{"id":9960,"date":"2012-05-22T08:45:05","date_gmt":"2012-05-22T08:45:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9960"},"modified":"2012-05-22T08:45:05","modified_gmt":"2012-05-22T08:45:05","slug":"reportagem-hidreltrica-de-belo-monte-tambm-sob-fogo-amigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/reportagem-hidreltrica-de-belo-monte-tambm-sob-fogo-amigo\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Hidrel&eacute;trica de Belo Monte tamb&eacute;m sob fogo amigo"},"content":{"rendered":"<p>S&Atilde;O PAULO, Brasil, 22\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- As hidrel&eacute;tricas de fio de &aacute;gua, como Belo Monte, s&atilde;o fator de maior inseguran&ccedil;a energ&eacute;tica para o Brasil, afirmam executivos do setor el&eacute;trico.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9960\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/578_Xingu6_donde_hay_orillas_son_islas_MarioOsavaIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9960\" class=\"size-medium wp-image-9960\" title=\"As margens cobertas de selva s&atilde;o, na realidade, ilhas do Rio Xingu - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/578_Xingu6_donde_hay_orillas_son_islas_MarioOsavaIPS.jpg\" alt=\"As margens cobertas de selva s&atilde;o, na realidade, ilhas do Rio Xingu - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9960\" class=\"wp-caption-text\">As margens cobertas de selva s&atilde;o, na realidade, ilhas do Rio Xingu - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  Os que decidiram o projeto final das hidrel&eacute;tricas de Belo Monte responder&atilde;o no futuro a julgamentos por danos provocados. Seria natural que esta afirma&ccedil;&atilde;o viesse dos ambientalistas, mas procede de seus opostos, os adeptos decididos da energia hidr&aacute;ulica.<\/p>\n<p>&quot;Belo Monte &eacute; um mau projeto, que n&atilde;o atende as exig&ecirc;ncias ambientais nem as energ&eacute;ticas&quot;, declarou ao Terram&eacute;rica o f&iacute;sico Jos&eacute; Goldemberg, um dos destaques brasileiros em mat&eacute;ria de energia e ecologia, para justificar a crescente rejei&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos e empres&aacute;rios do setor el&eacute;trico &agrave; op&ccedil;&atilde;o do governo por centrais a &quot;fio de &aacute;gua&quot;.<\/p>\n<p>Este tipo de hidrel&eacute;trica est&aacute; projetado para n&atilde;o alterar o regime fluvial, limitando o tamanho de suas represas, em resposta &agrave;s press&otilde;es ambientais. Em consequ&ecirc;ncia, durante os per&iacute;odos secos ficam sem reservas h&iacute;dricas para operar com uma carga razo&aacute;vel. &quot;Estamos aumentando a capacidade instalada&quot; de gera&ccedil;&atilde;o, mas o &quot;armazenamento h&iacute;drico est&aacute; parado desde a d&eacute;cada de 1980&quot;, e isto preocupa, alertou Nelson Hubner, diretor-geral da Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica, &oacute;rg&atilde;o regulador estatal.<\/p>\n<p>&quot;A energia armazenada&quot; nas represas n&atilde;o acompanhou a demanda, o que torna &quot;imposs&iacute;vel&quot; manter o fornecimento de hidreletricidade em um ano de seca, disse Hubner na Segunda C&uacute;pula Latino-Americana de Hidreletricidade (Hydropower Summit Latin America), realizada dias 9 e 10 deste m&ecirc;s em S&atilde;o Paulo pela Business News Americas, empresa de informa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e neg&oacute;cios com sede em Santiago.<\/p>\n<p>No encontro, que reuniu dezenas de dirigentes de empresas estatais e privadas, houve muitas cr&iacute;ticas ao modelo das novas hidrel&eacute;tricas, apontando-as como fator de maior inseguran&ccedil;a energ&eacute;tica para o Brasil. &quot;As gera&ccedil;&otilde;es futuras cobrar&atilde;o o fato de se reduzir a diversidade e de n&atilde;o se fazer reservat&oacute;rios&quot; nos projetos atuais, afirmou Jos&eacute; Marques Filho, assistente de meio ambiente e cidadania empresarial da Companhia Paranaense de Energia, controlada pelo governo do Paran&aacute;.<\/p>\n<p>Ao renunciar a essa &quot;bateria de longa dura&ccedil;&atilde;o&quot;, como definiu as represas outro participante do encontro, o Brasil tem que multiplicar suas centrais termoel&eacute;tricas movidas a combust&iacute;vel f&oacute;ssil, mais contaminantes, mas que n&atilde;o est&atilde;o sob ataque dos ambientalistas, queixam-se os barrageiros (construtores de barragens e represas) e seus partid&aacute;rios.<\/p>\n<p>A represa de Belo Monte, cuja constru&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou em 2011 no amaz&ocirc;nico Rio Xingu, inundar&aacute; 516 quil&ocirc;metros quadrados, apenas 42% da &aacute;rea prevista no projeto original elaborado nos anos 1980 e que foi substitu&iacute;do na d&eacute;cada passada pelo novo formato.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, sua capacidade de gera&ccedil;&atilde;o, 11.233 megawatts, s&oacute; ser&aacute; efetiva durante as breves cheias m&aacute;ximas do rio. Nas secas ser&aacute; dif&iacute;cil produzir eletricidade, porque o fluxo h&iacute;drico do Xingu pode cair de 30 mil metros c&uacute;bicos por segundo, em mar&ccedil;o e abril, para menos de 500 metros c&uacute;bicos em um m&ecirc;s seco como outubro.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; preciso acostumar-se &agrave;s hidrel&eacute;tricas sem grandes represas&quot;, porque &quot;o meio ambiente assim exige&quot; e a Amaz&ocirc;nia, que concentra o potencial hidrel&eacute;trico brasileiro, &eacute; plana, com poucos pontos onde acumular &aacute;gua sem inundar extensas florestas, explicou Maur&iacute;cio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energ&eacute;tica, que orienta o Minist&eacute;rio de Minas e Energia.<\/p>\n<p>Belo Monte, localizada ao final de um c&acirc;nion, &eacute; um desses lugares. Ali, uma grande represa inundaria dois territ&oacute;rios ind&iacute;genas onde vivem pouco mais de 200 pessoas. &quot;Isso foi determinante&quot; para modificar seu desenho, admitiu Tolmasquim ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>No entanto, a decis&atilde;o n&atilde;o evitou que Belo Monte fosse alvo da mais ampla mobiliza&ccedil;&atilde;o contra um projeto energ&eacute;tico no Brasil, com participa&ccedil;&atilde;o de ecologistas, ativistas sociais, ind&iacute;genas e celebridades de telenovelas e do cinema internacional, que condenam a central por seus danos e supostas viola&ccedil;&otilde;es de regras ambientais.<\/p>\n<p>O aproveitamento dos rios amaz&ocirc;nicos deveria come&ccedil;ar por &quot;hidrel&eacute;tricas menores, de 500 megawatts&quot;, disse Goldemberg, professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) que presidiu v&aacute;rias empresas energ&eacute;ticas estatais e era secret&aacute;rio nacional de Meio Ambiente quando a cidade do Rio de Janeiro foi sede da C&uacute;pula da Terra, em 1992.<\/p>\n<p>Em sua opini&atilde;o, o governo &quot;perdeu uma grande oportunidade&quot; de tomar melhores decis&otilde;es ao n&atilde;o conversar com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), organiza&ccedil;&atilde;o de ambientalistas &quot;mais sofisticados&quot;, que recomendava implantar hidrel&eacute;tricas em rios que oferecessem mais facilidades do que o Xingu. Os conflitos que &agrave;s vezes paralisam a constru&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas no Brasil op&otilde;em &quot;uma pequena popula&ccedil;&atilde;o local, organizada e &agrave;s vezes instrumentalizada&quot;, de alguns milhares de pessoas, a um milh&atilde;o de beneficiados pela energia, mas que est&atilde;o distantes e dispersos, destacou Goldemberg.<\/p>\n<p>O que se precisa &eacute; de &quot;bons projetos&quot;, transparentes e que se cuide de todos os impactos sociais e ambientais, segundo o &quot;novo modelo&quot;, e cabe ao governo &quot;mediar e explicar&quot; para dirimir o conflito, considerando essa despropor&ccedil;&atilde;o entre cr&iacute;ticos e benefici&aacute;rios, de aproximadamente &quot;um para cem&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>H&aacute; situa&ccedil;&otilde;es muito mais complexas na &Aacute;sia, onde as popula&ccedil;&otilde;es afetadas s&atilde;o imensas, pela densidade demogr&aacute;fica de pa&iacute;ses como a &Iacute;ndia, comparou Goldemberg, que conheceu casos variados como membro da Comiss&atilde;o Mundial de Represas, que, em 2000, produziu um informe detalhando os danos provocados por essas obras e os requerimentos para sua constru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para os barrageiros, a quest&atilde;o ecol&oacute;gica se converteu em obst&aacute;culo &agrave; expans&atilde;o da hidreletricidade no Brasil. Por outro lado, a energia e&oacute;lica experimenta um grande impulso em boa parte porque seus competidores hidrel&eacute;tricos n&atilde;o obt&eacute;m h&aacute; anos licen&ccedil;as das autoridades ambientais, indicou Tolmasquim.<\/p>\n<p>Para superar esse impasse, ser&aacute; necess&aacute;rio um &quot;pacto social&quot;, segundo Marques Filho, da Companhia Paranaense de Energia. Um &quot;di&aacute;logo entre todos os atores&quot;, que n&atilde;o pode limitar-se a ambientalistas de um lado e construtores de outro, ressaltou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S&Atilde;O PAULO, Brasil, 22\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- As hidrel&eacute;tricas de fio de &aacute;gua, como Belo Monte, s&atilde;o fator de maior inseguran&ccedil;a energ&eacute;tica para o Brasil, afirmam executivos do setor el&eacute;trico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/reportagem-hidreltrica-de-belo-monte-tambm-sob-fogo-amigo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[21],"class_list":["post-9960","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9960"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9960\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}