Nações Unidas: Ban ki-Moon busca transparência

Nações Unidas, 08/01/2007 – O novo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban ki-Moon, apresentou-se como um exemplo de funcionário ao declarar voluntariamente suas contas bancárias diante do recém-criado Escritório de Ética da ONU. O porta-voz da organização, Michele Montas, disse aos jornalistas que Ban enviou a esse órgão um informe sobre sua situação financeira na terça-feira, primeiro dia no cargo após a saída de Kofi Annan.

Sua declaração será analisada pela auditoria norte-americana Pricewaterhouse Coopers. “Depois de completar a declaração, o secretário-geral também decidiu torná-la pública”, afirmou Montas. Anna também havia feito uma declaração de suas posses, mas, sem a revelar ao público. Como o secretário-geral tecnicamente não é empregado da ONU, já que é eleito pelo Conselho de Segurança e pela Assembléia Geral, em geral está liberado das regras referentes aos funcionários.

No mês passado, diante da Assembléia Geral, Ban afirmou que com sua administração procuraria “estabelecer os mais altos padrões éticos. O bom nome das Nações Unidas é um de seus ativos mais valiosos, mas, também um dos mais vulneráveis”, afirmou. “A carta da ONU chama os funcionários a conseguirem os máximos níveis de eficiência, competência e integridade, e busca edificar uma sólida reputação. Asseguro que irei liderá-los com o exemplo”, afirmou.

Em novembro, o então subsecretário-geral para Assuntos de Administração, Chris Burnham, propôs que todos os funcionários de alto nível da ONU não só declarassem sua situação financeira, mas a tornassem pública. Burnham também disse que vários governos, entre eles dos Estados Unidos e da Coréia do Sul, por exemplo, tornaram obrigatório que os funcionários públicos revelem suas contas. “Inclusive, diria que revelar as declarações financeiras apenas do secretário-geral da ONU é algo muito escasso”, ressaltou.

No futuro, todos os funcionários, incluindo subsecretários-gerais e os secretários-gerais assistentes, deveriam divulgar sua informação pessoal, bem como os funcionários de logística da organização em todo o mundo. Como resultado das novas regras éticas, mais de dois mil funcionários assinaram suas declarações em todo o sistema da ONU, contra apenas 200 em 2005. O Escritório de Ética da ONU, criado em janeiro de 205, prometeu proteção aos que denunciarem casos de fraude e malversação dentro do sistema das Nações Unidas em todo o mundo.

Segundo regras éticas fixadas por Annan, “todos os funcionários devem cooperar com o Escritório de Ética e permitir acesso a todos os registros e documentos que este órgão solicitar”. As únicas exceções se referem a registros médicos que não estejam disponíveis sem o expresso consentimento do funcionário implicado e aos registros do Escritório de Serviços de Supervisçao Interna, sujeitos a regras confidenciais.

Por outro lado, Ban ki-Moon nomeia uma nova equipe para integrar sua Secretaria e pediu a renúncia de todos os funcionários de alto nível, menos os designados por órgãos intergovernamentais. Estas renúncias, disse Montas, “permitirão ao secretário-geral ter a flexibilidade necessária para formar sua nova equipe”. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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