Baquba, Iraque, 12/07/2007 – Os últimos ataques dos Estados Unidos na província iraquiana de Diyala interromperam a vida diária e fomentaram o apoio à resistência contra a ocupação. Baquba, 50 quilômetros a nordeste de Bagdá e capital da província, foi castigada pela operação norte-americana “Arrowhead Ripper” (Ponta de flecha violenta). As informações sobre casas destruídas e civis assassinados são contraditórias, mas todos concordam que a destruição é imensa e deixou várias vítimas.
A operação foi lançada dia 18 de junho com o objetivo de “destruir influências da Al Qaeda na província e eliminar uma ameaça contra a população”, disse o general Mick Bednarek, subcomandante da 25ª Divisão de Infantaria. Mas para a maioria dos habitantes ouvidos pela IPS nesta cidade, a ofensiva visa dividir mais a resistência e seus partidários. Nesse sentido, a declaração do comandante da operação norte-americana três dias após a ofensiva militar diz que 80% dos líderes da rede terrorista Al Qaeda abandonaram Baquba antes do ataque.
“Os norte-americanos querem que os sunitas abandonem ou morram”, disse à IPS Salman Shakir, do distrito Gatoon, de Baquba, fora do cordão militar que mantém a cidade sitiada. “Eles alertaram a Al Qaeda dias, e até semanas, antes de lançar o ataque, assim, somente nós, os cidadãos, sofremos o massacre”. Shakir disse que muitos parentes e vizinhos seus morreram quando tentavam abandonar a área. “Não posso dizer quantas pessoas morreram, mas os corpos ficavam jogados nas ruas”. Hilmi Saed, jornalista iraquiano, disse que “todos sabemos que o exército dos Estados Unidos menciona a Al Qaeda para cobrir seus ataques contra combatentes da resistência e civis, que querem uma retirada imediata ou programada das tropas estrangeiras do país”.
O sunita Partido Islâmico Iraquiano divulgou uma declaração no dia 1º deste mês afirmando que mais de 350 pessoas foram assassinadas na operação norte-americana. A organização também qualificou a operação de “castigo coletivo” e disse que “os moradores de Baquba são, desde a semana passada, vítimas de duros ataques cometidos pelas forças de ocupação. Elas bombardearam essas áreas com helicópteros, destruíram mais de 150 casas e mataram mais de 350 cidadãos. Além disso, detiveram cerca de 20 pessoas”, acrescenta a declaração. O exército dos Estados Unidos não inclui nas estatísticas a quantidade de vítimas civis causadas por suas operações.
A animosidade em relação aos norte-americanos parece aumentar na região devido às suas ações militares. “Os Estados Unidos nos empurram para o extremismo com seus ataques maciços”, disse à IPS Abbas al-Zaydi, professor em Baquba. “Simplesmente, querem vender barata nossa religião, história, tradição e fé ou, então, nos rotulam de terroristas. Meu filho não era combatente, mas foi assassinado por um líder militar, que também é comandante de uma divisão do exército iraquiano. Nosso grande erro é ser sunita, e isso não agrada aos norte-americanos”, acrescentou.
“Agora, é claro que todo iraquiano que se negar a servir aos planos de Washington é considerado um inimigo dos Estados Unidos”, disse a IPS um líder comunitário desta cidade que pediu para não ser identificado. Algumas pessoas estão enojadas porque há líderes que apóiam as forças norte-americanas. “O mundo inteiro é responsável pelos assassinatos, e chegará o dia em que diremos “vocês apoiaram os norte-americanos que nos mataram”, ressaltou.
Um homem com o rosto coberto, que parecia ser um combatente, também falou com a IPS nos arredores de Baquba, mas, pediu para não se identificar. “Centenas de pessoas morreram e milhares foram desalojadas da cidade, enquanto os chamados combatentes da Al Qaeda sobreviveram. Os norte-americanos devem saber que nunca deixaremos de matar seus filhos que vieram nos matar, a menos que abandonem nosso país em paz”, afirmou. (IPS/Envolverde)

