{"id":9964,"date":"2012-05-22T11:32:09","date_gmt":"2012-05-22T11:32:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9964"},"modified":"2012-05-22T11:32:09","modified_gmt":"2012-05-22T11:32:09","slug":"estados-querem-recuperar-a-oms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/estados-querem-recuperar-a-oms\/","title":{"rendered":"Estados querem recuperar a OMS"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 22\/05\/2012 &ndash; As privatiza&ccedil;&otilde;es arrasaram h&aacute; tempos com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), por isso chegou a hora de recuperar seu car&aacute;ter p&uacute;blico, afirmam especialistas por ocasi&atilde;o do encontro global que esta ag&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) realiza desta segunda, 21 de maio, at&eacute; s&aacute;bado, 26, em Genebra. <!--more--> Assim, a reforma da OMS &eacute; um dos temas centrais da ordem do dia da Assembleia Mundial da Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Em conjunto, os 194 membros da OMS contribuem com apenas cerca de 20% dos recursos totais, aproximadamente US$ 4 bilh&otilde;es, gastos anualmente com pessoal e projetos de sa&uacute;de. O restante, a parte grossa do or&ccedil;amento, prov&eacute;m de doa&ccedil;&otilde;es de particulares e de projetos financiados pro algumas na&ccedil;&otilde;es industrializadas que se reservam o direito de escolher o destino de seus investimentos.<\/p>\n<p>Dessa forma, as contribui&ccedil;&otilde;es regulares dos Estados membros bastam apenas para cobrir sal&aacute;rios e encargos sociais de aproximadamente oito mil funcion&aacute;rios que trabalham na sede da OMS. Assim, os governos, particularmente os do Sul em desenvolvimento, se converteram em simples assistentes no cen&aacute;rio onde s&atilde;o tomadas as decis&otilde;es a respeito da sa&uacute;de mundial.<\/p>\n<p>Grandes sociedades caritativas, como a Funda&ccedil;&atilde;o Bill e Melinda Gates, entregam voluntariamente quantias multimilion&aacute;rias, mas que s&oacute; custeiam projetos afins com seus interesses, denunciam os analistas. Todos os doadores nos &uacute;ltimos sete anos deram dinheiro para assuntos que n&atilde;o s&atilde;o prioridades, que lhes interessam por motivos bons ou ruins, mas que por sua natureza n&atilde;o s&atilde;o do mandato da OMS, afirmou &agrave; IPS o especialista Germ&aacute;n Vel&aacute;squez, assessor do Centro Sul.<\/p>\n<p>A OMS est&aacute; praticamente privatizada, criticou Vel&aacute;squez, que at&eacute; dois anos atr&aacute;s tinha fun&ccedil;&otilde;es executivas nessa organiza&ccedil;&atilde;o. Ele sugere aplicar um plano progressivo para, no prazo de cinco, oito ou 10 anos, se recuperar o car&aacute;ter p&uacute;blico desta ag&ecirc;ncia, para que os ministros da Sa&uacute;de do mundo inteiro retomem o poder e possam fixar prioridades.<\/p>\n<p>Vel&aacute;squez acrescentou que &quot;uma coisa da qual a Secret&aacute;ria da OMS n&atilde;o quer ouvir falar, mas os pa&iacute;ses t&ecirc;m que dizer, &eacute; que aqui a primeira e mais urgente reforma &eacute; recuperar o car&aacute;ter p&uacute;blico e multilateral&quot;. O plano sugerido permitiria aumentar de forma paulatina a quantia do or&ccedil;amento regular, &quot;que &eacute; os Estados podem controlar&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O diretor de Estrat&eacute;gia da OMS, Andrew Cassels, exp&ocirc;s o problema em outros termos. &quot;N&atilde;o podemos continuar com esta situa&ccedil;&atilde;o em que os Estados membros fixam os objetivos e depois s&oacute; respondem por 20% do or&ccedil;amento, proveniente de suas cotas. Temos que conseguir o restante&quot;, afirmou. &quot;Por isso, decidimos que se queremos contar com uma ag&ecirc;ncia da ONU sobre sa&uacute;de que seja verdadeiramente respons&aacute;vel precisamos vincular a responsabilidade de estabelecer objetivos com a responsabilidade de financiar os trabalhos que nos far&atilde;o alcan&ccedil;&aacute;-los&quot;, acrescentou Cassels.<\/p>\n<p>Vel&aacute;squez estima que o mundo industrializado que contribui voluntariamente deve aceitar que, por uma decis&atilde;o da Assembleia Mundial da Sa&uacute;de, esses fundos se convertam em contribui&ccedil;&otilde;es regulares. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento, sobretudo os emergentes, tamb&eacute;m teriam que aumentar suas contribui&ccedil;&otilde;es regulares, ressaltou este especialista do Centro Sul, um instituto intergovernamental de pesquisa com sede em Genebra.<\/p>\n<p>Outro tema importante a ser examinado durante o encontro desta semana &eacute; a proposta de ado&ccedil;&atilde;o de um tratado que regule a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos para serem atendidas as necessidades das popula&ccedil;&otilde;es do sul. Para Vel&aacute;squez, o atual sistema de pesquisa e desenvolvimento de produtos farmac&ecirc;uticos fracassa na entrega de rem&eacute;dios para os maiores setores da popula&ccedil;&atilde;o mundial, em particular para os que vivem nas na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o nesses pa&iacute;ses reclama a&ccedil;&otilde;es urgente, defendeu Vel&aacute;squez. As doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis ainda causam anualmente dez milh&otilde;es de mortes, sendo que 90% dessas v&iacute;timas residem no mundo em desenvolvimento, acrescentou. Um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o mundial carece de acesso aos medicamentos que necessita, e a situa&ccedil;&atilde;o piora nos pa&iacute;ses menos desenvolvidos, onde 50% de seus habitantes n&atilde;o t&ecirc;m acesso a esses rem&eacute;dios imprescind&iacute;veis.<\/p>\n<p>Um grupo de trabalho integrado por especialistas de todas as regi&otilde;es do mundo elaborou um informe sobre o problema. Nele recomenda &agrave; OMS iniciar negocia&ccedil;&otilde;es para a ado&ccedil;&atilde;o de um tratado internacional vinculante sobre pesquisa e desenvolvimento de produtos farmac&ecirc;uticos. Um dos pontos principais do informe sugere desvincular o pre&ccedil;o dos medicamentos destinados a essas popula&ccedil;&otilde;es do Sul do custo das atividades de pesquisa e desenvolvimento dos produtos farmac&ecirc;uticos.<\/p>\n<p>Em termos de medicamentos, esse informe &eacute; o documento mais importante j&aacute; produzido pela OMS nos &uacute;ltimos 30 anos, constatou Vel&aacute;squez.<\/p>\n<p>A proposta do grupo de especialistas ser&aacute; debatida esta semana pela Assembleia que, entre outros temas, dever&aacute; aprovar ou rejeitar a reelei&ccedil;&atilde;o da diretora-geral da OMS, Margaret Chan, por mais cinco anos, como proposto pelo Conselho Executivo da ag&ecirc;ncia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 22\/05\/2012 &ndash; As privatiza&ccedil;&otilde;es arrasaram h&aacute; tempos com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), por isso chegou a hora de recuperar seu car&aacute;ter p&uacute;blico, afirmam especialistas por ocasi&atilde;o do encontro global que esta ag&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) realiza desta segunda, 21 de maio, at&eacute; s&aacute;bado, 26, em Genebra. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/estados-querem-recuperar-a-oms\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11,7],"tags":[21],"class_list":["post-9964","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","category-saude","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9964\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}