Washington, 22/02/2005 – O Banco Mundial estuda financiar postos militares de segurança israelenses em território ocupado com créditos concedidos à Autoridade Nacional Palestina. O coordenador de programas do Banco para a Cisjordânia e Gaza, Markus Kostiner, disse à IPS que a instituição poderia ter alguma papel no financiamento dos postos de segurança entre Israel e Palestina, equipados com a última tecnologia. Por seu nível de renda por habitante, Israel não pode receber empréstimos do Banco Mundial, de acordo com os estatutos da organização. A Palestina pode. O financiamento da instituição, neste caso, é considerado um instrumento para incentivar a economia palestina através de uma mais rápida inspeção de pessoas e mercadorias nos postos de controle.
"Propusemos um par de postos e Israel nos perguntou formalmente como poderíamos ajudar a garantir seu financiamento. Começamos, por isso, a elaborar um projeto", disse Kostner á IPS em entrevista por telefone. Os postos de vigilância serão projetados para acelerar a inspeção de pessoas e cargas, e serão atendidos por israelenses. Israel apresentará o plano como mecanismo para aumentar a liberdade de movimento e o crescimento econômico em território palestino. "De todo modo, como disse, nossa contribuição financeira seria para os palestinos, já que Israel está fora dos parâmetros para receber financiamento do Banco, devido à sua alta renda per capita", explicou.
"O projeto ajuda a melhorar a eficiência do cruzamento de fronteiras em benefício dos palestinos, ao mesmo tempo em que pode, no mínimo, manter, e talvez melhorar, a segurança em Israel. Desde essa perspectiva, será um ganho duplo", afirmou Kostner. Os planos poderiam ser aprovados em junho, previu o funcionário. Ativistas advertiram que o plano viola o direito internacional, pois alguns postos de controle propostos por Israel se localizam próximo ou no muro que esse país constrói ao redor da Cisjordânia e cujo traçado implica uma anexação de terras palestinas. "Se vão financiar esses postos de controle, trata-se de uma violação clara de convenções e leis internacionais", disse Terry Walz, do Conselho pelo Interesse nacional, organização dedicada a analisar a política dos Estados Unidos em relação a Israel e Palestina.
"Fazer com que os palestinos paguem pela modernização desses postos de controle é embaraçoso, pois não tem nada a ver com a construção do muro, e de fato o rechaçam. Esse assunto é extremamente lúgubre". O Banco Mundial não descarta financiar obras de infra-estrutura dentro de Israel que beneficiem os palestinos, como uma linha férrea entre Gaza e o porto de Ashdod ou serviços de água, declarou este mês o vice-presidente do Banco para o Oriente Médio e África Setentrional, Christiaan J. Poortman, á revista israelense Globes. Poortman também informou este mês à publicação da comunidade judia norte-americana The Foreword que o Banco Mundial considerava financiar projetos e postos de segurança ao redor do muro que Israel constrói em território palestino.
O Banco "demonstrou disposição para cumprir um papel, seja financeiro ou técnico", em melhorar os pontos de passagem na linha verde, disse o funcionário à The Foreword. Esses pontos deveriam ser parte de um plano que permita que sejam operados como uma ferramenta para incentivar a recuperação econômica palestina, afirmou. Poortman não estava disponível ao ser solicitada uma explicação por parte da IPS. Esta seria a primeira vez que o Banco interpreta que os empréstimos á Palestina podem servir para financiar medidas de segurança israelenses e projetos em território ocupado com o pretexto de que dessa maneira se estaria ajudando a população dessas áreas. Há duas semanas, uma delegação oficial israelense designada pelo ministro da Defesa, Shaul Mofaz, liderada pelo general da reserva Baruch Spiegel, dialogou com funcionários norte-americanos sobre os pontos de passagem planejados para a fronteira.
O objetivo da delegação, que segundo diversas versões se entrevistou com organizações judias e funcionários do Banco Mundial, é adiantar-se aos problemas "humanitários" que surgirem na Palestina com a construção do muro. Israel está construindo um sistema de vigilância de última geração nos postos de controle "para palestinos que viajam de Gaza a Israel, modernizando cinco terminais semelhantes entre Israel e Cisjordânia e reduzindo substancialmente os postos de segurança em estradas da área palestina", segundo a organização judia Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (AIPAC). Israel também constrói uma estrada através de Jerusalém que permitirá aos palestinos viajar entre o norte e o sul da Cisjordânia sem passar pos postos de controle. Por fim, os palestinos terão de pagar parte das dívidas resultantes de todo esse processo. (IPS/Envolverde)

