Ambiente: Grandes empresas dos EUA querem ação urgente

Washington, 19/07/2007 – Representantes de 160 das principais empresas dos Estados Unidos reclamaram das autoridades ações urgentes para enfrentar a mudança climática. Os líderes empresariais alertaram que “as conseqüências do aquecimento global para a sociedade e o meio ambiente são potencialmente sérias e de longo alcance”, e acrescentaram que “o tempo para agir é agora”. A declaração, divulgada esta semana pela Mesa Redonda de Negócios (BRT), não promove a redução obrigatória da emissão de gases causadores do efeito estufa – apontados pela maioria dos cientistas como responsáveis pelo aquecimento -, mas pede “uma ação coletiva que a reduza em nível mundial”.

A intenção é “reduzir o aumento da concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera para, em última instância, estabilizá-los em um nível que permita evitar os riscos da mudança climática. É a primeira vez que líderes empresariais de todos os setores da economia norte-americana alcançam um consenso sobre as ameaças do aquecimento da Terra e a necessidade de tomar medidas a respeito”, disse o presidente da BRT, John J. Castellani. “Os membros da BRT estão prontos para trabalharem junto com os líderes políticos em soluções ativas para enfrentar o problema, ao mesmo tempo em que se mantém o crescimento econômico”, acrescentou. Castellani informou que a declaração foi aprovada pelo consenso de toda a Mesa Redonda.

Organizações ambientalistas destacaram o pronunciamento que, afirmaram, deveria estimular o Congresso dos Estados Unidos a tomar medidas. Com maioria do Partido Democrata nas duas Casas legislativas, os legisladores começaram a analisar projetos para limitar as emissões, ao que se opõe o presidente George W. Bush. “Basicamente, os líderes empresariais estão reconhecendo que haverá algum tipo de legislação de caráter obrigatório, o que não é pouco”, disse o diretor da área de mercados e negócios do Centro Pew sobre Mudança Climática, Truman Semans.

O Centro é uma organização não-governamental que trabalha em estreito contato com as maiores empresas norte-americanas em matéria de regulamentações e legislação para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa. “Uma declaração desse tipo reflete o mínimo denominador comum”, disse Semans. “Indica a vontade de alguns dos membros em apoiar reduções obrigatórias, o que segure que a visão média do grupo é mais progressista do que denota o texto da declaração”, acrescentou.

“É realmente notável que o establishment empresarial dos Estados Unidos tenha avançado, ainda que alguns passos, para assumir o problema e a necessidade de iniciar ações”, disse Christopher Flavin, presidente do centro de estudos sobre meio ambiente e desenvolvimento World Watch Institute. “É uma declaração tímida, mas mesmo assim é um sinal, entre outros, de que a comunidade empresarial se move bastante rápido em matéria de mudança climática, e que inclusive empresas com a petrolífera Exxon Móbil, uma das mais reticentes, pouco a pouco tira a cabeça da areia”, afirmou Flavin à IPS.

A BRT agrupa companhias que somam ganhos anuais no valor de US$ 4,5 bilhões e representam cerca de um terço do mercado de ações dos Estados Unidos. Entre seus membros estão presidentes de gigantes do setor energético com Exxon e Peabody Energy Company, o maior produtor de carvão do país. Até agora, combatiam energicamente todo projeto de lei ou iniciativa que implicasse reduzir o consumo de combustíveis fósseis ou as emissões de gases que causam o efeito estufa.

“É estimulante que empresas como Exxon e Peabody assinem a declaração”, disse Tony Kreindler, do Conselho para a Defesa dos Recursos Naturais (NRDC). “E é muito significativo que alguns membros da BRT, que sentem que a ciência ainda evolui, aceitem que é preciso tomar medidas já”, acrescentou. A campanha para que a BRT adotasse uma nova política sobre aquecimento global foi liderada por membros da instituição que participaram este ano do lançamento da Coalizão Norte-americana para a Ação sobre o Clima (Uscap). Esta associação incluiu em sua origem 10 empresas de primeira linha e várias organizações não-governamentais, como Centro Pew e o NRDC.

A Uscap reclamou do Congresso a aprovação de leis que estabeleçam reduções obrigatórias das emissões de gases que provocam o efeito estufa. As companhias, entre elas Caterpillar, DuPont e General Electric, reclamaram uma lei para reduzir as emissões em 70% de seu nível atual no prazo de 15 anos, e em 80% até 2050. Desde então, o número de empresas que aderiram à Uscap cresceu para mais de 20. As reduções deveriam ser alcançadas por meio de maior eficiência no uso de combustíveis e melhorias nas tecnologias de poupança de energia nos setores de transporte, construção e produção de eletricidade.

Um projeto de lei em que trabalham os senadores Joseph Lieberman (democrata) e John Warner (republicano) incorpora muitos dos objetivos e o contexto conceitual adotado pela Uscap. Semans, do Centro Pew, disse que a declaração da BRT está longe das metas da Uscap, mas propõe recomendações especificas semelhantes às propostas por essa coalizão, como a criação de um registro nacional para levar conta das emissões e a adoção de políticas governamentais que estimulem investimentos para reduzi-las.

A declaração da BRT não apóia nenhuma medida especifica entre as recomendadas pela Uscap para reduzir as emissões, mas, pede aos legisladores e funcionários que avaliem o valor potencial de cada uma delas em função de determinados critérios. Entre eles, se as medidas forem efetivas para reduzi-las, flexíveis e maximizarem a utilização dos mercados, fomentarem as soluções tecnológicas, minimizarem os custos de transação, oferecerem certeza e previsibilidade às empresas e promoverem a inovação.

O documento também reclama a realização de importantes investimentos, tanto públicos quanto privados, nas ciências do estudo do clima, para “entender melhor e prever a magnitude e velocidade do aquecimento global. Apesar da falta de certezas nesta área, “é prudente tomar medidas para enfrentar os riscos da mudança climática agora”, diz a declaração.

Os membro da BRT também afirmaram que o desafio apresentado pelo aquecimento global não pode ser enfrentado apenas pelos Estados Unidos e exige “uma resposta global. Uma resposta eqüitativa e efetiva deveria ser posta em prática, e os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa, incluídos Brasil, China e Índia, teriam de se comprometer com as metas de redução estabelecidas”, afirmaram os empresários. “A liderança norte-americana para estabelecer este contexto global de referencia é essencial”, concluíram os empresários. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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