{"id":9999,"date":"2012-05-29T08:32:45","date_gmt":"2012-05-29T08:32:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9999"},"modified":"2012-05-29T08:32:45","modified_gmt":"2012-05-29T08:32:45","slug":"reportagem-etnia-nativa-do-brasil-busca-sobrevivncia-em-crditos-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/reportagem-etnia-nativa-do-brasil-busca-sobrevivncia-em-crditos-de-carbono\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Etnia nativa do Brasil busca sobreviv&ecirc;ncia em cr&eacute;ditos de carbono"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 29\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Os paiter-suru&iacute;, do Estado brasileiro de Rond&ocirc;nia, na Amaz&ocirc;nia, preveem arrecadar pelo menos US$ 40 milh&otilde;es nos pr&oacute;ximos 30 anos com o servi&ccedil;o ambiental de restaurar e fazer uso sustent&aacute;vel da selva.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9999\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/579_Almir_Surui_en_su_aldea_Foto_Divulgacion_Pueblo_Surui.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9999\" class=\"size-medium wp-image-9999\" title=\"O cacique Almir Suru\u00c3\u00ad (E) em sua aldeia - Divulga&ccedil;&atilde;o Povo Paiter-Suru\u00c3\u00ad\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/579_Almir_Surui_en_su_aldea_Foto_Divulgacion_Pueblo_Surui.jpg\" alt=\"O cacique Almir Suru\u00c3\u00ad (E) em sua aldeia - Divulga&ccedil;&atilde;o Povo Paiter-Suru\u00c3\u00ad\" width=\"200\" height=\"160\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9999\" class=\"wp-caption-text\">O cacique Almir Suru\u00c3\u00ad (E) em sua aldeia - Divulga&ccedil;&atilde;o Povo Paiter-Suru\u00c3\u00ad<\/p><\/div>  O povo nativo paiter-suru&iacute;, no cora&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia brasileira, n&atilde;o tinha contato com o mundo ocidental at&eacute; 45 anos atr&aacute;s. Hoje, aposta nos complexos mercados de carbono para garantir sua sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Habitantes do territ&oacute;rio Sete de Setembro, quase 250 mil hectares localizados entre os Estados de Rond&ocirc;nia e Mato Grosso, perto da fronteira com a Bol&iacute;via, os paiter-suru&iacute; viveram uma hist&oacute;ria vertiginosa nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Apenas tr&ecirc;s anos depois de seu primeiro contato com o &quot;homem branco&quot;, em 1969, quase chegaram &agrave; extin&ccedil;&atilde;o: a popula&ccedil;&atilde;o de cinco mil pessoas caiu para apenas 300 devido &agrave; mortandade causada pelas doen&ccedil;as trazidas pelos invasores.<\/p>\n<p>Hoje s&atilde;o cerca de 1.350 e est&atilde;o determinados a perdurar. Suru&iacute; &eacute; o nome que os antrop&oacute;logos lhes deram. Por&eacute;m, entre si, eles se chamam paiter, &quot;o povo verdadeiro, n&oacute;s mesmos&quot; na l&iacute;ngua tupi-mond&eacute; que falam.<\/p>\n<p>O neg&oacute;cio que pretendem &eacute; parte do Projeto de Carbono da Floresta Suru&iacute;, aprovado em abril, que prev&ecirc; mecanismos para neutralizar as emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono, como evitar o desmatamento, mantendo esse elemento na massa florestal, e absorvendo-o da atmosfera, mediante o reflorestamento.<\/p>\n<p>Estas a&ccedil;&otilde;es est&atilde;o previstas no regime de Redu&ccedil;&atilde;o de Emiss&otilde;es provocadas pelo Desmatamento e pela Degrada&ccedil;&atilde;o das Florestas (REDD+), impulsionado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) como instrumento para mitigar a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.<\/p>\n<p>A compra e venda de direitos de emiss&atilde;o de carbono, ou certificados de carbono, est&aacute; prevista nos sistemas de controle da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica para que empresas ou pa&iacute;ses grandes emissores de gases-estufa paguem a outros que possuem mecanismos para reduzi-las.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s d&eacute;cadas resistindo ao embate dos madeireiros, ca&ccedil;adores e colonos, desde 2005 os paiter-suru&iacute; plantaram 14 mil exemplares de 17 esp&eacute;cies, entre elas cacau e caf&eacute;, &aacute;rvores de madeira nobre como mogno, cerejeira e ip&ecirc;, e frut&iacute;feras como a&ccedil;a&iacute;, pupunha e baba&ccedil;u.<\/p>\n<p>&quot;Queremos beneficiar nosso povo e nos desenvolvermos de acordo com nossa necessidade da regi&atilde;o, valorizando produtos florestais. Uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica verde &eacute; justamente um planejamento de uso sustent&aacute;vel&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o l&iacute;der deste povo, Almir Suru&iacute;, que tamb&eacute;m integra a Coordena&ccedil;&atilde;o das Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas da Amaz&ocirc;nia Brasileira.<\/p>\n<p>O cacique Almir, de 38 anos, sempre est&aacute; com seu corpo pintado e usa colares de sementes nativas feitos pelas mulheres de seu povo. E tamb&eacute;m veste roupa ocidental quando tem compromissos fora de sua aldeia, mas que n&atilde;o escondem totalmente a pintura corporal.<\/p>\n<p>Antes de ficar conhecido no Brasil, obteve reconhecimento internacional por denunciar na Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA) a explora&ccedil;&atilde;o ilegal de madeira nas terras de seu povo e por defender os direitos e a integridade dos grupos em isolamento volunt&aacute;rio, al&eacute;m de lutar contra a constru&ccedil;&atilde;o de represas hidrel&eacute;tricas nos rios de Rond&ocirc;nia.<\/p>\n<p>Para conseguir seus objetivos de sustentabilidade, os paiter-suru&iacute; trabalham associados com v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e institui&ccedil;&otilde;es estatais, como o governamental Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que facilita a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos financeiros e ferramentas que garantam renda para os paiter-suru&iacute;.<\/p>\n<p>O projeto Carbono Suru&iacute; tem dura&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s d&eacute;cadas para a conserva&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rea com mais de 12 mil hectares, segundo Angelo dos Santos, um dos coordenadores da Funbio. &quot;Todos os anos os paiter-suru&iacute; asseguram um volume de carbono n&atilde;o emitido que ser&aacute; oferecido ao mercado&quot;, explicou Angelo ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>&quot;Nos pr&oacute;ximos 30 anos, a quantidade que o povo paiter-suru&iacute; acumular&aacute; pelo desmatamento evitado ser&aacute; de oito milh&otilde;es de toneladas de di&oacute;xido de carbono. E assim se pagar&aacute; aos ind&iacute;genas por n&atilde;o desmatarem&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>As estimativas indicam que podem arrecadar US$ 40 milh&otilde;es pela cota&ccedil;&atilde;o atual do mercado, que est&aacute; em US$ 5 para cada tonelada de carbono.<\/p>\n<p>Segundo Angelo, h&aacute; v&aacute;rias formas de comercializar os certificados de carbono. Uma delas &eacute; que sejam comprados por empresas interessadas em neutralizar ou compensar suas pr&oacute;prias emiss&otilde;es desse g&aacute;s-estufa.<\/p>\n<p>&quot;Isto &eacute; uma grande inova&ccedil;&atilde;o&quot;, ressaltou. Os recursos obtidos pela venda de certificados ser&atilde;o destinados ao Fundo de Gest&atilde;o Paiter-Suru&iacute;, oficializado no come&ccedil;o de maio para incentivar um plano de desenvolvimento e tornar vi&aacute;veis formas de gerar renda sem destruir a selva.<\/p>\n<p>J&aacute; s&atilde;o produzidas mais de quatro mil toneladas por ano de caf&eacute; org&acirc;nico e cerca de dez mil toneladas de castanha amaz&ocirc;nica, contou o cacique. As duas produ&ccedil;&otilde;es j&aacute; contam com planos de neg&oacute;cios.<\/p>\n<p>Enquanto isso, &quot;o Fundo Paiter-Suru&iacute; vai arrecadar recursos pr&oacute;prios com doa&ccedil;&otilde;es de bancos multilaterais e empresas, e pela venda de certificados de carbono&quot;, detalhou Angelo.<\/p>\n<p>A meta &eacute; captar US$ 6 milh&otilde;es nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos. E em seis anos o Fundo ser&aacute; completamente administrado pelos paiter-suru&iacute;, que j&aacute; est&atilde;o se capacitando para isso.<\/p>\n<p>&Eacute;, sob todos os aspectos, um caso excepcional. Trata-se do primeiro mecanismo financeiro criado para um povo ind&iacute;gena que quer garantir sua sobreviv&ecirc;ncia e a de sua cultura.<\/p>\n<p>Estas iniciativas valeram ao cacique Almir o 53&ordm; lugar entre as cem pessoas mais criativas para neg&oacute;cios em 2011, um ranking preparado pela revista norte-americana Fast Company.<\/p>\n<p>N&atilde;o por acaso, Almir foi convidado este m&ecirc;s para falar sobre inova&ccedil;&atilde;o para dirigentes empresariais e pesquisadores, em um encontro organizado pela revista brit&acirc;nica The Economist.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 29\/05\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Os paiter-suru&iacute;, do Estado brasileiro de Rond&ocirc;nia, na Amaz&ocirc;nia, preveem arrecadar pelo menos US$ 40 milh&otilde;es nos pr&oacute;ximos 30 anos com o servi&ccedil;o ambiental de restaurar e fazer uso sustent&aacute;vel da selva. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/reportagem-etnia-nativa-do-brasil-busca-sobrevivncia-em-crditos-de-carbono\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27,21],"class_list":["post-9999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9999\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}