NAÇÕES UNIDAS: Sem dinheiro não há reformas
Montevidéu, (IPS) – Um grupo de trabalho da Organização das Nações Unidas concluiu ontem na capital uruguaia a primeira avaliação de um plano-piloto para melhorar sua eficiência no trabalho pelo desenvolvimento com os governos nacionais.
O financiamento sustentado continua sendo o principal desafio. Os dois co-presidentes da Assembléia Geral da ONU, o irlandês Paul Kavanagh e o tanzaniano Augustine Philip Mahiga, destacaram a importância da colaboração dos doadores para permitir as reformas necessárias.
“Um funcionário argentino da ONU disse uma vez que são necessários três para dançar o tango. Os três bailarinos neste caso são a equipe das Nações Unidas, que deve estar mais coordenada; o governo do país em questão, que em todas suas instituições e ministérios também deve ser mais coesos, e os doadores, que também precisam ser congruentes quando definem suas prioridades’, disse Kavanagh aos jornalistas. “É preciso haver coerência nos três sócios: a ONU, o governo do país e os doadores. Não é que exista resistência (nos países às reformas), mas se deve romper com todas as maneiras de fazer as coisas, e isso leva tempo”, disse, por sua vez, Mahiga.
ALIMENTAÇÃO: Sobram cúpulas, falta comida
Nações Unidas, (IPS) – Depois de duas reuniões de cúpula da Organização das Nações Unidas sobre alimentação, uma em 1996 e outra em 2002, a comunidade internacional prometeu aliviar a fome e reduzir a desnutrição.
Houve, inclusive, declarações mais otimistas. Em uma conferência mundial de alimentos, em 1974, foi prometido acabar com a fome “em uma década”. Entretanto, a maioria dos objetivos propostos nesses encontros da ONU não se concretizou, embora os compromissos fossem assumidos pelos líderes mundiais. Agora, com o antecedente de distúrbios em mais de 30 países devido ao alto preço dos alimentos, e à escassez de arroz e milho em mais de 60 nações, uma terceira cúpula mundial de mais de 150 líderes prometeu na quinta-feira (5) “ações urgentes e coordenadas” para resolver a crise.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon , deu um tom dramático ao declarar: “Na Libéria, há pouco tempo, me encontrei com gente que antes podia comprar arroz por saco e agora o fazem por copo”. O grito de batalha na cúpula da semana passada foi a necessidade de aproveitar a vontade política da comunidade internacional, e especificamente dos países ricos, para responder rapidamente à crise alimentar. “Se não agirmos com rapidez, o bilhão de pessoas mais pobres do mundo passarão a ser dois bilhões, da noite para o dia, porque seu poder de compra cairá pela metade devido à duplicação dos preços dos alimentos e dos combustíveis”, advertiu Josette Sheeran, diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas.
BRASIL: Agroenergia pode ampliar produção de alimentos
Rio de Janeiro, (IPS) – As “verdades e mentiras” que se confundem na polêmica sobre os agrocombustíveis ignoram ou invertem certos efeitos, como o fato de que empregar soja para fazer biodiesel não reduz a produção de alimentos, pelo contrário, aumenta, segundo especialistas.Quem procura resolver a equação, destacando que nem sempre há oposição entre produção de alimentos e agroenergia, é Segundo Urquiaga, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O óleo, que representa entre 18% e 20% da soja, foi sempre um “subproduto” que agora ganha maior valor por sua conversão em biodiesel, afirma Urquiaga. O derivado principal dessa leguminosa é a proteína, que constitui cerca de 40% e que estão concentrados na casca, destinada, sobretudo, à alimentação do gado. Assim, quando mais óleo se destinar ao combustível mais aumentará, e em proporção maior, a produção de proteína que, no final da cadeia, servirá para a alimentação humana, explica o pesquisador à IPS.
AIDS: Sobram declarações, falta diheiro
Nações Unidas, (IPS) – Enquanto milhões de pessoas em todo o mundo continuam morrendo por causa da Aids, altos funcionários da Organização das Nações Unidas e ativistas reiteram o chamado para aumentar os fundos destinados a combater a epidemia.
“Houve mais de dois milhões de mortes no ano passado”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aos delegados presentes a uma conferência sobre HIV/Aids que deliberou na terça e quarta-feira, organizada pelo fórum mundial. “Esta situação é inaceitável”, ressaltou Ban.A brecha entre os recursos disponíveis e as necessidades reais constituem um impedimento ao acesso à cobertura universal para a prevenção e o tratamento do HIV (vírus da deficiência imunológica humana), causador da Aids. “O mundo não conseguirá o acesso à prevenção do HIV e ao seu tratamento se não houver um aumento significativo dos recursos disponíveis para os países de baixa e média renda”, alertou Ban.
Em 2007, o gasto mundial com prevenção e tratamento do HIV chegou a US$ 10 bilhões. Cerca de 32 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus ou doentes de Aids em todo o mundo.
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