Nova York, 11/05/2007 – A Organização das Nações Unidas deve ser mais poderosa e ter forças permanentes de manutenção da paz para controlar o tráfico de armas e investigar violações de direitos humanos, segundo maiorias dos cidadãos em 18 países entrevistados para uma pesquisa. “A opinião pública internacional coincide claramente que a ONU deve ser um veículo para a resolução de conflitos e a cooperação internacional em torno de uma grande variedade de assuntos importantes, apesar dos tão comentados desacordos sobres suas competências nesse setor”, disse Christopher Whtiney, do independente The Chicago Council on Global Affairs. Whitney foi o diretor-executivo da pesquisa por esse fórum de discussão sobre questões de política internacional e externa dos Estados Unidos, criado em 1922.
Deve existir uma força de manutenção da paz permanente, “selecionada, treinada e comandada” pela ONU, segundo a maioria dos entrevistados de 12 países onde o estudo, divulgado quarta-feira, foi realizado. Não foram feitas as mesmas perguntas em todo os países por limitações financeiras e restrições impostas pelos governos. Chicago Council esteve encarregado da pesquisa em colaboração com o WorldPublicoOpinion.org (WPO) e vários institutos locais.
WPO é um projeto do Programa sobre Atitudes Políticas Internacionais da Universidade de Maryland, Estados Unidos, que pretende ser uma fonte de informação exaustiva e análise de opinião pública em nível mundial. “Os governantes resistem a dar mais poder à ONU, mas é claro que a população mundial se inclina por essa possibilidade”, disse Steven Kull, editor do WPO. Os governos não consultam a população para chegar a um acordo com as Nações Unidas sobre assuntos de política externa, afirmou na terça-feira aos jornalistas Carne Ross, diplomata britânico.
Ross propôs uma reforma simples e rápida da ONU, que dê a grupos de cidadãos e organizações não-governamentais a possibilidade de se dirigir ao Conselho de Segurança quando estiverem em discussão assuntos que lhes digam respeito. “Seria um grande avanço se os políticos estivessem realmente interessados em saber o que faria a população estando informada”, disse Kull à IPS. A pesquisa se baseou em estudos anteriores feitos em 18 paises que concentram 56% da população mundial: Argentina, Armênia, Austrália, China, Filipinas, França, Índia, Irã, Israel e os territórios palestinos, México, Peru, Polônia, Rússia, Coréia do Sul, Tailândia, Ucrânia e Estados Unidos.
O maior apoio a uma força permanente de manutenção da paz da ONU foi registrado no Peru, com 77% dos entrevistados a favor; na França com 74%, e nos Estados Unidos com 72%. As opiniões favoráveis a que “a ONU regule o comércio internacional de armas” também foram significativas, reunindo 55% das respostas. Em 12 países, uma maioria absoluta ou relativa se inclinou por essa idéia, especialmente na França com 77%, Coréia do Sul com 75%, Israel 60% e EUA 60%.
A idéia de que as Nações Unidas tenham autoridades “para investigar violações de direitos humanos” teve grande número de partidários na França (92%), EUA e Peru (75%) e Coréia do Sul (74%). Essa proposta recebeu o apoio da maioria ou de maiorias relativas em 13 das 14 nações onde a pergunta foi feita, 64%, em média. A iniciativa de que a ONU possa financiar suas atividades mediante um imposto sobre a venda internacional de armas e petróleo teve várias maiorias em nove dos 14 países onde a consulta foi feita, com média de 46% de respostas a favor e 37% contra.
Mas nos Estados Unidos, apenas 45% foram favoráveis a essa idéia, enquanto 50% afirmaram ser contrários. As respostas favoráveis foram menos quando se perguntou sobre a aceitação de decisões da ONU contrárias a preferências locais. Porém segundo o estudo, amplas maiorias se mostraram a favor de o Conselho de Segurança ter autoridade para intervir militarmente em casos de proliferação nuclear, genocídio ou terrorismo.
A opção de recorrer à força militar para “defender um país atacado” e “evitar que uma nação apóie organizações terroristas” foi escolhida pela maioria dos entrevistados em todos os países onde foi feita a pergunta. Amplas maiorias também estiveram a favor de que o Conselho de Segurança tenha a faculdade de recorrer à força para deter um genocídio. A ONU deve ter a responsabilidade de recorrer à força para evitar grandes violações de direitos humanos, segundo a maioria dos entrevistados em 12 países onde a pergunta foi feita.
Os chineses foram os que mais se inclinaram por essa opção, com 76% de respostas a favor, seguidos dos norte-americanos (74%), e dos palestinos (69%). Menor foi o apoio ao uso coletivo da força para deter a proliferação nuclear. Mas em oito países de 11 onde a questão foi apresentada, houve maiorias de entrevistados para as quais a ONU deve deter o poder de utilizar a força para evitar que as nações adquiram armas nucleares.
Esta semana, a WPO também publicou uma extensa análise de pesquisas de opinião pública feitas nos Estados Unidos nos últimos cinco anos. Segundo esse estudo, nos últimos anos os norte-americanos se mostraram descontentes com a atuação das Nações Unidas, mas mesmo assim estiveram a favor de fortalecê-la. Os norte-americanos também preferem que seja a ONU, e não um país, a lidar com os problemas internacionais, especialmente quando se trata de intervenções militares. (IPS/Envolverde)

