{"id":9953,"date":"2012-05-21T09:48:42","date_gmt":"2012-05-21T09:48:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9953"},"modified":"2012-05-21T09:48:42","modified_gmt":"2012-05-21T09:48:42","slug":"mudana-climtica-o-norte-deve-pagar-a-conta-dizem-em-bonn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/mudana-climtica-o-norte-deve-pagar-a-conta-dizem-em-bonn\/","title":{"rendered":"MUDAN&Ccedil;A CLIM&Aacute;TICA: O Norte deve pagar a conta, dizem em Bonn"},"content":{"rendered":"<p>Bonn, Alemanha, 21\/05\/2012 &ndash; O Norte industrializado tem o dever &eacute;tico de assumir a maior carga na luta contra o aquecimento global, afirmaram cientistas por ocasi&atilde;o da nova sess&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (CMNUCC), que acontece nesta cidade alem&atilde;. <!--more--> O encontro come&ccedil;ou dia 15 e vai at&eacute; dia 25 de maio com participa&ccedil;&atilde;o de centenas de ativistas e delegados governamentais de todo o mundo.<\/p>\n<p>A CMNUCC, encarregada de cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es do Protocolo de Kyoto, organiza numerosos paineis em Bonn. A Conven&ccedil;&atilde;o tem a miss&atilde;o de preparar os debates necess&aacute;rios para alcan&ccedil;ar um novo tratado internacional para entrar em vigor no ano que vem. At&eacute; agora, apesar da forte press&atilde;o e das numerosas tentativas de se chegar a um acordo p&oacute;s-Kyoto, n&atilde;o existe consenso global sobre como continuar reduzindo as emiss&otilde;es de gases-estufa, causadores do aquecimento global.<\/p>\n<p>Durante as negocia&ccedil;&otilde;es que levaram &agrave; formula&ccedil;&atilde;o do Protocolo de Kyoto em 1997, os principais pa&iacute;ses do Norte industrial (incluindo os Estados Unidos, que depois se retiraram do acordo) aceitaram reduzir suas emiss&otilde;es em 5,2%, em m&eacute;dia, no per&iacute;odo 2008-2012, com rela&ccedil;&atilde;o aos n&iacute;veis de 1990.<\/p>\n<p>As discuss&otilde;es organizadas pela CMNUCC s&atilde;o, em geral, pouco eficazes devido aos longos processos burocr&aacute;ticos. Os debates se prolongam e as sess&otilde;es geralmente s&atilde;o muito complicadas.<\/p>\n<p>Em Bonn, por exemplo, re&uacute;nem-se diariamente o &oacute;rg&atilde;o subsidi&aacute;rio para implanta&ccedil;&atilde;o, o &oacute;rg&atilde;o subsidi&aacute;rio para assessoramento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico, os grupos de trabalho ad hoc sobre a&ccedil;&atilde;o cooperativa de longo prazo e sobre futuros compromissos dos pa&iacute;ses industrializados. Cada um destes grupos representa anos de pesquisa sobre a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Um painel sobre acesso ao desenvolvimento sustent&aacute;vel, realizado no dia 16 de maio nesta cidade, refletiu um pouco desse conhecimento acumulado.<\/p>\n<p>Durante o painel, v&aacute;rios cientistas explicaram a evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e alertaram para as consequ&ecirc;ncias &eacute;ticas. Para os especialistas, a carga da mitiga&ccedil;&atilde;o do aquecimento global e do desenvolvimento sustent&aacute;vel deve ser distribu&iacute;da de forma equitativa entre as na&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Um dos palestrantes, Martin Khor, diretor-executivo do Centro do Sul, com sede em Genebra, destacou que na luta por um acordo internacional &quot;tr&ecirc;s aspectos devem estar na base simultaneamente: o imperativo ambiental, o imperativo de desenvolvimento e o imperativo de igualdade&quot;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m insistiu que o estabelecimento de uma meta global para redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es deve considerar a responsabilidade espec&iacute;fica e diferenciada dos pa&iacute;ses do Norte industrializado, os maiores contribuintes para o fen&ocirc;meno, e das na&ccedil;&otilde;es do Sul em desenvolvimento, as mais afetadas.<\/p>\n<p>Segundo Khor, a Conven&ccedil;&atilde;o reconhece &quot;o princ&iacute;pio de igualdade, segundo o qual os pa&iacute;ses industrializados devem liderar a redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es, enquanto os do Sul t&ecirc;m imperativos de desenvolvimento e, portanto, sua capacidade de realizar a&ccedil;&otilde;es sobre o clima depende do grau de apoio que recebem&quot; das na&ccedil;&otilde;es ricas.<\/p>\n<p>Em outras palavras, &quot;os pa&iacute;ses do Anexo I (do Protocolo de Kyoto, isto &eacute;, os industrializados) ter&atilde;o que cobrir os acordados custos adicionais da implanta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas nas na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento&quot;, disse Khor claramente.<\/p>\n<p>O especialista recordou que, desde o come&ccedil;o do per&iacute;odo de industrializa&ccedil;&atilde;o na Europa ocidental, Am&eacute;rica do Norte, Austr&aacute;lia e Jap&atilde;o at&eacute; 2009 foram liberadas cerca de 1.280 gigatoneladas de di&oacute;xido de carbono, desatando o atual processo de aquecimento global.<\/p>\n<p>Cientistas calculam que para conseguir uma probabilidade de 67% de que as temperaturas globais n&atilde;o aumentar&atilde;o mais do que dois graus (o que teria consequ&ecirc;ncias catastr&oacute;ficas) as emiss&otilde;es entre 2010 e 2050 devem ser mantidas abaixo das 750 gigatoneladas. Para aumentar essa probabilidade para 75%, as emiss&otilde;es de carbono para o mesmo per&iacute;odo devem ser de 600 gigatoneladas.<\/p>\n<p>Khor afirmou que as estimativas existentes para uma &quot;distribui&ccedil;&atilde;o justa&quot; das emiss&otilde;es permitidas entre os pa&iacute;ses do Norte e os do Sul consideram o tamanho das popula&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s libera&ccedil;&otilde;es de gases-estufa realizadas entre 1850 e 2008. &quot;As emiss&otilde;es globais acumuladas totalizaram cerca de 1.214 gigatoneladas nesse per&iacute;odo&quot;, acrescentou. Os pa&iacute;ses do Anexo I foram respons&aacute;veis por 878 gigatoneladas, ou seja, 72%.<\/p>\n<p>Considerando que as na&ccedil;&otilde;es industrializadas tiveram apenas 25% da popula&ccedil;&atilde;o mundial nesse per&iacute;odo, o Norte &quot;se excedeu&quot; em 568 gigatoneladas. &quot;Os pa&iacute;ses industriais ainda est&atilde;o acumulando uma d&iacute;vida, pois suas emiss&otilde;es como grupo em 2009 tamb&eacute;m excederam sua parte correspondente&quot;, afirmou Khor.<\/p>\n<p>Sivan Katha, cientista do Instituto de Meio Ambiente de Estocolmo, destacou tr&ecirc;s componentes para um acesso equitativo ao desenvolvimento sustent&aacute;vel. &quot;Em primeiro lugar, o pico de emiss&otilde;es globais (e sua consequente taxa de redu&ccedil;&atilde;o) deve ser consistente com a meta de manter o aquecimento da Terra abaixo do n&iacute;vel m&aacute;ximo acordado&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, &quot;cada pa&iacute;s deve ter uma cota justa de gases-estufa remanescente, pois isto determinar&aacute; a rapidez com que as libera&ccedil;&otilde;es nacionais chegar&atilde;o ao seu pico m&aacute;ximo e dever&atilde;o come&ccedil;ar a cair&quot;. Finalmente, &quot;cada pa&iacute;s deve tamb&eacute;m ter adequados meios financeiros e tecnol&oacute;gicos para se manter dentro desse cota de gases-estufa, sem comprometer a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza e as necessidades de desenvolvimento&quot;.<\/p>\n<p>Para ilustrar a desigualdade global, Kartha recordou que enquanto os pa&iacute;ses do Norte possuem renda por habitante entre US$ 30 mil e US$ 42 mil anuais, enquanto as economias emergentes do Sul poder&atilde;o chegar a ter renda por habitante de US$ 15 mil em 2050. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bonn, Alemanha, 21\/05\/2012 &ndash; O Norte industrializado tem o dever &eacute;tico de assumir a maior carga na luta contra o aquecimento global, afirmaram cientistas por ocasi&atilde;o da nova sess&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (CMNUCC), que acontece nesta cidade alem&atilde;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/mudana-climtica-o-norte-deve-pagar-a-conta-dizem-em-bonn\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[],"class_list":["post-9953","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9953"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9953\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}