Corrupção: Wolfowitz contra-ataca

Washington, 25/04/2007 – O presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, anunciou diversas medidas, numa aparente tentativa de tranqüilizar seus críticos e recuperar a iniciativa, após semanas de acusações segundo as quais favoreceu sua noiva, funcionaria da instituição. A ofensiva de Wolfowitz inclui uma versão emendada de sua estratégia sobre planejamento familiar que causou controvérsia e a reativação de uma adormecida unidade de investigação de queixas de funcionários, além da contratação de uma advogada especialista em assuntos de defesa.

Além disso, apresentou uma nova carta pessoal na qual pede mais tempo para solucionar a controvérsia e a contratação de um advogado especialista em defesa que cobra elevados honorários. Wolfowitz pediu na terça-feira “renovada paciência” aos funcionários do Banco Mundial, em seu primeiro comentário público desde as tormentosas reuniões anuais dessa instituição com o Fundo Monetário Internacional na semana passada. O presidente do Banco havia admitido na ocasião ter cometido “um erro”, em relação ao escândalo pelo aumento do salário de sua noiva, Shaha Riza.

A carta se refere à reunião que manteve na segunda-feira com os vice-presidentes da instituição. “Os vice-presidentes foram francos nas respostas que me deram sobre os desafios que o Banco enfrenta”, afirmou. Tentanto modificar seu estilo de administração, que depende muito de um punhado de estreitos aliados internos, Wolfowitz ofereceu ao pessoal um mecanismo de consultas através de uma junta coletiva para concretizar grandes mudanças em seu gabinete e nas gerências mais altas. Na carta, também pediu que o pessoal volte com urgência ao trabalho habitual. “Temos uma enorme agenda de tarefas a serem feitas”, lembrou.

Por outro lado, vazou da instituição um documento interno do Banco sobre planejamento familiar e saúde reprodutiva. Trata-se de uma versão diferente das anteriores, das quais os aliados de Wolfwitz haviam apagado referencias a planejamento, para escândalo de diretores europeus do Banco e organizações de defesa dos direitos femininos. O documento original refletia a linha ultraconservadora do diretor-gerente do Banco designado por Wolwitz, Juan José Daboub.

O novo rascunho de estratégia sobre planejamento familiar e saúde reprodutiva, discutida pela Junta de Diretores na terça-feira, contem numerosas mudanças a respeito do que foi informado no último dia 20, pela IPS. A campanha eletrônica “Wolwitz Renuncie”, da qual participam funcionários do Banco, em seu site atribuiu as mudanças ao vice-presidente do Banco Joy Phumaphi. O documento propõe “fornecer apoio financeiro e assessoramento em políticas para serviços de saúde reprodutiva e sexual completos, incluídos planejamento familiar e saúde materna e neonatal”.

Phil Hay, assessor de comunicações do Banco, informou em mensagem interna – à qual a IPS teve acesso – que “acredita-se que os membros europeus da Junta estão contentes com está linguagem”. Além disso, Wolfwitz reanimou repentinamente o Painel Volcker, criado em fevereiro e presidido pelo ex-presidente da Reserva Federal (ministro da Fazenda) dos Estados Unidos Paul Volcker, para investigar denúncias de funcionários da instituição sobre a ação do Departamento de Integridade Institucional (INT).

O INT é o órgão encarregado de investigar casos de fraude e corrupção internas e é dirigido por Suzane Rich Folsom, outra especialista designada por Wolfwitz que ganhou a antipatia dos funcionários por seu estilo rude. Portanto, a Junta de Diretores, de 24 membros, representantes dos governos acionistas, foi obrigada no ano passado a criar o Painel Volcker para investigar as ações de Folsom. De todo modo, o sindicato de funcionários pede, sem êxito, uma reunião com o Painel Volcker desde sua criação. Mas, agora, ao que parece, após o escândalo de Wolfwitz, o grupo de trabalho começará a avançar.

Em meio às recriminações, Wolfwitz deu outro passo em sua luta por seu bem remunerado cargo no Banco Mundial: medidas legais para garantir sua segurança. Por isso contratou na segunda-feira um novo advogado, Robert Bennett, especialista em manejo de crise. Bennett, conhecido por representar o ex-presidente norte-americano Bill Clinton no caso em que era acusado de assédio sexual por Paula Jones, também pediu mais tempo, e alertou contra o julgamento apressado do chefe do Banco Mundial por parte da Junta, que analisa o caso.

Wolfwitz também se ofereceu para amortecer as ações de dois de seus assessores de linha dura, Robin Cleveland e Kevin Kellems, detestados por muitos funcionários por seus modos e também por seus salários de quase US$ 250 mil ao ano. Na segunda-feira, um grupo de ex-altos funcionários do Banco em carta ao jornal britânico The Financial Times alertaram que Wolwitz “perdeu a confiança e o respeito do pessoal de todos os níveis”.

Também o órgão fiscalizador do Banco, o Grupo Independente de Avaliação, advertiu para a onda de desconfiança. “Tudo indica que a capacidade do pessoal, em particular dos que trabalham nos países clientes, bem como a capacidade da instituição em tratar seus sócios estão sendo prejudicadas”, afirmou o Grupo em um memorando enviado no último dia 20 à Junta de Diretores e intitulado “A confiança prejudicada”. (IPS/Envolverde)

Emad Mekay

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