Belgrado: Calor reduz a oferta de alimento nos Balcãs
Vesna Peric Zimonjic
Belgrado, (IPS) – Com a chegada do outono no hemisfério Norte, os países do Balcãs fazem as contas dos prejuízos causados por um dos verões mais quentes da história, com temperaturas muito elevadas desde junho até o início deste mês.
A temporada causou uma seca sem precedentes na Bósnia-Herzegovina, Croácia e Sérvia, três países muito dependentes da agricultura. Uma conseqüência imediata da menor produção foi que os preços da farinha, do pão, da carne e do óleo de cozinha aumentaram mais de 50%.
“É preciso tomar medidas para que não tenhamos de olhar para o céu e pedir a benção”, disse Ratko Marjanovic, de 62 anos, do povoado de Staro Mirijevo, nos arredores de Belgrado. “Isto quem fazia era meu país, mas estamos no século XXI, não?”. Como muitos agricultores da localidade onde mora, que cultivam verduras para vender na capital sérvia, Marjanovic pensa em comprar um sistema de irrigação para sua plantação. “Vai me custar vários milhares de euros, mas é nada em comparação com o que perdi com a seca”, afirmou.
Ambiente: O dilema das áreas protegidas na América Latina
Marcela Valente
Buenos Aires, (IPS) – Muitas reservas naturais da América Latina se debatem entre a degradação e o isolamento. Para definir formulas de superação do problema e valorizar a contribuição desse patrimônio à luta contra a pobreza a Argentina será sede, no final deste mês, de um congresso internacional de ampla participação.
“Nossa maior expectativa é ampliar a participação de todos os envolvidos. Não apenas acadêmicos, conservacionistas ou administradores de parques. Queremos ouvir os indígenas, os pescadores, as comunidades locais, o setor do turismo”, disse à IPS o coordenador do II Congresso Latino-americano de Parques Nacionais e Outras Áreas Protegidas, Victor Inchausteguy.
“Temos de criar um espaço plural de intercâmbio de idéias e acordar princípios de conservação. É necessário transcender ao grupo dos tradicionalmente comprometidos com estes temas”, insistiu Inchausteguy, membro do escritório regional da América do Sul da União Mundial para a Natureza (UICN-Sul). O encontro acontecerá entre o próximo dia 30 e 6 de outubro em San Carlos de Bariloche, 1.500 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires, na província de Rio Negro. Do encontro participarão cerca de duas mil pessoas de 20 países da América Latina, Europa, Canadá e Estados Unidos.
Alimentacâo: Os donos do mercado de alimentos
Gustavo Capdevila
Genebra, (IPS) – A indústria de alimentos e bebidas vive uma fase de concentração, com 10 companhias distribuidoras controlando 24% do mercado mundial, afirma um estudo que está sendo examinado por representantes de trabalhadores, empresários e governos, convocados pela Organização Internacional do Trabalho.
A mesma tendência existente nas vendas também é verificada em outras fases dessa atividade, nos setores de fabricação e transformação de produtos alimentares, disse o autor do estudo, Andrew Bibby, ao apresentá-lo aos 70 participantes da “Reunião tripartite sobre a incidência das cadeias mundiais de alimentação no emprego”. Bibby explica que não é nova no setor a estratégia de diversificação de fontes de abastecimento de alimentos, um fenômeno estreitamente ligado à globalização das relações econômicas e comerciais.
A novidade é o surgimento dessas cadeias mundiais de alimentação integradas, que empregam cerca de 22 milhões de pessoas no mundo e são, portanto, motivo de preocupação da OIT. O setor de empresas produtoras de alimentos e bebidas é encabeçado pela suíça Nestlé, com 260 mil empregados, seguida da anglo-holandesa Unilever com 179 mil, e das norte-americanas PapsiCo (157 mil), Sara Lee (137 mil) e Coca-Cola (132.300). No último elo das empresas dedicadas à venda no varejo, a norte-americana Wal-Mart figura em primeiro lugar com 1,8 milhão de empregados, vindo a seguir a francesa Carrefour com 440.500, a norte-americana Kroger com 290 mil, a britânica Tesco com 273 mil e a norte-americana Albertson’s com 234 mil funcionários. Uma configuração dessas características quase monopólicas nasce do processo de fusões e aquisições de empresas de grande envergadura que se acentuou nos últimos anos.
Ambiente: Ressurge idéia de um tribunal internacional do meio ambiente
Thalif Deen
Nações Unidas, (IPS) – Enquanto a Organização das Nações Unidas assume um papel cada vez mais predominante no debate sobre a mudança climática, surge um renovado interesse em uma proposta de longa data para criar um tribunal internacional que julgue crimes ambientais.
Porém, alguns diplomatas e ambientalistas duvidam que um tribunal desse tipo conte com o apoio político da maioria dos 192 Estados-membros da ONU. “Levaram anos para criar um tribunal internacional contra crimes de guerra, e a formação de um para crimes ambientais pode demorar gerações”, disse um diplomata do Sul em desenvolvimento.
Satish Kumar, editor da revista ambientalista Ressurgence, com sede em Londres, é um forte defensor da criação desse tribunal. “Não temos direito algum de contaminar. E se eu jogo meu lixo em sua casa, é um crime. Pode me levar ao tribunal”, disse. “Mas, se jogamos nosso lixo na natureza, esta não pode nos levar ao tribunal. A natureza deveria ter o direito de nos julgar e, portanto, a ONU deveria criar um tribunal para a natureza”, disse à IPS. Kumar destacou que os crimes ambientais – desde jogar lixo tóxico até destruição de recursos naturais em operaçoes militares – devem ser considerados “crimes contra a natureza”.
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