{"id":9944,"date":"2012-05-17T14:19:23","date_gmt":"2012-05-17T14:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9944"},"modified":"2012-05-17T14:19:23","modified_gmt":"2012-05-17T14:19:23","slug":"insegurana-alimentar-afeta-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/africa\/insegurana-alimentar-afeta-angola\/","title":{"rendered":"Inseguran&ccedil;a alimentar afeta Angola"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 17\/05\/2012 &ndash; Milh&otilde;es de fam&iacute;lias pobres de Angola n&atilde;o t&ecirc;m certeza de levar algo &agrave; boca tr&ecirc;s vezes ao dia, devido a uma prolongada seca que destruiu colheitas e matou gado em vastas &aacute;reas do pa&iacute;s. <!--more--> Estima-se que cerca de 500 mil crian&ccedil;as sofrem desnutri&ccedil;&atilde;o severa por culpa do colapso da produ&ccedil;&atilde;o alimentar em raz&atilde;o da seca registrada no primeiro trimestre do ano. Nas comunidades mais afetadas est&atilde;o sendo instalados centros de alimenta&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>As centrais provinciais de Huambo, Bie e Benguela, e de Zaire, ao norte, s&atilde;o as mais prejudicadas, mas em todo o territ&oacute;rio nacional sofrem tanto os pequenos como os grandes agricultores. Os rendimentos agr&iacute;colas cairam at&eacute; 70% em v&aacute;rios lugares. Algumas reportagens informam que h&aacute; agricultores de subsist&ecirc;ncia que abandonam suas terras em busca de emprego em povoados e cidades para alimentar suas fam&iacute;lias. Al&eacute;m disso, os grandes estabelecimentos rurais comerciais demitem funcion&aacute;rios porque j&aacute; n&atilde;o h&aacute; o que colher.<\/p>\n<p>Apesar da enorme riqueza petrol&iacute;fera de Angola e do progn&oacute;stico do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), que prev&ecirc; expans&atilde;o de 9,7% do produto interno bruto este ano, quase dois ter&ccedil;os das fam&iacute;lias rurais vivem com menos de US$ 1,75 por dia. Mais de quatro d&eacute;cadas de guerra (1961-2002) deixaram o pa&iacute;s com um dos &iacute;ndices de mortalidade infantil mais altos do mundo: 20% das crian&ccedil;as morrem antes de completar cinco anos. A dieta de m&aacute; qualidade &eacute; um fator crucial dessa mortalidade, e, segundo a &uacute;ltima Pesquisa Nacional de Nutri&ccedil;&atilde;o, realizada em 2007, quase 30% dos menores de cinco anos sofrem alguma atrofia, mais de 8% de emagrecimento extremo, e cerca de 16% t&ecirc;m baixo peso.<\/p>\n<p>Koen Vanormelingen, representante do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) em Angola, explicou que a m&aacute; colheita deste ano j&aacute; fez v&iacute;timas entre as crian&ccedil;as mais vulner&aacute;veis. &quot;Esta popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; vivia no limite e fazia um grande esfor&ccedil;o para sobreviver, mas, enquanto antes tinha uma dieta variada de tr&ecirc;s refei&ccedil;&otilde;es por dia, agora tem apenas uma, talvez duas, e restrita a uma sele&ccedil;&atilde;o muito pobre de mandioca e bananas&quot;, detalhou Vanormelingen. &quot;&Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o muito s&eacute;ria e estamos muito preocupados porque vemos um aumento significativo da desnutri&ccedil;&atilde;o e da mortalidade em raz&atilde;o da desnutri&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O governo destinou US$ 43 milh&otilde;es a uma campanha de emerg&ecirc;ncia, que incluir&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos, &aacute;gua, sementes e outros insumos agr&iacute;colas para ajudar os agricultores. Al&eacute;m disso, foram importadas 40 toneladas de um alimento refor&ccedil;ado &agrave; base de amendoim, com apoio da Funda&ccedil;&atilde;o Clinton. O carregamento est&aacute; pronto para ser enviado aos centros de alimenta&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia que est&atilde;o sendo instalados em todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&quot;Isto n&atilde;o &eacute; fome, mas inseguran&ccedil;a alimentar&quot;, esclareceu Vanormelingen. &quot;H&aacute; comida dispon&iacute;vel. O problema &eacute; que, como n&atilde;o se produz tantos alimentos, &eacute; preciso comprar mais&quot;, afirmou. &quot;Como sua produ&ccedil;&atilde;o diminuiu, sua renda tamb&eacute;m caiu, e ent&atilde;o n&atilde;o t&ecirc;m dinheiro para comprar alimento. Como a oferta cai e a demanda aumenta, os pre&ccedil;os est&atilde;o subindo, em alguns casos em at&eacute; 100%&quot;, apontou.<\/p>\n<p>Este colapso da agricultura &eacute; um importante rev&eacute;s para Angola, que tenta desesperadamente insuflar brios a esse outrora pujante setor, destru&iacute;do por d&eacute;cadas de guerra. Para estimular a produ&ccedil;&atilde;o, no ano passado o governo lan&ccedil;ou um programa de microcr&eacute;ditos no valor de US$ 150 milh&otilde;es, destinado aos pequenos agricultores para que pudessem comprar sementes e fertilizantes. Por&eacute;m, agora que os rendimentos s&atilde;o t&atilde;o baixos, muitas fam&iacute;lias lutam para pagar as d&iacute;vidas.<\/p>\n<p>A Uni&atilde;o Nacional de Associa&ccedil;&atilde;o de Camponeses Angolanos, que re&uacute;ne as cooperativas agr&iacute;colas, informou que o governo ajudar&aacute; quanto aos pagamentos com os bancos comerciais que concederam os empr&eacute;stimos. No entanto, Belarmino Jelembi, diretor da A&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento Rural e o Meio Ambiente, alertou que &quot;o governo tem de ser extremamente cuidadoso nesse manejo, porque, se n&atilde;o o fizer bem, todo o programa poder&aacute; fracassar. Temos que fazer mais para apoiar os pequenos agricultores com ferramentas b&aacute;sicas de irriga&ccedil;&atilde;o, assim n&atilde;o depender&atilde;o tanto das chuvas&quot;, opinou.<\/p>\n<p>Abrantes Carlos, diretor provincial do Minist&eacute;rio da Agricultura em Benguela, onde cerca de cem mil fam&iacute;lias est&atilde;o em inseguran&ccedil;a alimentar, concorda que s&atilde;o necess&aacute;rios mais sistemas de irriga&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel. &quot;Na prov&iacute;ncia temos grandes rios, mas n&atilde;o estamos administrando nossos fornecimentos e n&atilde;o temos dados precisos sobre quanta &aacute;gua h&aacute; dispon&iacute;vel&quot;, declarou &agrave; IPS. Segundo o diretor provincial, a falta de &aacute;gua na prov&iacute;ncia, onde muitos rios secaram, foi a pior da &aacute;rea em 30 anos, e pela primeira vez desde o fim da guerra, em 2002, se planejou a ajuda alimentar &agrave;s fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>&quot;Neste momento a popula&ccedil;&atilde;o ainda tem alimentos, mas &eacute; prov&aacute;vel que nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s meses a situa&ccedil;&atilde;o piore&quot;, alertou Carlos. O governo ajuda a perfurar novos po&ccedil;os para encontrar &aacute;gua, e tamb&eacute;m distribui sementes para cultivos que podem crescer nos meses mais frios, como forma de melhorar a perspectiva da pr&oacute;xima colheita, acrescentou. Jelembi saudou o compromisso das autoridades em mat&eacute;ria de ajuda, mas advertiu que &quot;vemos muitos an&uacute;ncios sobre o que o governo far&aacute; para ajudar a popula&ccedil;&atilde;o afetada, e na pr&aacute;tica n&atilde;o se v&ecirc; grande coisa&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 17\/05\/2012 &ndash; Milh&otilde;es de fam&iacute;lias pobres de Angola n&atilde;o t&ecirc;m certeza de levar algo &agrave; boca tr&ecirc;s vezes ao dia, devido a uma prolongada seca que destruiu colheitas e matou gado em vastas &aacute;reas do pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/africa\/insegurana-alimentar-afeta-angola\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":123,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5,11,7],"tags":[21],"class_list":["post-9944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","category-saude","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9944\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}