BULAWAYO, 08/2013 – Prevê-se que aconstrução da Barragem do Desfiladeiro de Batoka, avaliada em vários biliões de dólares, um empreendimento conjunto entre a Zâmbia e o Zimbabwe, produza 1.600 MW de electricidade. Mas está a gerar um outro tipo de calor uma vez que continua a oposição contra o projecto.
Em ambas as margens do Zambeze, os críticos perguntam se o país precisa de um projecto desta envergadura no meio de queixas de nada provar que a barragem irá trazer benefícios para as economias locais.
No ano passado, a International Rivers. uma ONG global que trabalha na área de protecção dos rios e dos direitos das comunidades que dependem nesses mesmos rios, emitiu um relatório a condenar o projecto da barragem, indicando que a sua construção não levava em consideração o fenómeno das alterações climáticas que poderia conduzir a uma redução da precipitação.
“Prevê-se que o escoamento do Zambeze diminua entre 26 a 40 por cento até 2050,” disse à TerraViva Lori Pottinger, Directora de Comunicações e do Programa para África da International Rivers.”
“Apesar das preocupações sobre as alterações climáticas, a concepção e operação da Barragem do Desfiladeiro de Batoka e da Barragem de Mphanda Nkuwa (em Moçambique) baseiam-se em registos hidrológicos históricos e não foram avaliadas em relação a riscos de seca e ciclos de cheias mais extremos. Isto é irresponsável e pode resultar em projectos pouco económicos e de baixo rendimento,” disse Lorringer.
Também foram lançados protestos em linha no ano passado contra este gigantesco projecto, com a campanha “Parar a Barragem de Batoka no Rio Zambeze” levada a cabo por activistas zambianos.
“Projectos grandes e complexos como as centrais hidroeléctricas nos rios Congo e Zambeze não estimulam as economias locais. Dependem de tecnologia e know-how importados e não criam um número significativo de empregos a nível local,” disse à TerraViva Peter Bosshard, Director de Política da International Rivers.
“Pelo contrário, os projectos de energia renovável descentralizados como energia solar, eólica, micro-centrais eléctricas e fogões de cozinha melhorados são mais eficazes para chegar à maioria das pessoas em África e no sul da Ásia que não estejam ligadas à rede eléctrica,” defendeu Bosshard.
Segundo o hidrólogo Richard Beilfuss, não são só as preocupações com as alterações climáticas que pesam contra o projecto de Batoka.
“Os cenários de alterações climáticas modificam não apenas o desempenho financeiro das centrais hidroeléctricas como Batoka, mas também os riscos financeiros com que se defrontam. As alterações climáticas conduzem a uma vaiabilidade significativa no desempenho económico – reduzindo não só os valores médios da produção de energia mas também a fiabilidade das receitas provenientes da venda de electricidade,” disse Beilfuss à TerraViva.
Em Junho, a Revisão Mundial dos Rios efectuada pela International Rivers gerou apreensão que a parede da barragem de Batoka, que se prevê tenhar mais de 190 metros de altura e que irá produzir um lago artificial com mais de 50 quilómetros, afecte outras actividades no Zambeze. A Revisão apontou que “a central de Batoka vai inundar o desfiladeiro e submergir os enormes rápidos que fizeram das Cataratas de Vitória um local excelente para rafting.”
Apesar destas preocupações, o projecto da barragem de Batoka, financiado sobrtudo pelo Banco Mundial, está a ser apontado pela Zâmbia e pelo Zimbaber como a resposta ao défice energético na região.
O Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, e o Presidente da Zâmbia, Michael Sata, assinaram o memorando de entendimento para a construção da barragem no ano passado. O início da construção estava previsto para este ano.

