HARARE, 21/06/2007 – A imprensa zimbabueana lançou o seu orgão de autoregulação apesar das ameaças do governo de tomar as ações contra ele. A Aliança das Médias de Zimbábue criou este mês o Conselho das Médias de Zimbábue (MCZ), visando que o governo deixzsse de perseguir a imprensa local e deixá-la ser regulada e controlada por este conselho.
Alguns jornais, incluindo os diários independentes The Daily News e The Daily News on Sunday (ambos pertencendo a mesma empresa redatorial), foram fechados pelo governo depois da introdução das leis que severamente restringem a liberdade da imprensa.
As leis repressivas introduzidas pelo governo há cinco anos obrigam os jornalistas locais a ter permites e proibem os jornalistas estrangeiros de trabalhar no país. CNN e BBC estavam entre as agências internacionais tocadas pela campanha do governo que os considera como difundidos a informação negativa sobre a situação zimbabueana.
Os oficiais governamentais alegam que haja uma ligação entre o lançamento do partido da oposição o Movimento para a Mudança Democrático (MDC) e o que consideram como uma campanha propagandística da imprensa independente visando causar uma revolta contra o governo do presidente Robert Mugabe, que está no poder desde há 27 anos.
O governo creia que a imprensa independente o critica com o respaldo do MDC.
A economia de Zimbábue parece ter deslizado num abismo, o qual o MDC atribui as políticas económicas e sociais pouco sólidas que deixaram a população empobrecida num país com uma abundância de recursos naturais.
A taxa de inflação no país está por cima de 3.000 porcento, e os analistas independentes predizem que poderá atinjir cerca de 10.000 porcento pelo fim deste ano se o governo não toma as medidas urgentes.
A criação do MCZ significa que a imprensa pode se controlar, e não precisa da Comissão de Informação e das Médias do governo controlar as operações dos jornalistas, disse o Matthew Takaona, o presidente do sindicato de jornalistas (ZUJ).
Falando com 150 jornalistas e membros da sociedade civil, no lançamento do MCZ no dia 8 deste mês, o Takaona indicou que o MCZ pretende fiscalisar e manter a conduta professional e a boa ética entre os professionais da média deste país.
“Um Conselho independente, não partidário e apolítico, em contraposição a um orgão normativo obrigatório, é o melhor sistema para promover a liberdade de expressão. Como o sindicato de jornalistas estamos a favor da sua criação, e esperamos que seja o prelúdio de uma nova época para a imprensa local”, declarou o Takaona.
Ele também enfatizou que o orgão deve arbitrar com justiça para evitar as ações judiciais que estão muito comuns no país neste momento. Se não se toma as decisões maduras o futuro será negativamente tocada. “O MCZ foi criado no meio da turbulência dentro e fora da imprensa. Eu gostaria de pedir aos representantes eleitos ao Conselho de desistir de tomar as decisões ingénuas que tocam o orgão”, acrescentou ele.
“Eu também quero pedí-los a desistir de praticar a política pois não nos dedicamos a isto, mas sim a regular e arbitrar, da maneira mais eficaz possível, as disputas entre o governo e a sociedade civil”, indicou o Takaona.
A direcão de 14 membros do MCZ inclui o correspondente de Reuters em Harare, o Chris Chinaka, a subredatora do semanal financeiro The Financial Gazette, a Edna Machirori, o ex redator do diário The Standard o Bornwell Chakaodza e o correspondente de Associated Press, o Angus Shaw. Os outros membros são os advogados dos direitos humanos como a Irene Petras e o Lawrence Chibwe, os dirigentes religiosos o Oscar Wermter e o Sebastian Bakare, o juíz reformado o George Smith, o direitor geral da Associacão de Diários de Zimbábue, o Muchadeyi Masunda, e o professor da Universidade de Zimbabwe, o Geoff Feltoe.
Os outros três membros serão tirados da associação dos redatores de diários no país.

