Mulheres: Ban apóia unificação de agências da ONU

Nações Unidas, 13/03/2007 – A unificação em uma nova agência de todos os organismos da Organização das Nações Unidas dedicados à situação das mulheres deu um grande passo à frente: o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, aderiu à iniciativa. “O apoio expresso do secretário-geral é muito importante para a implementação deste novo organismo”, disse à IPS June Zeitlin, diretora-executiva da Organização de Mulheres para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, com sede em Nova York. Cerca de 140 ONGs internacionais aplaudiram Ban por sua declaração de apoio.

Ban Ki-Moon exortou os países que integram a ONU a adotarem esta proposta, disse Zeitlin. Nesse sentido haviam se manifestado representantes de organizações de todo o mundo durante a sessão de duas semanas da Comissão sobre o Status da Mulher, que terminou na sexta-feira nas Nações Unidas, em Nova York. A proposta foi apresentada em novembro por um Grupo de Alto Nivel que analisou a coerência do sistema da ONU, integrado por 15 membros, entre eles chefes de governo e altos funcionários nacionais, aposentados e em atividade, bem como especialistas da ONU.

No Dia Internacional da Mulher, o secretário-geral disse que o novo órgão deveria ser capaz de reunir todos os recursos do sistema da ONU na tarefa de outorgar poder às mulheres e concretizar igualdade de gênero em todo o mundo. “Exorto os Estados-membros a estudarem a possibilidade de substituir várias das atuais estruturas por uma entidade dinâmica da ONU”, afirmou Ban Ki-Moon. A proposta inclui fundir as três entidades dedicadas a questões femininas existentes na órbita da ONU em uma nova organização sob direção de um subsecretário-geral, terceiro nível funcional das Nações Unidas.

Estas três entidades são o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), o Escritório do Assessor Especial para Assuntos de Gênero e a Divisão para o Progresso da Mulher. Mas a implementação desta reforma deverá contar com o consentimento da Assembléia Geral, integrada por representantes dos 192 países que integram a ONU. Até agora, não há pistas sobre a resposta dos países. As mulheres que nas semanas passadas participaram da conferência em Nova York falaram a respeito com os representantes de seus governos na ONU e continuarão pressionando as autoridades após regressarem aos seus países de origem, explicou Zeitlin.

“Até agora não ouvimos opiniões contrárias dos governos. Mas compreendemos que os países têm perguntas e querem mais informações sobre vários temas, entre eles, como irá operar a nova entidade, principalmente no plano nacional, e de onde virão seus recursos”. Em uma carta enviada a Ban na semana passada, a coalizão de 140 organizações não-governamental exortou “os Estados-membros da ONU e seu secretário-geral a tomar ações rápidas para iniciar e apoiar os esforços para estabelecer a arquitetura para a igualdade das mulheres nas deliberações da Assembléia Geral”, que terminam em setembro.

A coalizão disse que a modernização das gestões pela igualdade das mulheres dentro do sistema da ONU deveria ter se concretizado muito antes. “Nesta conjuntura crítica é imperativo que os países-membros e o sistema das Nações Unidas adotem uma ação enérgica – e forneçam a liderança e os recursos necessários – para tornar realidade estas recomendações”, diz a declaração.

Entre as 140 ONGs signatárias da declaração figuram Asia Pacific, Woemen’s Watch, Federação Canadense de Mulheres Universitárias, Centro para a Liderança Global das Mulheres, European Women’s Lobby, Centro Africano de Estudos sobre Democracia e Direitos Humanos, Federação Internacional de Mulheres Advogadas e Federação Mundial de Associações para as Nações Unidas. Charlotte Bunch, do Centro para a Liderança Global das Mulheres, disse que a carta assinada por todas as entidades foi entregue a Ban Ki-Moon no último dia 8. “Esperamos que isto recoloque o processo em marcha entre os governos”, disse à IPS.

Bunch destacou que a coalizão também conseguiu que o assunto fosse debatido na sessão temática especial sobre gênero que na semana passada aconteceu na sede da ONU, e também com os governos na sessão da Comissão sobre o Status da Mulher. “Embora não sabemos exatamente qual será a próxima etapa do processo, a idéia é ganhar impulso, e foi amplamente apoiada por organizações não-governamentais nessa Comissão”, acrescentou.

A carta enviada ao secretário-geral também exige um compromisso “com o financiamento sustentável da nova entidade feminina e com o trabalho pela igualdade de gênero e os direitos e o poder das mulheres em todo o sistema ONU, incluindo a atenção do gênero em todas as políticas e programas das Nações Unidas”. A coalizão também busca “a participação significativa e crescente da sociedade civil, particularmente de organizações de mulheres, no exame e implementação das recomendações do Grupo de Alto Nível nos planos nacional, regional e global”.

Na carta é destacado que as estruturas e vias para essa participação deveriam ser construídas dentro da arquitetura da igualdade de gênero da ONU em todos os níveis, para garantir que as vozes das mulheres sejam ouvidas e que suas preocupações sejam abordadas de modo efetivo e sustentado. Zeitlin disse que as três unidades femininas existentes têm orçamento total de aproximadamente US$ 65 milhões, em comparação com os US$ 450 milhões para o Fundo de População da ONU e cerca de US$ 2 bilhões para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“Estas recomendações representam a melhor oportunidade para reduzir a brecha entre a retórica sobre igualdade de gênero na ONU e a realidade”, acrescentou Zeitlin. Também ressaltou que o Grupo de Alto Nível havia recomendado como orçamento inicial cerca de US$ 200 milhos para a nova agência feminina. “Este valor foi retirado do informe porque alguns membros do Grupo julgaram que estava muito abaixo do necessário para que a ONU cumpra as ações pela igualdade de gênero e pelo poder das mulheres”, concluiu. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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