Iraque: EUA apelam para castigos coletivos

Ramadi, Iraque, 09/10/2006 – As forças dos Estados Unidos estão realizando castigos coletivos contra civis em várias cidades da província de Al Anbar, segundo moradores e autoridades locais. “Ramadi (capital da província), ainda vive sob o terror diário de ter seu povo assassinado por franco-atiradores e sua infra-estrutura destruída. Está cidade enfrenta o pior da ocupação norte-americana há mais de dois anos, e o mundo segue em silêncio”, disse à IPS um médico local que só deu seu primeiro nome, Ahmad. A destruição da infra-estrutura e a interrupção do fornecimento de água e eletricidade “por vários dias, e mesmo semanas, são medidas de rotina contra a resistência” à ocupação, afirmou.

Porém, os insurgentes “não precisam de água nem de eletricidade. São as famílias as prejudicadas, e suas vidas estão em risco”, alertou. Pelo menos 13 pessoas morreram nesta segunda-feira e outras dezenas ficaram feridas na explosão de um carro-bomba conduzido por um atacante suicida. O atentado ocorreu diante de um escritório de recrutamento de pessoas para integrar a polícia. Estudantes e professores da Universidade de Al Banar disseram à IPS que seu campos freqüentemente é cenário de ataques.

“Quase todas as semanas sofremos blitze dos norte-americanos ou de seus colegas iraquianos”, disse à IPS um professor que pediu anonimato. Estudantes disseram que soldados dos Estados Unidos ocuparam seu colégio na semana passada. “Estamos sob uma grande pressão dos norte-americanos desde os primeiros dias da ocupação do Iraque”, disse à IPS um estudante. Denúncias desse tipo são feitas em toda Ramadi. “A destruição de infra-estrutura é muito grande nos edifícios governamentais do centro de Ramadi, e também estão destruindo o mercado”, disse o estudante Ali Al Ani, de 24 anos.

A IPS informou no último dia 5 que os escritórios da coalizão estavam demolindo quarteirões inteiros de edifícios perto dos escritórios do governo provincial para evitar os ataques da resistência contra estas repartições. Está ação parece mais severa na província de Al Anbar, onde a resistência é mais forte e onde aconteceu o maior número de baixas norte-americanas. A cidade de Hit, 80 quilômetros a oeste de Ramadi, foi cercada por tropas dos Estados Unidos há alguns dias. Vários civis foram assassinados e pelo menos cinco foram detidos. Os Estados Unidos colocaram postos de vigilância em cada entrada da cidade, o que dificultou o movimento de pessoas e prejudicou a economia da cidade.

“Houve um ataque contra um comboio norte-americano e três veículos foram destruídos”, disse à IPS um líder tribal que se identificou como Nawaf. “Não foram os civis que o fizeram, mas eles são castigados. Estes norte-americanos têm o mau habito de cortar todos os serviços essenciais depois de cada ataque da resistência. Eles dizem que vieram nos libertar, mas, vejam a morte lenta a qual nos submetem diariamente”, acrescentou. Residentes de Haditha, cidade de 75 mil pessoas banhada pelo rio Eufrates, em Al Anbar, denunciaram freqüentes castigos coletivos por parte de tropas dos Estados Unidos. Está cidade foi palco de um massacre de 24 civis por parte de fuzileiros navais em novembro de 2005.

“Os norte-americanos continuam entrando em nossas casas e nos ameaçando com mais violência”, disse à IPS o líder tribal Abu Juma. “Mas, se eles pensam que vamos ficar de joelhos diante desses atos criminosos, estão enganados. Se aumenta a pressão, a resistência aumenta a reação”, afirmou. “Rezo para que os norte-americanos recuperem o bom senso antes que todos o percam”, acrescentou. Na cidade de Faluja, os policiais contaram que os moradores apelam a eles diante das táticas de castigos coletivos contra a população por parte das forças dos Estados Unidos.

“Os norte-americanos começaram a nos pressionar para lutarmos contra a resistência apesar de em nossos contratos claramente constarem deveres de proteção da população civil contra crimes normais como roubo e disputas entre tribos”, disse um tenente da polícia à IPS. “Agora, 90% da força decidiu renunciar antes de ser obrigada a matar nossos irmãos ou sermos assassinados por eles para atender o desejo dos norte-americanos”, acrescentou. (IPS/Envolverde)

Ali al-Fadhily

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