Iberoamerica: Brecha digital e analógica continua existindo

Madri, 30/11/2007 – A penetração da Internet é ainda muito limitada na América Latina, onde menos de 20% do total da população têm acesso a ele, e o consumo de meios de comunicação escritos continua sendo extremamente baixo, diz um estudo divulgado na capital espanhola. O livro “Meios de Comunicação, o Cenário Ibero-americano”, editado pela Fundação Telefonica (FT) e do qual participaram 50 especialistas espanhóis e estrangeiros, destacou que mesmo em países como o México a circulação dos jornais não chega a 15 exemplares para cada mil habitantes.

Embora o número de usuários da Internet na América Latina permaneça abaixo dos 20% da população, sobressai a posição de nações como o Chile, onde 40% de seus habitantes têm acesso a ela, e a Argentina, com 33%, afirma o estudo. Os jovens latino-americano estão relativamente mais próximos dos hábitos de acesso à Internet existentes nas nações da Europa meridional, disseram os especialistas que fizeram o trabalho. Em sua opinião, o grande desafio que enfrentam as nações de língua portuguesa e espanhola que formam a Comunidade Ibero-americana é fechar a brecha digital, tanto a que se manifesta entre os países como a existente em cada um deles.

“É preciso desenvolver estratégias, amparadas nos condomínios lingüísticos e culturais, para ganhar visibilidade e interlocução em um mundo que se volta para soluções cada vez mais globais”, disse à IPS Nadal Ariño, vice-presidente executivo da FT. O estudo divulgado esta semana também destaca que existe uma brecha analógica, expressa pelas diferenças no consumo de meios de comunicação escritos. O diretor da pesquisa, Bernardo Díaz Nosty, disse que enquanto na Espanha o índice de circulação é de 140 exemplares para cada mil habitantes, na Bolívia cai para 14 por mil e em Honduras é de 1,6.

Segundo o informe, as vendas diárias de jornais e revistas na Finlândia, Holanda e Suécia, com pouco mais de 30 milhões de habitantes nos três países, superam as do total das nações americanas de língua hispana, com uma população superior a 350 milhões de pessoas. Além disso, o consumo de imprensa na Alemanha quase iguala o do conjunto de países ibero-americanos, incluindo Espanha e Portugal, com apenas 25 milhões de exemplares para uma população de 600 milhões de habitantes. Na América Latina, a maior difusão se dá na Costa Rica, com 68,2 exemplares para cada mil habitantes. Em seguida estão Chile (60,8), Panamá (48.4), Argentina (44.9), Venezuela (41,5), Brasil (39.2) e Peru (36.8), de acordo com dados referentes a 2006.

Também existem brechas em matéria de conteúdo. O jornalista Ernesto Ekaizer, do jornal El País, de Madri, o de maior circulação na Espanha, disse que os meios de comunicação deste país não contribuem para o conhecimento da América Latina porque “não tem nem idéia do que acontece lá”. Um dos autores, o espanhol Teodoro León Gross, disse que três jornais ibero-americanos (El Comercio, de Lima; La Nación, da Costa Rica e El Comercio, de Quito) publicam mais de 15 matérias diárias sobre a América Latina. Outros não chegam a cinco, como nos casos de El Mundo, da Espanha; Diário de Notícias, de Portugal; El Universal e Reforma (ambos do México) e o Estado de S. Paulo (Brasil).

Segundo Gross, apenas dois jornais publicam informação originada em todos os países da região: El Universal, de Caracas, e La Nación, da Costa Rica. A menor diversidade se dá nos portugueses Diário de Notícias e Público. Além disso, o estudo destaca o fato de Espanha e Estados Unidos serem a origem do maior número de informações sobre a América Latina publicadas pelos jornais desta região. Gross fez uma análise sobre a presença dos líderes latino-americano na imprensa escrita. Fidel Castro ocupou o primeiro lugar com 34% do total das menções, seguido pelos presidentes da Bolívia, Evo Morales (19,8%); Venezuela, Hugo Chávez (13%); Colômbia, Álvaro Uribe (7,7%) e Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (7,6%).

O Estudo concluiu que há necessidade de estabelecer estratégias globais destinadas a tornar visível a realidade ibero-americana, especialmente no campo da comunicação para a cooperação, na defesa dos novos usos tecnológicos destinados à inclusão social e à democratização, à alfabetização mediático-digital e à diversidade cultural como patrimônio do conjunto das nações. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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