RIO+20: A grande mudança virá pela vontade do povo

Rio de Janeiro, Brasil, 21/06/2012 – O taxista Sérgio Cardoso Soares, 61 anos, não integra a comitiva de nenhum país, não milita em qualquer organização não governamental de direitos humanos, nem faz parte de uma empresa multinacional privada.

Sérgio Cardoso Soares e seu taxi no Rio de Janeiro. - Clarinha Glock.

Sérgio Cardoso Soares e seu taxi no Rio de Janeiro. - Clarinha Glock.

Soares, que trabalhou como funcionário público durante quase 20 anos e foi demitido durante o plano econômico do governo de Fernando Collor de Mello, começou a pilotar seu táxi justamente porque estava em uma fase de indefinição econômica e pessoal. O Rio de Janeiro vivia então a efervescência da ECO 92. Naquele ano, Soares começou a plantar em um sítio na cidade de Vassouras as 35 árvores frutíferas que trouxeram de volta para a região pássaros de todos os tipos. "Precisava deixar a política sindical de lado e viver o meu politicamente correto", contou.

Foi driblando o trânsito da capital carioca que conseguiu se manter e criar os dois filhos, hoje adultos, deixando de lado a experiência como desenhista técnico. Durante a Rio 92, acompanhou uma jornalista que cobria as movimentações do então primeiro-ministro da Espanha Felipe González. Agora, na Rio+20, enquanto dirigia o seu carro em direção ao Riocentro – local da conferência para onde se dirigiam todos os olhares – e ouvia no rádio as críticas ao documento final apresentado pelo governo brasileiro, apontou suas próprias conclusões sobre o histórico encontro: "Tenho visto uma mudança clara. Quem vai fazer as grandes mudanças do futuro são as pessoas dos movimentos sociais que estão nas ruas. A voz deles é que vai repercutir", previu.

Se os governantes não fizerem nada, a população vai fazer, acredita. Soares encontrou na fila de exposições do Forte de Copacabana sobre meio ambiente pessoas que nunca antes haviam se importado com o tema da ecologia. "Empregadas domésticas que usam solventes e produtos químicos no dia a dia estavam lá. São elas que vão fazer a diferença, ao exigir das patroas produtos mais saudáveis. Vão sentir como o trabalho delas é importante e cobrar dos políticos o saneamento dos lugares onde moram", acredita. E resumiu: "As pessoas que você pensa que não estão na história, estão tentando escrever uma nova história". (IPS/TerraViva)

* Publicado originalmente no site TerraViva. (IPS)

Clarinha Glock

Clarinha Glock escribe para IPS desde Porto Alegre, Brasil. Se desempeña como periodista free lance, especializada en reportajes sobre derechos humanos y poblaciones vulnerables, en especial vinculados al ambiente, la educación y la salud.

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