{"id":9989,"date":"2012-05-28T09:07:07","date_gmt":"2012-05-28T09:07:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9989"},"modified":"2012-05-28T09:07:07","modified_gmt":"2012-05-28T09:07:07","slug":"economia-argentina-acusa-o-golpe-do-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/economia-argentina-acusa-o-golpe-do-norte\/","title":{"rendered":"Economia argentina acusa o golpe do Norte"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 28\/05\/2012 &ndash; A crise econ&ocirc;mico-financeira do mundo industrializado e limita&ccedil;&otilde;es internas afetam a Argentina, que come&ccedil;a a dar sinais de deteriora&ccedil;&atilde;o, como a redu&ccedil;&atilde;o do forte crescimento registrado na &uacute;ltima d&eacute;cada, que em 2011 chegou a 8,9%. <!--more--> Os especialistas coincidem em afirmar que essa desacelera&ccedil;&atilde;o da economia se expressa principalmente na queda da produ&ccedil;&atilde;o e do investimento bruto fixo, que se arrastam desde fins do ano passado, cujos impactos ser&atilde;o sentidos nos pr&oacute;ximos meses.<\/p>\n<p>&quot;S&oacute; o que continua crescendo bem &eacute; o setor banc&aacute;rio e o consumo devido ao cr&eacute;dito, mas a crise internacional est&aacute; se fazendo sentir&quot;, disse &agrave; IPS o economista Fausto Spotorno, do Centro de Estudos Econ&ocirc;micos Orlando Ferreres e Associados. Segundo declarou, os principais mercados para as exporta&ccedil;&otilde;es argentinas, que s&atilde;o Brasil, China e Uni&atilde;o Europeia, est&atilde;o diante de uma desacelera&ccedil;&atilde;o mais ou menos acentuada, e alertou que isso tem impacto na produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o de F&aacute;bricas de Automotores da Argentina informou que em abril foram produzidos 54.772 ve&iacute;culos, contra 72.422 no mesmo m&ecirc;s de 2011, e, quanto &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es, 76% das quais t&ecirc;m como destino o Brasil, ca&iacute;ram de 42.244 para 30.442 unidades. Dados do Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas e Censos (Indec) mostram que, no m&ecirc;s passado, se manteve o super&aacute;vit na balan&ccedil;a comercial, mas as vendas externas ca&iacute;ram 6% em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo m&ecirc;s de 2011 e as importa&ccedil;&otilde;es sofreram redu&ccedil;&atilde;o de 14% na mesma compara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades de acesso ao mercado financeiro que tem a Argentina desde a suspens&atilde;o de pagamentos de sua d&iacute;vida no final de 2001 e a posterior troca de b&ocirc;nus do Tesouro, o super&aacute;vit comercial e o fiscal se constitu&iacute;ram em pilares do modelo de crescimento no pa&iacute;s. Nas &uacute;ltimas semanas, o governo de Cristina Fern&aacute;ndez decidiu limitar as importa&ccedil;&otilde;es e mant&eacute;m limitada a compra de d&oacute;lares para o p&uacute;blico, medida esta que disparou uma corrida cambial e o auge de um mercado ilegal em que a divisa norte-americana &eacute; cotada 35% mais alta do que no c&acirc;mbio oficial.<\/p>\n<p>&quot;Este duplo mercado n&atilde;o pode se manter muito mais tempo&quot;, alertou, diante de consulta da IPS, o economista Mario Sotuyo, da consultoria Economia e Regi&otilde;es. Isto porque quanto mais se acentuam os controles, maior &eacute; a brecha entre a taxa de c&acirc;mbio do mercado legal e do ilegal. O governo resiste a permitir a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do peso, pelo impacto de alta que teria nos pre&ccedil;os internos. Segundo estimativas privadas, a infla&ccedil;&atilde;o est&aacute; aumentando acima dos 20% ao ano.<\/p>\n<p>Quanto &agrave;s contas fiscais, o Minist&eacute;rio da Economia informou que o balan&ccedil;o de abril apresentou super&aacute;vit de 42% menor do que em igual m&ecirc;s do ano passado, sem contar o pagamento de vencimentos da d&iacute;vida. Se estes forem contabilizados, n&atilde;o s&oacute; as contas apresentam d&eacute;ficit, como esse desequil&iacute;brio &eacute; 9% maior, o que redunda em uma queda das reservas internacionais destinadas ao pagamento da d&iacute;vida p&uacute;blica.<\/p>\n<p>O &uacute;ltimo boletim do Centro de Estudos onde Spotorno trabalha diz que o produto interno bruto registrou em abril crescimento interanual de apenas 0,6%, o que representa uma &quot;freada brusca&quot;, destacou. A consultoria tamb&eacute;m diz que a atividade econ&ocirc;mica manifesta &quot;fortes sinais de desgaste&quot; e que o &quot;modesto&quot; crescimento se mant&eacute;m gra&ccedil;as aos servi&ccedil;os (sobretudo bancos e com&eacute;rcio), mais do que pela produ&ccedil;&atilde;o de bens, que est&aacute; em retrocesso.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, o dado mais preocupante &eacute; a queda nos investimentos, que segundo o Centro foi de 16% interanual no m&ecirc;s passado. Este indicador antecipa um cen&aacute;rio no qual ser&aacute; dif&iacute;cil ver uma recupera&ccedil;&atilde;o da atividade geral no curto prazo. Sotuyo coincidiu quanto a produ&ccedil;&atilde;o e investimento serem os setores que apresentam de forma mais contundente a perda de dinamismo, e afirmou que o crescimento da atividade se mant&eacute;m gra&ccedil;as ao consumo interno. Contudo, este especialista entende que n&atilde;o h&aacute;, de imediato, risco de &quot;estagfla&ccedil;&atilde;o&quot;, fantasma que assusta a economia devido &agrave; combina&ccedil;&atilde;o de retra&ccedil;&atilde;o da atividade com uma infla&ccedil;&atilde;o que continua na casa dos dois d&iacute;gitos.<\/p>\n<p>Nem Spotorno nem Sotuyo acreditam que se esteja &agrave;s portas de uma recess&atilde;o. &quot;Provavelmente, caminhamos para uma aterrissagem lenta, com um n&iacute;vel de atividade que vai desacelerando, sem uma queda abrupta&quot;, descreveu Sotuyo. &quot;Este ano, o governo ainda tem margem porque, apesar de as contas fiscais estarem no amarelo, o Banco Central ainda possui um bom n&iacute;vel de reservas e n&atilde;o foi preciso ir ao mercado externo contrair d&iacute;vida para pagar compromissos&quot;, indicou.<\/p>\n<p>Spotorno tamb&eacute;m descarta a recess&atilde;o. Pelo menos n&atilde;o a vislumbra no horizonte pr&oacute;ximo. &quot;Creio que haver&aacute; uma rea&ccedil;&atilde;o da economia no segundo semestre e acabaremos crescendo cerca de 2% ao ano&quot;, previu. Esta proje&ccedil;&atilde;o &eacute; menos otimista do que a do governo, que, em 2011, ao apresentar o projeto de lei or&ccedil;ament&aacute;ria para 2012, prometeu crescimento de 5%. Tamb&eacute;m a meta oficial &eacute; menor do que a de 2011, mas nem tanto como afirmam alguns economistas.<\/p>\n<p>O Centro de Pesquisas em Finan&ccedil;as, da Universidade Torcuato Di Tella, &eacute; muito mais negativo em seus c&aacute;lculos. Este m&ecirc;s afirmou que a taxa de crescimento ser&aacute; negativa em 2012 e que as possibilidades de uma recess&atilde;o nos pr&oacute;ximos meses est&atilde;o em torno de 85%. Entre uma e outra previs&atilde;o, o Centro de Pesquisa e Forma&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Argentina (Cifra) tamb&eacute;m prev&ecirc; uma &quot;paulatina redu&ccedil;&atilde;o do crescimento&quot;.<\/p>\n<p>A Cifra explica o menor rendimento pelas consequ&ecirc;ncias da crise global &quot;inconclusa&quot; de 2008-2009, que agora est&aacute; tendo &quot;nova irrup&ccedil;&atilde;o&quot;, e mais concretamente no impacto da &quot;acentuada desacelera&ccedil;&atilde;o&quot; do Brasil, que come&ccedil;ou no final de 2010. A entidade resgata o fato de o emprego se manter est&aacute;vel, e comemora que, diante da alta infla&ccedil;&atilde;o, a evolu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio real seja positiva. Por&eacute;m, tamb&eacute;m reconhece que o investimento diminuiu de forma &quot;significativa&quot; em rela&ccedil;&atilde;o a 2011.<\/p>\n<p>Esta entidade, vinculada &agrave; Central de Trabalhadores Argentinos, de tend&ecirc;ncia centro-esquerda e uma das duas agrupa&ccedil;&otilde;es sindicais de terceiro grau do pa&iacute;s, expressa preocupa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m pelo desequil&iacute;brio fiscal. Recorda que as contas apresentaram super&aacute;vit, &quot;ainda que decrescente&quot;, entre 2003 e 2010, e a partir de 2011 come&ccedil;aram a ser deficit&aacute;rias. Em 2008 e 2009, diante do impacto da retra&ccedil;&atilde;o global, o Estado tinha mais recursos para medidas de incentivo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, destaca a consultoria. Agora, a crise cresce de novo e h&aacute; &quot;menor folga fiscal&quot; para enfrent&aacute;-la. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 28\/05\/2012 &ndash; A crise econ&ocirc;mico-financeira do mundo industrializado e limita&ccedil;&otilde;es internas afetam a Argentina, que come&ccedil;a a dar sinais de deteriora&ccedil;&atilde;o, como a redu&ccedil;&atilde;o do forte crescimento registrado na &uacute;ltima d&eacute;cada, que em 2011 chegou a 8,9%. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/economia-argentina-acusa-o-golpe-do-norte\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[],"class_list":["post-9989","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9989"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9989\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}