
Meninos e meninas no Festival da Ciência, realizado no começo de junho no centro histórico de Havana. Jorge Luis Baños/IPS
Um projeto não governamental busca inculcar na população de Cuba o conhecimento e o amor por uma flora única e maltratada.
Havana, Cuba, 8 de julho de 2013 (Terramérica).- A rara e pré-histórica palmeira de cortiça (Microcycas calocoma), declarada monumento nacional em Cuba, é uma das espécies de flora endêmicas e ameaçadas que busca preservar uma iniciativa dirigida por uma organização não governamental. “Queremos que as pessoas sintam orgulho de sua flora e se comprometam com sua conservação”, afirmou ao Terramérica o vice-presidente da Sociedade Cubana de Botânica, Alejandro Palmarola, ao descrever o projeto Planta!, dirigido a estudantes universitários, professores, instituições, empresas e público em geral.
Palmarola enfatizou que “normalmente se conhece como símbolos e riquezas de nossa terra as praias, o rum e o tabaco, mas muitas pessoas não sabem que Cuba é a ilha com maior quantidade de espécies vegetais por quilômetro quadrado em todo o mundo. Somos um grande paraíso da botânica”. Há mais de 7.500 espécies vegetais terrestres, 212 em áreas marinhas e 1.328 em zonas de mangues de água doce. Metade da flora cubana é endêmica, isto é, apenas desta ilha. “Por isso somos uma referência para os cientistas relacionados com a botânica em todo o planeta”, acrescentou.
Esses dados e muitos outros sobre a importância de cuidar da vegetação aparecem nas mensagens e atividades realizadas pelo Planta!, uma plataforma de divulgação criada em 2012. Com apoio do Jardim Botânico Nacional e da Academia de Ciências de Cuba, o programa partiu das descobertas de uma pesquisa sobre o conhecimento popular da flora. A maioria dos entrevistados identificou apenas duas espécies como típicas desta ilha do Caribe, a palmeira-imperial-de-cuba (Roystonea regia) e o lírio-do-brejo (Hedychium coronarium).
O Planta! criou uma campanha que inclui artigos na imprensa, um vídeo musical transmitido pela televisão estatal e vários livros, incluindo um volume sobre as 50 espécies mais ameaçadas de Cuba, que será publicado pelo Centro Nacional de Áreas Protegidas. “Incluem-se a palmeira de cortiça e muitas outras que não têm nome comum e poucas pessoas conhecem. Serão selecionadas espécies de todas as províncias e ecossistemas do país”, afirmou Palmarola.
“Trabalhamos em Villa Clara e Sancti Spíritus (no leste do país), com adultos e crianças. O maior êxito conseguimos graças aos pequenos, que levaram as mensagens para suas casas com veemência e entusiasmo mobilizador”, afirmou este pesquisador do Jardim Botânico.
Em maio, voluntários da Faculdade de Biologia da Universidade de Havana divulgaram durante 15 dias as propriedades das plantas e sua importância, entre estudantes do primário e secundário dos municípios de Havana Velha e Centro Havana, ambos da capital. Seu papel na captura de água e dióxido de carbono, o controle da erosão do solo, a produção de oxigênio, a alimentação e o controle do clima foram alguns dos temas expostos. O projeto integrou um Festival de Ciência no centro histórico de Havana. “Se não cuidarmos das plantas, também poderão morrer aves e insetos que vivem em seus galhos. Por isso a biodiversidade tem que ser pensada como um todo”, disse ao Terramérica Lauren Díaz, de 12 anos, uma das participantes.
Dados de 2011 do Centro Nacional de Biodiversidade indicam que 3.163 espécies de flora estão ameaçadas. Entre elas, 24 estão extintas, 413 em perigo crítico, 442 em perigo, 332 são vulneráveis e 286 estão quase ameaçadas. Isto representa 0,66% das espécies com algum grau de perigo em todo o mundo, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. Pouco mais de 27% do território cubano está coberto por árvores.
Entretanto, há problemas de degradação de solos, perda de diversidade biológica e desmatamento. Os incêndios são a primeira ameaça para as florestas. Em 2011, as autoridades registraram 723 incêndios florestais, a imensa maioria devido a ações humanas. O projeto Planta! tem grandes desafios. “Pensamos trabalhar em diferentes pontos da geografia cubana, mediante a colaboração do voluntariado estudantil”, pontuou Palmarola. “Queremos estender essas experiências educativas a lugares onde normalmente biólogos e ecologistas não realizam trabalhos de pesquisa e conservação”, concluiu. Envolverde/Terramérica
* O autor é correspondente da IPS.
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Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

