Grupo dos Oito: Legisladores esperam progresso na luta contra a mudança climática

Berlim, 06/06/2007 – Legisladores dos países mais poderosos do mundo aguardam, contra todos os prognósticos, um histórico avanço na luta contra a mudança climática na cúpula do Grupo dos Oito, que começa hoje na localidade alemã de Heiligendamm. Os chefes de governo do G-8, formado pelos países mais ricos (Alemanha, Estados Unidos, Canadá, França, Itália e Japão) mais a Rússia, se reúnem nesse centro turístico do mar Báltico. As mesmas expectativas têm os representantes das cinco economias emergentes de maior destaque atualmente (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), cujos líderes também participarão da cúpula.

Parlamentares do G-8, reunidos em Berlim, contaram com o apoio do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que no domingo lhes disse que os líderes da aliança e seus colegas das cinco maiores nações em desenvolvimento “poderiam selar um histórico acordo sobre mudança climática”. O fato permitiria que as negociações da Organização das Nações Unidas iniciadas no final deste ano em Bali, na Indonésia, avancem na elaboração de um tratado que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Sob o convênio acordado em 1997 nessa cidade japonesa, 35 países industrializados, menos Austrália e Estados Unidos, se comprometeram a reduzir até 2012 suas emissões de gases causadores do efeito estufa em, pelo menos, 5,2%, em relação às emissões de 1990. Blair se dirigiu a cerca de cem representantes de parlamentos do G-8 e das cinco nações emergentes reunidos em Berlim. O fórum de dois dias realizado no parlamento alemão foi organizado pela Globe Internacional, rede mundial de legisladores preocupados com o meio ambiente, e pela COM+ (Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável).

O fórum foi organizado com apoio de Blair durante a dupla presidência britânica do G-8 e da União Européia, em 2005. Os legisladores deram seu total apoio à chefe do governo da Alemanha, Angela Merkel, em matéria de mudança climática. “É muito importante que o G-8 demonstre em Heiligendamm sua liderança e expresse sua visão sobre um contexto da ONU para depois de 2012, de acordo com os cinco elementos propostos pela chanceler Merkel”, diz a declaração divulgada segunda-feira.

Os cinco pontos são: um objetivo de longo prazo para reduzir substancialmente as emissões de gases causadores do efeito estufa; promoção de um mercado de carbono mundial; maior apoio à pesquisa de tecnologia e desenvolvimento; maior apoio à adaptação, em especial nas nações em desenvolvimento; e medidas para reduzir o desmatamento. Os gases que provocam o efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, são considerados pela maioria dos cientistas responsáveis pelo aquecimento do planeta.

“A extraordinária liderança de Angela Merkel nos dá uma grande oportunidade de progressos reais para esses objetivos na cúpula do G-8”, afirmou Blair. O primeiro-ministro britânico descreveu o polemico anúncio feito há alguns dias pelo presidente George W. Bush de “importante avanço. Pela primeira vez, os Estados Unidos querem fazer parte do contexto que compromete o mundo com um objetivo mundial de longo prazo para reduzir as emissões e com metas nacionais”, disse Blair. “A chanceler Blair e eu trabalhamos duro para incluir esse enfoque nos últimos dias antes da cúpula de Heiligendamm”, disse Blair.

Os legisladores disseram que as propostas elaboradas em Berlim “são chave para aproveitar a energia e a inovação do setor privado para proporcionar opções paliativas a menor custo”. Também pediram que o G-8 reconheça que os mercados de carbono, embora necessários, não bastam para cumprir os investimentos em fontes de energia alternativa, requeridos em um período recorde com a proporção do desafio. Os representantes se inclinaram por instrumentos e políticas como o fortalecimento do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto e por uma forma de elevar o financiamento conjunto no setor energético dos países industrializados nas nações em desenvolvimento e uma mudança de ritmo nas associações público-privadas para criar medidas transitórias e reduzir os custos em tecnologia.

Além disso, destacaram que para esses mercados de carbono serem efetivos devem estar acompanhados de objetivos ambiciosos de redução das emissões e promover sua transparência e padrões por meio de qualificações independentes e avaliações de fundos de carbono. Diretores gerais das grandes corporações de energia, convidados para o fórum, pediram a criação do mercado de carbono mundial como forma de estimular o investimento, o desenvolvimento de energia limpa e fundos adicionais necessários para avançar a um ritmo constante para uma economia mundial com pouco carbono.

Os legisladores defendem maior apoio aos programas de investimento nacional e internacional, através da Agência Internacional de Energia, do Fórum da Liderança em Embargo de Carbono, da União Européia e do Plano de Ação de Glenagles. Além disso, propuseram maior colaboração prática entre as nações industriais e em desenvolvimento para acelerar a criação de capacidades nestas últimas. Os representantes também querem encomendar uma cartografia geológica completa dos maiores países do G-8 e dos emergentes que mais usam carbono, para identificar os possíveis locais e os mais apropriados para armazenar dióxido de carbono sob a terra.

Pediram, ainda, apoio para a proposta da Comissão Européia, órgão executivo da UE, para desenvolver um acordo-marco internacional de eficiência energética. Um tratado desse tipo pode centrar-se em cooperação normativa, avaliação e medidas de eficiência energética, rotulado e padrões de rendimento para bens de circulação internacional, eficiência do combustível para veículos, fixação de parâmetros e desenvolvimento de acordos setoriais, cooperação em desenvolvimento tecnológico e financiamento em eficiência energética.

“Um acordo desse tipo pode prosseguir no processo do Diálogo de Gleneagles com vistas as sua implementação em 2008”, segundo os legisladores. A atual presidência do G-8 espera iniciar um processo de Heiligendamm para formalizar o diálogo em torno das questões sobre mudança climática entre o G-8 e os cinco países com economias emergentes. (IPS/Envolverde)

Ramesh Jaura

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