AMBIENTE-ONU: Oceanos em emergência

Nações Unidas, 14/08/2012 – "Não precisamos de mais declarações, mas de urgência nas negociações. As soluções para os problemas dos oceanos são bem conhecidas, mas continuam bloqueadas por interesses nacionais", disse à IPS um representante da organização ambientalista Greenpeace.

A proteção dos oceanos será uma prioridade para a ONU. - Living Oceans Foundation

A proteção dos oceanos será uma prioridade para a ONU. - Living Oceans Foundation

Sebastián Losada, analista do grupo para assuntos relacionados aos oceanos, respondeu dessa forma ao lançamento, pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, da iniciativa Oceans Compact (Pacto dos Oceanos), destinada a preservar os recursos marinhos do planeta.

Ban Ki-moon fez o anúncio no dia 12, no encerramento da mostra internacional Expo 2012, realizada na cidade costeira de Yeosu, na Coreia do Sul, e dedicada à proteção dos oceanos, afetados por sobrepesca, contaminação química e aquecimento global. A iniciativa tentará organizar os recursos e coordenar as ações em todo o sistema das Nações Unidas para melhorar a efetividade do trabalho da ONU em matéria de oceanos. Ao falar em Yeosu, quando foram comemorados os 30 anos da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Convemar), Ban afirmou que os oceanos são fundamentais para manter a vida no planeta, pois permitem 90% do comércio mundial e conectam povos, mercados e formas de subsistência.

"Mas, nós, humanos, colocamos os oceanos em risco de dano irreversível com sobrepesca, mudança climática, acidificação, crescente contaminação, desenvolvimento insustentável das áreas costeiras e os impactos não desejados da extração de recursos, provocando perda de biodiversidade, redução na quantidade de peixes, dano dos habitat e perda de funções ecológicas", afirmou o secretário-geral. Além da nova iniciativa, Ban também anunciou a criação do Grupo Assessor sobre Oceanos, composto pelos diretores-executivos de agências da ONU relevantes, políticos de alto nível, cientistas e representantes do setor privado e da sociedade civil.

Este grupo se concentrará em estratégias para mobilizar os recursos necessários para a implantação do Pacto dos Oceanos. "Não necessitamos de mais declarações de preocupação, nem de mais resumos dos problemas que enfrentamos", disse Losada à IPS. "Precisamos é de urgência nas salas de negociação para passar das palavras à ação. As soluções para as crises dos oceanos existem e são bem conhecidas, como continuam bloqueadas por interesses nacionais de visão curta", acrescentou.

Espera-se que antes de 2014 a ONU tome uma decisão para lançar um plano global de resgate dos oceanos, "um novo instrumento vinculante sob a Convemar, criado para acabar com a atual forma de administrar nossos oceanos, ao estilo do oeste selvagem. Isto será fundamental para o êxito ou o fracasso deste painel" assessor, ressaltou Losada. O proposto plano de resgate foi um dos poucos acordos concretos alcançados na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), realizada em junho deste ano no Rio de Janeiro.

Em uma declaração divulgada em Nova York, a ONU informou que o Pacto dos Oceanos se fixa em três objetivos: proteger e melhorar a saúde desses ecossistemas, recuperar e manter os recursos naturais marinhos e melhorar o conhecimento sobre os oceanos e sua administração. A iniciativa assume "uma visão estratégica para todo o sistema das Nações Unidas sobre o tema dos oceanos, consistente com o documento final da Rio+20 (O Futuro que Queremos), no qual os países acordaram uma série de medidas para proteger os oceanos e promover o desenvolvimento sustentável.

O Pacto dos Oceanos também aproveitará e apoiará a implantação de instrumentos existentes relevantes, em particular a Convemar. Segundo as Nações Unidas, o lançamento da iniciativa está de acordo com seu plano quinquenal anunciado no começo deste ano, no qual a proteção dos oceanos ocupa um lugar de destaque. É nesse contexto que Ban Ki-moon decidiu dar maior ênfase à importância dos oceanos e seu papel no desenvolvimento sustentável, promovendo a iniciativa Pacto dos Oceanos, informou a ONU. Envolverde/IPS

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *