Rio de Janeiro, 21/11/2006 – A economia da cultura e a criatividade como fator de desenvolvimento sustentável estarão no centro do debate de especialistas, artistas e delegados governamentais de mais de 70 países que se reunirão por dez dias, a partir de sexta-feira, em duas cidades brasileiras. Uma conferência sobre “Estratégias de desenvolvimento do século XXI”, encabeçada pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, e pelo diretor da Unidade Especial de Cooperação Sul-Sul (SSC-SU) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Yiping Zhou, vai inaugurar no próximo domingo as discussões sob o título “Economia Criativa”, com duração de três dias.
O novo setor baseado na criatividade, ainda sem definição precisa, compreende desde o artesanato aos diferentes produtos artísticos e às novas tecnologias, como programas de informática. A cultura tem, portanto, um papel-chave em seu desenvolvimento. Produtos e serviços culturais têm hoje grande importância para a economia de muitos países, em alguns casos constituindo o fator principal de turismo e de exportações, disse à IPS Dieter Jaenicke, diretor-geral do Fórum Cultural Mundial (FCM), que acontecerá entre os próximos dias 24 e 30, no Rio de Janeiro, e de 1º a 3 de dezembro em Salvador.
Os exemplos numerosos de pequenos países, como Jamaica, cujo ritmo reggae “ganhou um peso incrível”, e outros do Caribe e da África, se somam aos Estados Unidos, cujos filmes e demais produtos culturais compõem o segundo item das exportações, destacou Jaenicke.
Estimativas da Organização das Nações Unidas apontam a cultura com responsável por 7% do produto mundial bruto, com movimento financeiro de US$ 1,3 trilhão. Em razão de lhe ser atribuída uma expansão de 10% ao ano, muito superior à medida da economia global, a cultura é chave para o desenvolvimento futuro.
O ministro Gilberto Gil defende com entusiasmo a economia criativa e pretende instalar no Brasil o primeiro centro internacional dedicado ao tema. Uma grande inovação de sua gestão foi “tratar as atividades culturais também como atividades econômicas”, afirmou em seu balanço de quase quatro anos como ministro. A propriedade intelectual e propostas para sua flexibilização ou revisão, diante do surgimento da Internet e de outras tecnologias que ampliam a difusão, é uma questão que mobilizará muitos especialistas e governantes em várias reuniões do Fórum e dos “eventos associados”, que incluem um encontro de ministros da Cultura do Mercosul.
Cultura e artes também são importantes “na educação e prevenção de conflitos” , por isso o debate “Cultura e Paz” será outro tema importante do Fórum, destacou Jaenicke. Assim, serão mostradas as experiências interessantes em que projetos artísticos reduziram tensões e violência, como nas favelas brasileiras. Os debates sobre estas e outras questões, com relação entre cultura e desenvolvimento, globalização, direitos e cooperação, fazem parte da Convenção Global, o programa de discussões entre ao mais de 500 especialistas e artistas convidados, 400 deles de fora do Brasil, em conferências, simpósios e oficinas destinados à reflexão sobre o papel da cultura no mundo.
Entretanto, o Fórum também dá lugar a numerosos espetáculos de dança e música, mostras de artes plásticas, fotos, moda e desenho, especialmente da África e da América Latina, além de um ciclo de documentários, com a exibição de 11 filmes. Uma “noite branca”, de atividades culturais durante 24 horas ininterruptas, incluindo os próximos sábado e domingo, acontecerá em vários pontos do Rio de Janeiro, repetindo esse tipo de manifestação múltipla que se realiza em diversas cidades do mundo, especialmente na Europa.
Os “eventos associados” compreendem os encontros anuais das Redes Internacionais de Políticas Culturais e de Diversidade Cultural, a primeira composta por ministros de mais de 60 países e a segunda por mais de 300 organizações de artistas e grupos culturais de 50 nações. Também se reunião ministros dos países de língua portuguesa, cerca de 30 redes culturais de todo o mundo e fundações, tudo isso convertendo o Rio de Janeiro na capital do debate cultural durante sete dias.
Está será a segunda edição do Fórum Cultural Mundial. A primeira aconteceu em 2004, em São Paulo, e atraiu cerca de 15 mil participantes nos debates e mais de 150 mil pessoas nas exposições e nos espetáculos. Para este ano espera-se, pelo menos, repetir” estes números, disse Jaenicke. O próximo encontro bienal será em um país ainda a ser escolhido. O Fórum é uma iniciativa de 51 organismos oficiais e organizações não-governamentais que para realizar está segunda edição de seu encontro mundial se associou ao Ministério da Cultura do Brasil, ao Serviço Cultural do Comércio e ao Instituto Cultural Casa Via Magia. (IPS/Envolverde)

