavelmente abusadas sexualmente.&quot; <\/p>\n<p>Dufka refere que a maior parte dos abusos tem sido &quot;cometida pelos rebeldes do MNLA e, em menor medida, pelas mil&iacute;cias &aacute;rabes a eles aliadas.&quot;<\/p>\n<p>O Movimento Nacional para a Liberta&ccedil;&atilde;o de Azawad (MNLA) &eacute; um termo geral para os grupos armados de tuaregues que se juntaram com o objectivo assumido de administrar um estado independente, o Azawad. <\/p>\n<p>Desde que, na &eacute;poca colonial, os franceses deixaram a regi&atilde;o em 1960, t&ecirc;m-se registado diversas rebeli&otilde;es tuaregues contra o governo do Mali. As revoltas anteriores acabaram em negocia&ccedil;&otilde;es e na nomea&ccedil;&atilde;o de l&iacute;deres rebeldes para cargos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>No entanto, os rebeldes afirmam que o governo do Mali n&atilde;o cumpriu as promessas feitas durante as negocia&ccedil;&otilde;es e continuam a exigir um estado independente.<\/p>\n<p>Desta vez, armados com um pesado arsenal de armas acumuladas de revoltas anteriores e de armamento adicional proveniente da L&iacute;bia nos &uacute;ltimos anos, o MNLA fez avan&ccedil;os sem precedentes. Esta situa&ccedil;&atilde;o foi facilitada pelo golpe de estado em Bamako e subsequente retirada dos militares no norte.<\/p>\n<p>Ao comentar as alega&ccedil;&otilde;es feitas pelo Human Rights Watch, o porta-voz do MNLA, Moussa ag Assarid, actualmente na cidade de Gao, no Mali, rejeitou a acusa&ccedil;&atilde;o que os homens do MNLA estivessem envolvidos em viol&ecirc;ncia sexual. &quot;Esses homens n&atilde;o pertencem ao MNLA, trata-se de outros homens que se encontram no local,&quot; afirmou Ag Assarid, falando por via telef&oacute;nica de Gao. Admitiu, contudo, que &quot;n&atilde;o podemos controlar todas as pessoas em Azawad.&quot; <\/p>\n<p>Apesar do MNLA ter declarado um estado independente no dia 6 de Abril, os residentes na regi&atilde;o afirmam que o movimento rebelde n&atilde;o parece controlar verdadeiramente a situa&ccedil;&atilde;o. &quot;Um dia um grupo armado entra na cidade, no dia seguinte &eacute; outro grupo e, por isso, sentimo-nos muito inseguros,&quot; disse um residente em Gao, que preferiu o anonimato quando falou com &agrave; IPS por telefone. <\/p>\n<p>Desde que o conflito come&ccedil;ou, diversos grupos isl&acirc;micos armados surgiram na regi&atilde;o, aumentando a preocupa&ccedil;&atilde;o sobre o futuro dos direitos das mulheres. <\/p>\n<p>Um dos grupos, Ansar Dine, liderado por Iyad Ag Ghali, um importante l&iacute;der de revoltas tuaregues anteriores, est&aacute; a tentar impor a lei sharia no norte. Pouco depois de ter entrado em Timbuktu, Ag Ghali anunciou as convic&ccedil;&otilde;es do seu grupo no r&aacute;dio.<\/p>\n<p>&quot;A infelicidade deve-se &agrave; falta de f&eacute; em Deus, e ao facto de termos abandonado a pr&aacute;tica da sharia, porque alter&aacute;mos o nosso modo de vida devido &agrave; influ&ecirc;ncia dos brancos,&quot; disse. <\/p>\n<p>Embora que as estimativas indiquem que Ag Ghali s&oacute; controla perto de 300 homens, a sua influ&ecirc;ncia &eacute; largamente reconhecida. Muitos comandantes do MNLA continuam leais a Ag Ghali devido ao seu papel em revoltas anteriores, e o mesmo se passa com os traficantes de drogas e outros grupos islamistas na regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Desde que o Ansar Dine anunciou a lei sharia tem havido not&iacute;cias n&atilde;o confirmadas que Ag Ghai viaja acompanhado de l&iacute;deres do AQIM, o grupo regional da Al Qaeda. Consta igualmente que o grupo extremista nigeriano Boko Haram e o Movimento para a Unidade e Jihad da &Aacute;frica Ocidental t&ecirc;m estado a actuar na regi&atilde;o. <\/p>\n<p>Numa altura em que os residentes denunciam cada vez mais a presen&ccedil;a de estrangeiros nas fileriras dos islamistas, crescem os receios que o objectivo de Ag Ghali de criar um estado isl&acirc;mico seja alcan&ccedil;ado mais cedo do que o esperado. Muitas mulheres do Mali, que gozam de liberdade e igualdade relativas por compara&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres noutros pa&iacute;ses na regi&atilde;o, est&atilde;o preocupadas que esta liberdade tenha os dias contados. <\/p>\n<p>&quot;Desde que estes grupos chegaram, mal vamos &agrave; rua, estamos aterrorizadas com o que pode acontecer se nos esquecermos de fazer algo que eles exigirem&quot; disse &agrave; IPS uma comerciante de 40 anos no mercado de Timbuktu, que tamb&eacute;m quis manter o anonimato. <\/p>\n<p>&quot;Trabalhei no mercado toda a minha vida, &eacute; dessa forma que alimento os meus filhos, como &eacute; que posso parar agora? Mesmo se me derem autoriza&ccedil;&atilde;o para trabalhar, n&atilde;o estou habituada a estar sentada todo o dia debaixo de um sol abrasador coberta da cabe&ccedil;a aos p&eacute;s.&quot; <\/p>\n<p>Foi noticiado que o Ansar Dine e outros grupos islamistas t&ecirc;m ido de porta em porta ordenando &agrave;s mulheres que usem v&eacute;us e respeitem a lei isl&acirc;mica. Visitaram cabeleireiras e destru&iacute;ram fotografias de mulheres sem v&eacute;us, encerraram bord&eacute;is e proibiram a venda de bebidas alco&oacute;licas. <\/p>\n<p>Embora n&atilde;o tenha havido not&iacute;cias de mulheres castigadas pelo Ansar Dine por n&atilde;o aderirem &agrave; lei sharia, as mulheres na regi&atilde;o t&ecirc;m cada vez mais receio da possibilidade de come&ccedil;arem a s&ecirc;-lo se o grupo islamista conquistar mais controlo. <\/p>\n<p>Os alimentos, electricidade e infra-estruturas tamb&eacute;m foram severamente afectados pelo conflito. Em muitas cidades, escasseiam os alimentos e a &aacute;gua, sendo dif&iacute;cil para os civis receber ajuda humanit&aacute;ria.<\/p>\n<p>&quot;A vulnerabilidade das mulheres no norte est&aacute; a aumentar devido &agrave; falta de cuidados m&eacute;dicos, &agrave; n&atilde;o exist&ecirc;ncia de instui&ccedil;&otilde;es ligadas ao estado de direito e &agrave; reduzida assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria que poderia atenuar o seu sofrimento e impedir abusos adicionais,&quot; referiu Dufka.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NIAMEY, 17\/05\/2012 &ndash; Um crescente n&uacute;mero de mulheres no Mali est&aacute; a ser violado por rebeldes tuaregues e por grupos armados que t&ecirc;m atravessado o norte do Mali desde o in&iacute;cio do ano, depois de terem expulsado todos as tropas governamentais da regi&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/africa\/grupos-armados-no-norte-do-mali-esto-a-violar-mulheres\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":465,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-9936","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/465"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9936\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}