Rio de Janeiro, Brasil, 21/06/2012 – O taxista Sérgio Cardoso Soares, 61 anos, não integra a comitiva de nenhum país, não milita em qualquer organização não governamental de direitos humanos, nem faz parte de uma empresa multinacional privada.
Foi driblando o trânsito da capital carioca que conseguiu se manter e criar os dois filhos, hoje adultos, deixando de lado a experiência como desenhista técnico. Durante a Rio 92, acompanhou uma jornalista que cobria as movimentações do então primeiro-ministro da Espanha Felipe González. Agora, na Rio+20, enquanto dirigia o seu carro em direção ao Riocentro – local da conferência para onde se dirigiam todos os olhares – e ouvia no rádio as críticas ao documento final apresentado pelo governo brasileiro, apontou suas próprias conclusões sobre o histórico encontro: "Tenho visto uma mudança clara. Quem vai fazer as grandes mudanças do futuro são as pessoas dos movimentos sociais que estão nas ruas. A voz deles é que vai repercutir", previu.
Se os governantes não fizerem nada, a população vai fazer, acredita. Soares encontrou na fila de exposições do Forte de Copacabana sobre meio ambiente pessoas que nunca antes haviam se importado com o tema da ecologia. "Empregadas domésticas que usam solventes e produtos químicos no dia a dia estavam lá. São elas que vão fazer a diferença, ao exigir das patroas produtos mais saudáveis. Vão sentir como o trabalho delas é importante e cobrar dos políticos o saneamento dos lugares onde moram", acredita. E resumiu: "As pessoas que você pensa que não estão na história, estão tentando escrever uma nova história". (IPS/TerraViva)
* Publicado originalmente no site TerraViva. (IPS)


