Phuket, Tailândia, 22/02/2005 – Esta paradisíaca ilha do mar de Andaman, no sul da Tailândia, costumava ficar cheia de turistas. Mas, depois do maremoto do dia 26 de dezembro no oceano Índico, ninguém mais a visita. Seus habitantes estão muito preocupados com o futuro, pois todos vivem direta ou indiretamente do turismo. Phuket e as ilhas próximas constituem um importante centro turístico na Ásia, famoso por suas praias brancas, suas águas calmas e sua multicolorida biodiversidade submarina, que atrais praticantes de mergulho de todo o mundo. Mas, agora, toda a atividade está paralisada. Cerca de 60 barcos turísticos estão ancorados no porto da Baía Chalong, no sul da ilha. Somente três estão operando.
Nos primeiro sete dias depois dos tsunamis foram canceladas 90% das visitas para os meses seguintes. Temos barcos no porto, mas, ninguém sai", disse à IPS o dono de um centro de mergulho. Mais de 220 mil pessoas morreram em dezembro vítimas dos tsunamis, palavra japonesa para as grandes ondas que invadem a costa por causa de terremotos ou erupções vulcânicas submarinas. O maremoto desta vez foi provocado por um sismo de 9 graus na escala Richter, com epicentro perto da ilha de Sumatra, na Indonésia. Bangladesh, Birmânia, Índia, Malásia, Maldivas, Indonésia, Seychelles, Sri Lanka Singapura, Somália e Tailândia foram os países mais afetados.
Em Phuket e nas ilhas próximas morreram 5.392 pessoas, e as perdas materiais equivalem a cerca de US$ 187 milhões, segundo o governo tailandês. Todos os anos chegavam ao país, especialmente a Phuket, cerca de 400 mil turistas interesses em mergulhar, o que gerava uma renda ao país superior aos US$ 5,1 milhões, 7% do ganho total com o turismo. "Antes tínhamos seis meses de temporada alta e seis meses de escassez. Este ano tivemos apenas um mês e meio de alta temporada. Não teremos nenhuma renda nos próximos meses. Se os turistas não voltarem logo, nossos negócios ficarão arruinados", disse um comerciante á IPS.
Por sua vez, a Associação Turística de Phuket (ATP) criticou os meios de comunicação internacionais que em dezembro informaram erroneamente que Phuket havia sido "completamente destruída". Esta "falsa informação afetou nosso produto", disse a administradora do Centro da ATP para a Recuperação do Tsunami, Oraval Pethong. "Os ocidentais não querem vir porque (a imprensa) informou que ainda há cadáveres abandonados e doenças. Nós queremos que os turistas venham. Isso é melhor do que as doações internacionais", afirmou.
O vice-primeiro-ministro, Suwat Liptapanlop, apresentou esta semana ao gabinete um plano no valor de US$ 15,5 milhões para reabilitar seu país, e convocou os turistas de toda Ásia a regressarem aos balneários afetados pelo maremoto. O plano inclui medidas como reduzir as tarifas para a aviação e declarar Phuket zona livre de impostos por seis meses, para atrair não só visitantes estrangeiros como, também, os próprios tailandeses. Enquanto isso, o norte-americano Reid Ridgway, assessor de mercado radicado nesse país, propôs lançar uma "campanha turística emocional" apelando para a sensibilidade dos turistas a fim de visitarem as zonas afetadas como forma de ajudar na sua reconstrução. Ridgway disse à IPS que já conseguiu em doações 25% dos fundos necessários para a campanha, e espera que o governo também contribuía. Com a campanha também serão promovidas as visitas ás regiões afetadas pelos tsunamis entre organizações religiosas, grandes corporações, agências de ajuda humanitária e sindicatos. "Meu objetivo é criar um programa de promoção positivo usando a história das vítimas para estimular as pessoas a virem para cá. O programa vai estimular o turismo", garantiu. (IPS/Envolverde)

