Iraque: Bush cada vez mais sozinho

Washington, 22/08/2007 – Aumenta o descontentamento de políticos e legisladores dos Estados Unidos com a escalada no Iraque decidida pelo governo de George W. Bush, segundo pesquisa de opinião entre especialistas e ex-funcionários. O mundo se tornou um lugar mais perigoso para os norte-americanos, alertam os consulados para o “Índice do Terrorismo”, estudo divulgado esta semana e realizado pelo não-governamental Centro para o Progresso Americano e pela revista Foreign Policy. A efetividade da “guerra contra o terrorismo” lançada por Bush foi objeto de análises para mais de uma centena de especialistas em política externa consultados, entre eles vários ex-secretários de Estado, altos oficiais militares, especialistas em inteligência e acadêmicos.

A pesquisa mostra que 91% dos entrevistados acreditam que o mundo ficou um lugar mais perigoso para os Estados Unidos. Apenas 2% pensam que ficou mais seguro. Além disso, 84% não concordam com a idéia de que Washington está ganhando esta “guerra”. O conflito do Iraque é a razão principal de pessimismo: 92% dos especialistas (cinco pontos percentuais a mais do que na pesquisa feita no ano passado) consideram que a guerra afeta de maneira negativa a segurança dos Estados Unidos.

A escalada no Iraque por parte de Washington, que aumentou o número de tropas norte-americanas nesse país para 165 mil, teve um impacto negativo para 53% dos entrevistados, um acentuado aumento de 22 pontos percentuais em relação ao número registrado há seis meses. “Isto indica que o último semestre pode ter sido o momento mais decisivo na guerra contra o terrorismo”, disse à IPS o editor da Foreign Policy, Michael Boyer. A retirada das tropas do Iraque num prazo de 18 meses recebeu o apoio de 69% dos especialistas consultados, embora a maioria deles seja contrária a fazê-lo imediatamente.

Surpreendentemente, 25% dos consultados de ideologia conservadora reclamam uma retirada imediata das forças no Iraque, superando ligeiramente a porcentagem de moderados e progressistas que apóiam esta alternativa. “É pouco comum encontrar tal nível de coincidência em um tema tão politizado. A oposição à escalada não reconhece barreiras partidárias”, disse Boyer. Os especialistas tampouco compartilham os argumentos do governo Bush, segundo os quais uma retirada incentivaria ataques terroristas nos Estados Unidos. Oitenta e oito por cento dos consultados afirmaram que não há correlação entre os dois assuntos e que é pouco provável que ocorram atentados em território norte-americano se os soldados abandonarem o Iraque.

“O governo diz que precisamos de uma vitória no Iraque para não sofrermos as conseqüências aqui, mas os especialista afirmam que não é assim. Não vêem uma correlação entre ficar ou sair do Iraque e a possibilidade de ataques terroristas nos Estados Unidos”, disse Boyer. A pesquisa revela a preocupação dos especialistas pelas conseqüências da guerra no Iraque no panorama político do Oriente Médio. Neste aspecto, 58% consideram que as tensões entre os dois ramos do Islã, xiita e sunita, aumentarão nos próximos 10 anos, 35% consideram que os ditadores árabes não irão liberalizar seus regimes, 5% acreditam que a rede terrorista Al Qaeda se debilitará e apenas 3% prevêem que o Iraque se converterá em um “farol” da democracia no Oriente Médio.

Mais da metade dos especialistas afirma que o apoio ao governo do Paquistão, que aumentou notavelmente desde a invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos, tem um impacto negativo na segurança nacional. E mais: 35% dos consultados disseram que o Paquistão se converterá no próximo reduto da Al Qaeda, enquanto para 74% esse país é o mais inclinado a transferir tecnologia nuclear a terroristas nos próximos três a cinco anos. Entretanto, somente 22% dos especialistas descreveram o Paquistão como o aliado menos útil para os Estados Unidos. Por outro lado, 34% indicaram que a Rússia é o sócio que menos serve aos interesses estratégicos norte-americanos, provavelmente com reação ao crescente papel de “homem forte” do presidente desse país, Vladimir Putin. Segundo Boyer, “os especialistas em segurança nacional, quanto ao conflito no Iraque e à guerra contra o terrorismo, coincidem que estamos no caminho equivocado”. (IPS/Envolverde)

Eli Clifton

Eli Clifton is a national security reporter for ThinkProgress.org. Eli holds a bachelor's degree from Bates College and a master's degree in international political economy from the London School of Economics. He previously reported on U.S. foreign policy for IPS, where he served as deputy Washington, D.C. bureau chief. His work has appeared on PBS/Frontline's Tehran Bureau, the South China Morning Post, Right Web, Asia Times, LobeLog.com, and ForeignPolicy.com. Website: http://thinkprogress.org/author/eclifton Blog: http://thinkprogress.org/security/issue/

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