Estados Unidos: Bush, um presidente fracassado

Washington, 17/10/2005 – A gestão do presidente George W. Bush é vista pela opinião pública cada dia mais como um fracasso, particularmente com relação à economia e ao gasto público, afirma uma pesquisa nacional feita pelo Centro de Pesquisas Pew para a População e a Imprensa. O resultado, divulgado na quinta-feira em Washington, mostra que a aprovação pública de Bush caiu para 38% e o apoio à ocupação militar no Iraque está diminuindo. O eleitorado norte-americano agora está dividido entre os que acreditam que os Estados Unidos devem deixar o Iraque o mais rápido possível e aqueles que pensam que os soldados deveriam permanecer até que esse país supere a onda de violência política.

A pesquisa, feita entre os dias 6 e 10 deste mês e que ouviu 1.500 adultos escolhidos ao acaso em todo o país, também revela que caiu o apoio ao governante Partido Republicano. Isto deveria incentivar os estrategistas do opositor Partido Democrata, que contam com uma boa oportunidade de recuperar o controle de, pelo menos, uma câmara do Congresso nas eleições de metade do período, em novembro de 2006. Quase 70% dos entrevistados disseram esperar a eleição de um presidente que "ofereça políticas diferentes" das implementadas por Bush, enquanto 48% afirmaram que o partido Democrático "pode trazer mudanças necessárias ao país".

Entretanto, a avaliação da liderança democrata no Congresso não aparece com mais força do que de republicana. As chefias legislativas dos dois partidos receberam aprovação de apenas 32% dos entrevistados, continuando uma tendência descendente da confiança no Congresso. Quanto a qual partido é mais provável que governe"de maneira honesta e ética", os democratas recebem uma margem favorável de 40%, sua maior vantagem desde 1994, quando os republicanos tomaram o controle das duas Casas do Congresso pela primeira vez em mais de uma geração.

Os democratas esperam que as eleições de 2006 dêem lugar a uma virada semelhante. Em outra pesquisa divulgada na quarta-feira pelo jornal The Wall Street Journal, 48% dos consultados disseram ter esperanças de que os democratas conseguirão esse objetivo, enquanto apenas 39% se manifestaram a favor de uma maioria legislativa republicana. A última pesquisa aparece em meio à crescente evidência de desordem na Casa Branca, colocada na defensiva nos últimos dois meses em uma variedade de assuntos. Entre eles, a guerra no Iraque, a luta contra o terrorismo, seu desempenho diante do desastre causado pelo furacão Katrina, os elevados preços do petróleo e até a nomeação da advogada do presidente, Harriet Miers, para a Suprema Corte de Justiça.

Esta última medida criou profundas desavenças dentro do próprio eleitorado conservador de Bush, porque os pontos de vista de Miers sobre assuntos como direito ao aborto e a relação entre Igreja e Estado, de vital importância para a direita cristão, são desconhecidos. E também porque sua falta de experiência em direito constitucional sugere que foi escolhida por sua lealdade pessoal ao presidente, mais do que por sua ideologia e convicções. Estas preocupações desmoralizam os republicanos, já desgostosos com a queda constante de Bush nas pesquisas e por sua reação no caso do furacão Katrina.

O próprio Bush, em algumas de suas aparições públicas e na imprensa, se mostrou mais distraído e inclinado ao aborrecimento do que o normal, especialmente na terça-feira, em uma entrevista junto com sua mulher Laura, realizada pelo jornalista Matt Lauer, da rede de televisão NBC. Na quinta-feira, a entrevista coletiva na Casa Branca foi dominada por perguntas sobre o "roteiro" de um diálogo filmado entre Bush e soldados norte-americanos no Iraque, onde o presidente dizia a estes o que perguntar e como responder. Alguns analistas atribuem o acúmulo de problemas para a Casa Branca pela ação de alguns colaboradores muito próximos.

O assessor político mais próximo de Bush, Karl Rove; Lewis "Scooter" Libby, o ex-chefe da equipe do vice-presidente, Dick Cheney, podem ser acusados muito breve por terem vazado a identidade de uma agente da Agência Central de Inteligência (CIA), cujo marido havia envergonhado o governo ao revelar as verdadeiras razões para ir à guerra no Iraque. Isto pode ter enfraquecido o papel de Cheney, considerado o vice-presidente mais poderoso da história. O que é particularmente destacável na pesquisa do Centro Pew é a rapidez com que caiu a imagem de Bush desde janeiro e desde as últimas pesquisas da instituição, em janeiro e julho.

A aprovação geral de sua gestão era de 50% em janeiro – historicamente baixo para um presidente recém-eleito – passou para 44% em julho e 38% este mês. Além disso, 36% dos pesquisados disseram acreditar que Bush era um presidente "de sucesso" em janeiro. E agora, somente 26% dizem o mesmo, enquanto os que acreditavam que não teria êxito passaram de 27% em janeiro para 41% atualmente. Ainda mais preocupante para os republicanos, a pesquisa encontrou "uma notável falta de entusiasmo" pelo desempenho de Bush entre os entrevistados que se identificaram como leais ao partido, e confirmou uma velha tendência de decepção com Bush por parte dos "independentes" que tradicionalmente decidem as eleições.

Quanto ao rumo geral do país, 40% diziam em janeiro que estavam "satisfeitos", caindo para 35% em julho e 29% atualmente. Mas, os "insatisfeitos" passaram de 54% há 10 mês para 65% agora. A segurança nacional foi a única área em que a maioria deu uma avaliação positiva, apesar do Iraque. Uma maioria de 52% está a favor de estabelecer uma agenda para a retirada (43% se opõem), enquanto 55% temem que os Estados Unidos "esperam muito" para deixar o Iraque, contra 32% preocupados de Washington "partir muito cedo".

A pesquisa encontrou uma acentuada queda na porcentagem de entrevistados que acreditam que a guerra vai bem: de 53% em setembro para 44% este mês. Esta queda foi particularmente acentuada entre os homens, de 16% em apenas um mês. Outra dado da pesquisa é que o público prestava pouca atenção ao referendo constitucional do Iraque, mas acreditava que teria um impacto relativamente pequeno quanto a terminar com a violência política nesse país. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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