{"id":9995,"date":"2012-05-28T09:51:54","date_gmt":"2012-05-28T09:51:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9995"},"modified":"2012-05-28T09:51:54","modified_gmt":"2012-05-28T09:51:54","slug":"gana-autismo-relegado-para-plano-secundrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/africa\/gana-autismo-relegado-para-plano-secundrio\/","title":{"rendered":"Gana &#8211; Autismo &quot;relegado para plano secund&aacute;rio&quot;"},"content":{"rendered":"<p>ACRA, 28\/05\/2012 &ndash; &Agrave; primeira vista, Nortey Quaynor, de 29 anos, parece ser igual a qualquer outro Gan&ecirc;s. Contudo, se algu&eacute;m passar algum tempo com ele, percebe imediatamente que h&aacute; algo diferente. <!--more--> Ele evita o contacto visual e responde &agrave; maior parte das perguntas com uma s&oacute; palavra. &Agrave;s vezes cobre os ouvidos com as m&atilde;os para n&atilde;o ouvir os sons das crian&ccedil;as no parque de recreio ali perto. <\/p>\n<p>Quando ainda era crian&ccedil;a, Quaynor foi diagnosticado com autismo, um dist&uacute;rbio do desenvolvimento caracterizado por interac&ccedil;&otilde;es sociais deficientes.<\/p>\n<p>&quot;Nortey &eacute; boa pessoa mas s&oacute; se compreendermos o significado do autismo,&quot; afirmou Abeiku Grant, que ensinou Quaynor no Centro de Forma&ccedil;&atilde;o, Cuidados e Sensibiliza&ccedil;&atilde;o acerca do Autismo, em Acra, quando este era mais novo. <\/p>\n<p>&quot;Se n&atilde;o o fizermos, podemos v&ecirc;-lo como uma m&aacute; pessoa talvez porque, se lhe pedirmos que fa&ccedil;a algo, ele faz algo diferente,&quot; disse Grant &agrave; IPS. <\/p>\n<p>A m&atilde;e de Quaynor, Serwah Quaynor, criou o centro em 1998 porque n&atilde;o estava satisfeita com os poucos servi&ccedil;os dispon&iacute;veis para o seu filho neste pa&iacute;s da &Aacute;frica Ocidental. O centro &eacute; um local raro no Gana onde as crian&ccedil;as com autismo podem receber cuidados especiais e a aten&ccedil;&atilde;o de que necessitam. <\/p>\n<p>Segundo estimativas da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Cultura (UNESCO) relativas a 2009, havia 150.000 pessoas no Gana com autismo. A organiza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m notou que s&oacute; um a dois por cento das crian&ccedil;as deficientes que viviam nos pa&iacute;ses em desenvolvimento &eacute; que recebiam educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria b&aacute;sica. <\/p>\n<p>Mas Max Vardon, director executivo do Conselho Nacional do Gana para Pessoas Portadoras de Defici&ecirc;ncia, afirmou que as estat&iacute;sticas sobre as pessoas portadoras de defici&ecirc;ncia no Gana eram muito pouco fi&aacute;veis e que o n&uacute;mero real podia ser muito mais elevado. A sua organiza&ccedil;&atilde;o pretende angariar 13 milh&otilde;es de d&oacute;lares para poder realizar um censo nacional sobre a defici&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>&quot;A defici&ecirc;ncia foi relegada para plano secund&aacute;rio,&quot; disse Vardon. <\/p>\n<p>Relativamente a esta quest&atilde;o, o autismo n&atilde;o &eacute; diferente de qualquer outra defici&ecirc;ncia no Gana. <\/p>\n<p>&quot;Nunca ouvi dizer que o governo fizesse algo pelas crian&ccedil;as com autismo,&quot; disse Grant &agrave; IPS.<\/p>\n<p>O Centro de Forma&ccedil;&atilde;o, Cuidados e Sensibiliza&ccedil;&atilde;o acerca do Autismo recebe a maior parte do seu financiamento das propinas escolares. As crian&ccedil;as t&ecirc;m de pagar 300 Cedis (160 d&oacute;lares) para participarem nas aulas de segunda a sexta-feira. O centro oferece &agrave;s crian&ccedil;as autistas terapia da fala, terapia sensorial e musical. Possui um grupo de formadores que trabalham com os estudantes um-a-um para os ajudar a n&iacute;vel do seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>&quot;Algumas das crian&ccedil;as j&aacute; foram transferidas para escolas normais, referiu Baaba Enchill, um dos coordenadores no centro. <\/p>\n<p>Mas os casos de sucesso no centro est&atilde;o comprometidos devido &agrave; a constante falta de espa&ccedil;o e recursos. S&oacute; pode receber 30 estudantes e tem de rejeitar uma m&eacute;dia de duas ou tr&ecirc;s crian&ccedil;as por semana. H&aacute; algumas outras institui&ccedil;&otilde;es semelhantes no Gana mas todas elas enfrentam o mesmo problema. <\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos 40 anos, a Escola Especial Novo Horizonte, em Acra, tem proporcionado um espa&ccedil;o de aprendizagem para crian&ccedil;as com a s&iacute;ndrome de Down, paralisia cerebral e autismo. Tal como o Centro de Forma&ccedil;&atilde;o, Cuidados e Sensibiliza&ccedil;&atilde;o acerca do Autismo, a Escola Especial Novo Horizonte depende das propinas dos estudantes e donativos de doadores privados para manter as portas abertas. A maior parte dos seus 120 estudantes paga 500 Cedis (cerca de 265 d&oacute;lares) por per&iacute;odo escolar para ali estudar. <\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o recebemos nenhuma forma de apoio governamental,&quot; afirmou Vanessa Adu-Akorsah, administradora da Novo Horizonte. &quot;O nosso director j&aacute; tentou muitas coisas para convencer o governo a participar.&quot;<\/p>\n<p>Adu-Akorsah acrescentou que a maioria dos seus alunos vem de lares monoparentais. &quot;Infelizmente, quando estas crian&ccedil;as nascem, os pais abandonam as m&atilde;es&quot; <\/p>\n<p>A escola n&atilde;o tem capacidade para oferecer servi&ccedil;os como terapia da fala e o fisioterapeuta s&oacute; pode acudir os alunos que pagam o custo adicional dos seus servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>Adu-Akorsah afirmou que os seus professores auferem sal&aacute;rios &quot;baixos&quot; e que o apoio governamental muito poderia contribuir para melhorar os servi&ccedil;os que a escola oferece e torn&aacute;-la mais acess&iacute;vel &agrave;s fam&iacute;lias com baixos rendimentos. <\/p>\n<p>O Gana tem uma rede de internatos para crian&ccedil;as com defici&ecirc;ncia, mas Adu-Akorsah explica que estas escolas deixam muito a desejar. Na Novo Horizonte, cada estudante recebe cuidados individuais mas nas escolas governamentais existem 12 estudantes para cada professor. <\/p>\n<p>Tamba Gbessay, vice-director da Escola governamental de Necessidades Especiais de Dzorwulu, em Acra, afirmou que se t&ecirc;m registado progressos quanto &agrave; quest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o especial no Gana. <\/p>\n<p>&quot;Estamos numa posi&ccedil;&atilde;o melhor por compara&ccedil;&atilde;o aos anos 60, quando come&ccedil;&aacute;mos,&quot; disse.<\/p>\n<p>&quot;O governo est&aacute; mais envolvido e tem aumentado o seu financiamento para a contrata&ccedil;&atilde;o de trabalhadores, manuten&ccedil;&atilde;o, ve&iacute;culos e forma&ccedil;&atilde;o de pessoal.&quot; <\/p>\n<p>A sua escola tem 163 alunos que n&atilde;o pagam propinas. Mas n&atilde;o cuida de crian&ccedil;as com autismo.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o temos especialistas formados nessa &aacute;rea,&quot; disse. <\/p>\n<p>Vardon explica que os servi&ccedil;os governamentais para pessoas portadoras de defici&ecirc;ncia s&atilde;o reduzidos devido &agrave; falta de recursos. <\/p>\n<p>&quot;O governo est&aacute; sensibilizado para o problema. Existe um departamento para educa&ccedil;&atilde;o especial. Mas isso &eacute; o m&aacute;ximo que podemos proporcionar &agrave;quelas crian&ccedil;as portadoras de defici&ecirc;ncia neste momento. N&atilde;o &eacute; suficiente. Nem de perto pode ser considerado suficiente,&quot; afirmou. <\/p>\n<p>Devido ao esfor&ccedil;o do Centro de Forma&ccedil;&atilde;o, Cuidados e Sensibiliza&ccedil;&atilde;o acerca do Autismo, Quaynor pode percorrer um longo caminho. Trabalha numa f&aacute;brica de uma editora, pode ler e escrever e sabe assinar com as letras do alfabeto. Tamb&eacute;m ensinou ao seu formador, Grant, uma ou duas coisas. <\/p>\n<p>&quot;Ensinou-me a reconhecer que n&atilde;o posso atirar lixo &agrave; minha roda,&quot; relatou Grant. &quot;Outra coisa que me ensinou foi usar o meu cinco de seguran&ccedil;a quando me sento no carro. <\/p>\n<p>Antes de poder ajudar outras pessoas como Quaynor, o centro necessita de receber um refor&ccedil;o do governo e de doadores privados. <\/p>\n<p>&quot;Precisamos de ajuda,&quot; disse Enchill. &quot;Tanta quanta as pessoas possam dar.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ACRA, 28\/05\/2012 &ndash; &Agrave; primeira vista, Nortey Quaynor, de 29 anos, parece ser igual a qualquer outro Gan&ecirc;s. 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